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FRANCISCO DE ASSIS E A REVOLUÇÃO DO AMOR



By  Juventude Franciscana JUFRA) do Brasil     17:52     


Se é pra ir a luta, eu vou!
Se é pra tá presente, eu tô!
Pois na vida da gente o que vale é o amor... (Zé Vicente)


Francisco de Assis viveu no período da Cristandade, sob o domínio do Papa Inocêncio III (1198-1216). Vivia-se uma profunda crise teológica na Igreja Católica, sob a égide do “dominium mundi”, domínio do mundo, toda a Europa até a Rússia vivia submissa às decisões e regras do Papa. A igreja vivia como um império de luxo e glória contradizendo todos os ensinamentos de Jesus. A etimologia da palavra “amor” tem sua origem no latim “amare”, “amor”, utilizado para designar o sentimento de “gostar de algo ou alguém”, sentir afeição, desejo ou preocupação. Francisco descobriu o amor na humildade da Igrejinha de São Damião, lá diante do crucificado descobriu que “o Amor não é amado” e esse Amor é desprezado nos tantos crucificados da sociedade. A etimologia da palavra “revolução” tem sua origem no latim “revolutio”, “revolutos” e “revolvere”, que significa ‘virar, transformar, ato de dar voltas, girar’. De acordo com a teoria científica de Copérnico a Terra está em constante processo de revolução. Francisco foi um revolucionário, subversivo e transgressor da ordem vigente. Escolhi três momentos de sua vida onde podemos analisar sua militância e vocação revolucionária. O filho de Pedro Bernardone nasceu com os privilégios de um filho da nobreza, além do título, a fama e a fortuna. Esta era a tradição hereditária da época, onde a ambição pelo ter era superior ao ser. Francisco vai subverter essa ordem quando diante dos seus pais e do bispo de Assis, Dom Guido II (1204-1228), renuncia a toda sua herança e fica despido de suas roupas diante de todos. Surge então o jovenzinho transgressor que desafia as principais instituições de sua época, a família e a Igreja. Desafia a autoridade política da Igreja. Francisco poderia ter sido preso como louco e infame. Mas sua “loucura” será revelada em outros momentos. O jovem de Assis fez a opção radical e preferencial pela pobreza e pelos pobres. Já deserdado de seus direitos e expulso de casa, se dirige para fora dos muros de sua cidade e vai servir com misericórdia e diligência aos pobres e leprosos no leprosário. É o Francisco de Assis que vai para a “quebrada da periferia” viver com os que vivem a margem do sistema. Ele beijou o leproso, onde o Cristo se revelou. Quem são os leprosos de hoje? Precisamos beijar e assumir a luta e a causa de cada trabalhador/a, a causa das mulheres, a causa dos/as negros/as, a causa das/os LGBTT’s, e de todos/as pobres que são oprimidos por esse sistema que exclui, degrada e mata. O pobrezinho de Assis também sofreu preconceito com o seu grupo quando se dirigiu a Roma para a aprovação da regra. O Papa não queria o receber, então passaram dias de resistência até serem ouvidos. Inocêncio III foi surpreendido com uma proposta de vida baseada no despojamento dos bens materiais e na caridade. Ele duvidou e subestimou as capacidades de Francisco. O pobrezinho astuto e inteligente, utiliza dos seus argumentos para arte do convencimento, e conquista a revolução com a aprovação oficial de sua ordem. Podemos concordar que o homem de Deus vivia o lema “ousadia e alegria”, mais uma vez ele desafia os poderes políticos da Igreja. Ousadia foi quando desafiou o martírio nas terras do Egito e no encontro com o sultão. Vemos nesse episódio a revelação de sua vocação política com um diálogo inter-religioso de paz. Acredito que Francisco daria um excelente ministro das relações exteriores e que ele tem muito a ensinar a ONU (Organização das Nações Unidas). Francisco viveu o amor até as ultimas consequências, quando encarna o peso das dores do crucificado e quando assume as chagas da sociedade. Ele viveu em sentido estrito e teologal a caridade pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo, e ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.  O pobrezinho de Assis nos mostra a Revolução como o caminho para a práxis (teoria na prática) da vivência de uma Fé pautada na misericórdia, na justiça e na paz.

Lucas Lins
Subsecretário de Formação e DHJUPIC – Fraternidade Nova Metrópole
Membro da Articulação do Movimento Fé & Política – Ceará
Licenciando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará

Referências
1. Fontes Franciscanas / [coordenação geral Dorvalino Francisco Fassini; edição João Mamede Filho]. – Santo André, SP; Editora “O Mensageiro de Santo Antônio”, 2004.
2. BOFF, Leonardo. Francisco de Assis e Francisco de Roma. Site LeonardoBOFF.com.                                       
Disponível em:  https://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/29/francisco-de-assis-e-francisco-de-roma/
3. C da Igreja Católica - São Paulo: Loyola, 1993


Sobre Juventude Franciscana JUFRA) do Brasil

A Juventude Franciscana (JUFRA) é uma proposta de vivência cristã destinada a jovens que, por vocação, carisma ou índole, se comprometem com o ideal de vida inspirado na espiritualidade franciscana A JUFRA é, ou deve ser, um monte de gente nesse mundão a fora, que tomou consciência de que: primeiro, deve esforçar-se para melhorar o mundo; segundo, que a melhora do mundo começa a partir de si mesmo; e que é preciso no mundo uma escola que ajude as pessoas a tomarem consciência disso. (Essa escola é a própria JUFRA) A JUFRA tem estilo e características próprias. Por isso nessa fraternidade de jovens, os jufristas assumem todos os deveres e, por conseguinte, gozam de todos os direitos inerentes ao compromisso franciscano de vida secular Segundo o Estatuto da JUFRA do Brasil, ela é uma associação civil com caráter e objetivos dentro exclusivamente dos campos Religioso, Educacional e Social.

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