Blog de Formação



Santa Rosa, nascida em berço pobre e humilde, possuía uma grande vocação religiosa. Desde sua infância já manifestava o seu grande amor e obediência a Deus Pai. Ainda jovenzinha, a menina gostava de evangelizar todos os cidadãos da sua cidade natal, Viterbo. Seguindo os exemplos de Francisco e Clara de Assis, ela estava sempre disposta a ajudar e alimentar os mais necessitados.
Em sua juventude, Rosa passou por muitas dificuldades, pois em decorrência de ser muito religiosa e defensora de sua fé, ela e outros cristãos foram expulsos de sua cidade, pois o rei da época era contra a Igreja Católica e ao Papa. Contudo, isso não a impediu de continuar sua vida evangelizadora e a luta constante em defesa de seus ideais.
Conta-se que em um dos principais momentos de sua adolescência, Rosa sentiu-se chamava pela Virgem Maria a entrar na Ordem Franciscana. E foi assim que este chamado tornou-se seu objetivo de vida!
“Levanta-se minha filha porque amanhã irás a Igreja de São João Batista, depois à de São Francisco, onde tomarás o hábito da Ordem Terceira”.
No entanto, a jovem precisava completar a idade necessária para ingressar na Ordem. Então, até a chegada deste momento, Rosa continuou sua jornada franciscana, se entregando totalmente a Deus, através de jejuns, orações e contemplação, além de estar sempre auxiliando os mais necessitados e lutando pela paz de seu povo. Independente do que acontecesse, a sua fé e perseverança eram inabaláveis.  
Rosa viveu muito pouco, aos dezoito anos a santinha foi chamada a descansar no colo de Deus Pai, coberta pelo manto da Virgem Maria. A menina foi um grande exemplo de luta, fé, determinação e confiança nos chamados de Deus. Ela deixou a sua marca de vida e santidade registrada na história da igreja católica.

A “SERIEDADE ALEGRE” DE ROSA
*Por Papa João Paulo II em seu discurso às Irmãs Recolhidas no Santuário de Santa Rosa na visita pastoral na cidade de Viterbo – Domingo, 27 de maio de 1984.
“Assim como toda alma que deseja verdadeiramente seguir a Cristo, especialmente no que se refere à vida consagrada, Santa Rosa, entre outros santos, ensina-nos, com sua vida, o que poderia definir como a "seriedade alegre" do compromisso assumido diante de Deus quando seu chamado é respondido: alegria, pela consciência do amor especial do qual ela se opôs imerecidamente; seriedade, sabendo que este chamado concretamente envolve o sentido total de nossa existência. A vocação cristã e batismal e, mais ainda, a vocação religiosa, que é o seu desenvolvimento, toca intimamente nosso ser diante de Deus com a nossa atitude - positiva ou negativa - diante dela, colocamos o nosso destino eterno em risco.
Mas o que supõe? Evidentemente, a capacidade de colocar nossa existência em relação com o absoluto, com o eterno, que é - em última instância - com Deus; supõe, em outras palavras, a capacidade de descobrir plenamente aquela imagem de Deus que está em nós e o que somos de fato. É somente agarrando, com uma aptidão especial para escutar, esta "centelha" eterna que existe em nosso espírito - o chamado divino - que nós, vencendo o transitório e o contingente, poderemos tomar essa decisão final sobre o significado de nossa existência. Uma decisão que, como é um ato de confiança na ajuda divina, é também o sinal da verdadeira maturidade humana. Nesta ligação livre para sempre a Deus - um presente significa um período de verificação prudente - alcançamos a verdadeira liberdade e integridade de nossa personalidade, em um sentido humano antes mesmo de sermos cristãos.
Santa Rosa nos lembra com seu exemplo brilhante a necessidade de ter força para superar esse medo que vem do elemento de incerteza própria da nossa existência e de afirmar, com corajosa humildade, a dignidade do nosso ser chamado à vida eterna e, portanto, a decisões irrevogáveis. Este é o caminho para realmente perceber a personalidade humana e cristã.
Em Santa Rosa, vemos o exemplo desta adesão generosa e total ao chamado divino. Em sua breve existência, a heróica convicção com a qual ela foi capaz de aceitar a palavra de Deus em sua vida nos torna conscientes do grau e intensidade com que ela viveu sua fidelidade incondicional a Deus.
Nessa jovem é admirável a profissão pública de sua fé: uma atitude que denota nela a dedicação ao bem comum da sociedade e da Igreja, que constitui um dos componentes essenciais do amor cristão pelo próximo, fundado, como sabemos, escutando e praticando a vontade divina. De fato, é da sua intimidade com Cristo Senhor e da sua disponibilidade ao seu Espírito, que Rosa atraiu essa admirável sabedoria e força, que lhe permitiu levar a cabo o seu apostolado, apesar das dificuldades e oposições que encontrou.
Por estas razões, apesar da profunda mudança dos tempos, ela é um importante ponto de referência para todas as jovens cristãs que querem realizar em plenitude e com verdadeira liberdade a dimensão social e eclesial da sua personalidade”.
Através deste discurso, percebemos o grande exemplo de Santa Rosa de Viterbo, exemplo de vocação, compromisso e perseverança em Deus. Devemos, como ela, sermos exemplos em nossas vidas. Por isso, em momentos de indecisão devemos nos silenciar, e buscar ouvir o que Ele quer nos dizer.
Muitas vezes achamos os serviços do dia a dia pesados, exaustivos, e devido a isso desanimamos no decorrer do caminho. Deixamos de lado e nos afastamos de nossos compromissos e esquecemos que temos um Deus que nos convida, de inúmeras maneiras, a servimos.
Em nossas fraternidades, quando assumimos um serviço ou uma responsabilidade e aceitamos de coração: foi por Ele! E é por Ele que devemos perseverar, pois independente dos obstáculos, com o amor de Deus e a união dos irmãos, seremos mais fortes e imbatíveis.

Leituras recomendadas: Isaias 30:21; Efésios 4:1-4

Santa Rosa de Viterbo, rogai por nós.
Paz e Bem!
Natalí S. da Rocha, JUFRA
Formadora do Regional Sul I


Fontes:
https://www.nossasagradafamilia.com.br/conteudo/santa-rosa-de-viterbo.html



Irmãos e irmãs, Paz e Bem! 

É com muito orgulho que lançamos as novas propostas de encontro de formação da Jufra do Brasil!

Acesse nosso Instagram e veja no IGTV o vídeo de lançamento! 

Acesse o Link e baixe a proposta de encontro: https://drive.google.com/open?id=1u4vvK7apF8BF-xNzxC2lf9ilpoiseaaI


“Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal... Felizes os que ela achar conformes à Tua santíssima vontade, porque a morte segunda não lhes fará mal”.
Cântico das Criaturas
Com muita tristeza, recebemos na noite de ontem a notícia do falecimento precoce do nosso irmão Felipe Viveiros da Rocha, da fraternidade Santíssima Trindade - Florianópolis, Regional Sul 2 (Santa Catarina). Fil como era carinhosamente conhecido, servia com muito amor, zelo e serenidade como Secretário Fraterno Local e Interventor do Regional de SC, ajudando no processo de reestruturação da Juventude Franciscana no estado.
Fill era um irmão que sempre buscou ensinar seus irmãos a caminharem sendo protagonistas, tanto que ajudou a formar muitas lideranças. Alguns o conheceram por suas bandeiras em DHJUPIC, outros por seu amor e zelo com IMMF, ainda outros por sua sensibilidade ao evangelizar, ainda outros por seu trabalho na comunicação!
Um irmão que amava ensinar e o fazia com humildade e amor, seu sorriso sem jeito encantava, sua paz nos acalmava e seu eterno sim a JUFRA muitos nos inspirava e vai nos inspirar pra sempre, que possamos aprender a cuidar dos irmãos com o mesmo carinho, amor e paciência que ele cuidava.
Que toda a JUFRA do Brasil possa se unir em oração, pela família, amigos, fraternidade local e regional do Fil, para que o “brilho da fé seja a certeza que ele vive feliz com o Senhor”. Ficamos com seu exemplo de VIVER a “Espiritualidade Franciscana, em fraternidade com toda a criação”.
“Aquele que não ama permanece na morte,
este nosso irmão amou, por isso permanece na vida!”
Fraternalmente;
Secretariado Fraterno Nacional da JUFRA do Brasil








No último dia 20 de Junho, solenizamos o Dia Mundial do Refugiado, um crescente drama histórico e mundial que nos convida a uma reflexão a partir do olhar franciscano acerca do nosso engajamento sócio-político.
Sabemos que a migração pode ser voluntária ou forçada. Antes de tudo, precisamos diferenciar três termos básicos dessa crise: emigrante, imigrante e refugiado. Quando uma pessoa deixa sua terra de origem por decisão própria é considerada Emigrante de sua região de origem e Imigrante na região que o acolhe. Por outro lado, quando uma pessoa é forçada a deixar seu país por causa de um conflito armado ou perseguição, ela é considerada Refugiada. Nos três casos, chamamos essa movimentação de migração.

Dados atualizados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados* nos apresentam que mais de 300 milhões de pessoas são migrantes e vivem fora do seu país de origem. Somente em 2018, o número de Migrantes é de 70,8 milhões de pessoas; desses, mais de 25 milhões são refugiados e 12 milhões são menores de 18 anos. A cada minuto, 25 pessoas são forçadas a deixar suas casas. E ainda existe o montante de 3,5 milhões de pessoas que aguardam uma decisão sobre suas solicitações de refúgio. São, portanto, dados aterrorizantes.

Muitos de nós nos questionamos sobre as causas deste surto de migração, do qual são alguns fatores: guerra e conflitos de longa duração, especialmente políticos e religiosos; privações econômicas; desastres naturais e degradação ambiental; perseguição de cunho trabalhista ou moral; dentre outros.

Nosso país abriga 1,1 milhão de imigrantes e refugiados de mais de 85 nacionalidades diferentes. Os venezuelanos são os irmãos que mais nos chamam a atenção ultimamente, isso devido à crise econômica e política que atravessa aquele país. Segundo o IBGE, cerda de 40 mil venezuelanos vivem no Brasil e nem sempre sua permanência é pacifica – lembremos de um venezuelano que foi morto a pauladas sob acusação de roubo, em setembro/18, na cidade de Boa Vista/RR.

Por tudo isso, em fraternidade, precisamos fazer o exercício de compreendermos a fundo qual nosso papel diante dessa crise humanitária que envolve o massacre das classes menos favorecidas pelo sistema e o abuso do poderio em detrimento de um povo que sofre e busca o apelo à justiça e misericórdia.

Hospitalidade aos refugiados no contexto Bíblico do Antigo Testamento

O Antigo Testamento nos traz uma Teologia da Migração baseada na misericórdia e acolhida pacífica pelo que vem de longe. Não há como negarmos que é muito mais fácil ter hospitalidade com a família e amigos do que com estranhos, no entanto, desde as escrituras mais antigas somos incentivados a colocá-la em prática.

O nome hospitalidade em grego “philoxenia” é traduzido como: philos, que é "amar alguém como a um amigo ou irmão", e xenos, que significa estranho ou imigrante. Temos aqui visivelmente um chamado extensivo sobre o amor ao próximo como a si mesmo, mandamento fundamental da vida cristã que junto ao mandato do amor a Deus, resume todos os mandamentos da Lei de Deus (cf. Lc 10,27).

Em diversas passagens a Bíblia nos convida a caridade e hospitalidade ao estranho residente ou viajante. Receber o estrangeiro é um dos mandamentos mais repetidos nas Escrituras hebraicas. A hospitalidade não está somente em abrir as portas do país, tampouco em doar roupas e alimentos, mas, sim, em se deixar colaborar na busca pela cidadania e direitos daqueles que, por hora, não possuem nada.

Ao longo das escrituras vamos concluindo que Deus tomou um cuidado especial pelos estrangeiros, preservando o direito ao seu amor e preocupação, garantirmos esse cuidado hoje é uma questão de justiça. Migrantes são pessoas em transição, pessoas que estão em movimento e vivenciando a perda das raízes: são sem-teto de um modo novo e numa escala imensa. De formas significativas nossas Igrejas foram revitalizadas a partir desses contextos.

Ainda, se partirmos do ponto de vista que todos somos estrangeiros, alcançamos um aspecto celestial da nossa existência que é passageira aqui na Terra, onde nosso verdadeiro lar é o Reino dos céus. Desde Abraão à Igreja global, a metáfora do estrangeiro está fortemente aprofundada na nossa história e teologia, e, portanto, na nossa identidade. Essa perspectiva humaniza os refugiados, deixando-os de se tornarem apenas estatísticas. São nossos irmãos oprimidos, esquecidos e invisíveis. Nós, franciscanos, temos um papel vital em garantir que as necessidades de nossos irmãos migrantes sejam vistas. Acolhe-los não é uma política a ser adotada, mas um verdadeiro mandamento que não pode ser traído.

São algumas outras passagens para reflexão: Ef. 2, 14.19; Lev. 19,34 Deut. 23,16-17; Deut. 26,12; Deut. 27,19; Núm.15,15-16; Atos 7,6; 1Crôn. 29,15; Heb.11,1; Fil. 3,20, etc.

Novo Testamento: Jesus, o que se faz migrante

Antes de Cristo, as nações estavam separadas de Cristo (Ef. 2.12), mas depois Deus adotou-nos na sua família através de Jesus Cristo, e já não somos estrangeiros nem visitantes (Efésios 2, 14.19).

O Novo Testamento nos traz uma Teologia da Migração baseada na busca pela hospitalidade do Filho de Deus. O próprio Jesus se apresenta como um migrante. Como sabemos, Jesus, José e Maria tiveram diversas experiências cruéis de migração forçada e de falta de hospitalidade. A começar pela fuga até o Egito. Aqui já temos nossa primeira reflexão: Se o Egito tivesse barrado a entrada de José e Maria, possivelmente Jesus estaria morto. Não cabe a nós buscarmos sermos cristãos melhores, e ao mesmo tempo, ir de encontro com o chamado de abraçar o estrangeiro.

Outro ponto importante é o local de nascimento de Jesus: uma manjedoura improvisada dentro de um celeiro, isso “porque não havia lugar para eles na hospedaria (Lucas, 2)”. Por vezes esquecemos, mas o Natal de Cristo é também uma grande metáfora da hospitalidade. Nos traz a claridade de um Deus que decide estar próximo de nós todos, a partir de uma realidade concreta se faz Filho, tornando-se um de nós e tem de ser acolhido. Mas, ele também é rejeitado, não tem lugar sequer para nascer, os pais tiveram que fugir para que a segurança lhe fosse uma opção.

Jesus, minhas irmãs e meus irmãos, nasce desprovido, pobre, humilde, completamente vulnerável. Nasceu de uma família que fugiu de um governo tirânico e se escondeu durante muito tempo para se manterem vivos. Teve seu reconhecimento apenas por parte daqueles que possuíram uma sensibilidade mística para valorizarem e estarem atentos às pequenas coisas. Testemunha-nos uma vida de migração e peregrinação e nos convida, a partir de seus encontros, a sermos uma Igreja do encontro aos migrantes (Evangelho de Marcos 7,24-30 - o encontro de Jesus com uma síria refugiada).

O dever de hospitalidade da Juventude Franciscana

É firme a convicção de que acolher o migrante é acolher Deus, isso porque nos pomos como irmãos que optam pelo sentimento de identificação e acolhida em relação ao sofrimento do outro.

Para fazermos isso, precisamos permitir a desconstrução da nossa imaginação de quem é o estrangeiro. A nossa ideia dos refugiados afeta bastante a nossa atitude para com eles. Há uma mídia negativa e desleal sobre o impacto dos migrantes em nosso país, isso porque o interesse dos maus governantes é o progresso a todo custo e a concentração do poder em detrimento das classes mais oprimidas. Embora a visibilidade do drama seja maior hoje, a questão é antiga.

Deus nos chama para adotarmos um jeito hospitaleiro e compassivo de ser. Não se trata apenas de dar um socorro, mas de adotar um estilo de vida coerente com o caráter de Deus. Ser agente de transformação nessa realidade requer muito de nós, consiste em ter uma experiência de transcendência. É estar preparado para ir ao encontro do outro com amor (hospitalidade) e ter a possibilidade de encontrar o oposto (hostilidade).

Na vida de Cristo podemos observar essas duas reações caminharem juntas. Tem-se um exemplo: José e Maria aceitarem a chegada de Jesus conforme os designíos de Deus (hospitalidade). Alguns moradores de Belém não tinham lugar para a Sagrada Família (hostilidade).

Quando conseguimos amadurecer nossa ideia sobre os refugiados, a partir do aspecto da alteridade, que Francisco de Assis muito nos fala, percebemos que o que nos afasta da realidade deles é o patriotismo, as questões morais e políticas, o medo, as fake news e o comodismo. Em nossa realidade espiritual, como juventude, precisamos nos desafiar a vermos o migrante não como um divergente, mas como um semelhante, atributo valioso para nossas fraternidades.

Na biografia missionária, muitas vezes o cristianismo floresceu no contexto da migração precisamente por causa dessas duas condições enfrentadas na experiência do migrante. Um exemplo contextual é o encontro de Francisco e o Sultão. Ambos estrangeiros aos olhos do outro, ambos de fé, culturas e realidades sócio-políticas diferentes; ainda assim, isso não foi impedimento para que a hospitalidade estivesse presente em ambos – naquele que migrou ao desconhecido e naquele que lá já habitava.

Portanto, exortemo-nos diante de comportamentos de exclusão, “aceitem-se uns aos outros, da mesma forma como Cristo os aceitou, a fim de que vocês glorifiquem a Deus” (Rm 15,7). Essa aceitação mútua está presente na vida de Cristo e de Francisco inteiramente e devemos praticar dentro e fora de nossas fraternidades.

Como franciscanas e franciscanos, carecemos buscar replicar atitudes de acolhida e empatia aos problemas causados pela crise das migrações; evitar deixar se levar nas conclusões patrióticas e capitalistas, mobilizarmo-nos para que esses refugiados recebam recursos de sobrevivência, e se possível, recomecem suas vidas, reconstruam suas histórias, recuperem suas identidades.

O tempo todo estão chegando refugiados no Brasil, e, nós, como igreja, podemos acolhê-los. Não há dúvidas de que acolher um refugiado exige de nós mais do que boa vontade. Precisamos reorganizar nossa rotina, abrir mão de algumas coisas, envolve gastos financeiros, divergências culturais. Mas o desafio está em percebermos que vivemos num país em que o déficit habitacional é grande e a desigualdade social absurda, cabendo a nós fazermos mais que nossa parte, não deixarmos nos acomodar pela forma negativa como o outro age, dar vazão à voz daqueles milhares que estão invisíveis e que, quando enxergados, sofrem preconceito, agressão, opressão e medo.

Por fim, busquemos com alegria e esperança “declaramos nosso propósito de construir a unidade e de combater, em nós mesmos e no mundo todo o individualismo e fechamento em si com o objetivo de fazer acontecer a fraternidade universal, tomando parte com todos os irmãos na construção da civilização do amor. (Manifesto da Juventude Franciscana)”.
*Dados estatísticos: site do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e IBGE


Texto por: Jéssica Lima, OFS/JUFRA – Assessora Jurídica da JUFRA do Brasil (2013-2022), ativista nos Direitos das mulheres, das pessoas em situação de rua e dos animais.



Proposta de Encontro


Objetivo: Entender a crise de migrações e enfatizar a importância do nosso engajamento sócio-político para o crescimento de uma sociedade mais justa e fraterna.

Materiais: Bíblia, fotos de famílias felizes e famílias tristes, a imagem da sagrada família na manjedoura, mapa mundo, etc.

Ambiente: Procurar preparar um ambiente harmonioso, onde todos estejam em círculo, montando no meio o altar com os materiais acima. Distribuir no início do encontro algumas frases dos trechos bíblicos referenciados no texto aos irmãos participantes, enquanto toca o mantra: “Onde Reina O amor, fraterno amor. Onde reina o Amor. Deus aí está!”.

Acolhida: Cantar uma música de acolhida: “Oi, que prazer, que alegria O nosso encontro de irmãos! (bis). 1. É óleo que nos consagra, que ungiu teu servo Aarão. É como um banho perfumado, gostosa é nossa união! 2. Orvalho de alta montanha que desce sobre Sião. Sereno da madrugada gostosa é nossa união! 3. Senhor, tu nos abençoas, e a vida vem de porção.  vida que dura sempre, gostosa é nossa união! 4. Ao Deus de todas as crenças a glória e a louvação. No amor da Santa Trindade, gostosa é nossa união!”
Em seguida a/o responsável pelo encontro aborda o tema proposto, buscando questionar os irmãos sobre o assunto.

Iluminar: Efésios 2, 14.19, Rm 15,7, Marcos 7, 24-30

Canto:
Doce é sentir
Em meu coração
Humildemente
Vai nascendo amor

Doce é saber
Não estou sozinho
Sou uma parte
De uma imensa vida

Que generosa
Reluz em torno a mim
Imenso dom
Do teu amor sem fim

O céu nos deste
E as estrelas claras
Nosso irmão sol
Nossa irmã lua

Nossa mãe terra
Com frutos, campos, flores
O fogo e o vento
O ar, a água pura

Fonte de vida
De tua criatura

Que generosa
Reluz em torno a mim
Imenso dom
Do teu amor sem fim



Evangelho:
A/o responsável pelo encontro faz a leitura do Evangelho de Marcos 7, 24-30 (o encontro de Jesus com uma síria refugiada) e convida as irmãs e os irmãos a fazerem uma breve reflexão da passagem voltada ao respeito e comunhão com os refugiados.

Agir: A/o responsável pelo encontro divide as irmãs e irmãos formando grupos de 3 (três) pessoas. Cada grupo ficará com o desafio de organizar um projeto com 3 (três) soluções práticas para diminuir os problemas da crise dos migrantes. Cada solução deve ser praticada por um executor diferente. Ou seja, uma solução que a sociedade deveria praticar, outra que a Igreja e outra que o Governo.
Cada grupo deverá ter um nome e dar um nome ao seu projeto. Por fim, cada grupo deverá apresentar Suas conclusões. Em seguida, a/o responsável deverá levar as irmãs e os irmãos a refletirem sobre a figura do refugiado, seus problemas e como nós podemos colaborar com soluções simples e criativas. Como franciscanas e franciscanos, devemos buscar replicar atitudes de acolhida e empatia aos problemas causados pela crise das migrações; evitar deixar se levar nas conclusões patrióticas e capitalistas, mobilizarmo-nos para que esses refugiados recebam recursos de sobrevivência, e se possível, recomecem suas vidas, reconstruam suas histórias, recuperem suas identidades.


Oração final:

Um certo Galileu – Padre Zezinho


Um certo dia, a beira mar
Apareceu um jovem Galileu
Ninguém podia imaginar
Que alguém pudesse amar do jeito que ele amava
Seu jeito simples de conversar
Tocava o coração de quem o escutava
E seu nome era Jesus de Nazaré
Sua fama se espalhou e todos vinham ver
O fenômeno do jovem pregador
Que tinha tanto amor
Naquelas praias, naquele mar
Naquele rio, em casa de Zaqueu
Naquela estrada, naquele sol
E o povo a escutar histórias tão bonitas
Seu jeito amigo de se expressar
Enchia o coração de paz tão infinita
Em plena rua, naquele chão
Naquele poço e em casa de Simão
Naquela relva, no entardecer
O mundo viu nascer a paz de uma esperança
Seu jeito puro de perdoar
Fazia o coração voltar a ser criança
Um certo dia, ao tribunal
Alguém levou o jovem Galileu
Ninguém sabia qual foi o mal
E o crime que ele fez; quais foram seus pecados
Seu jeito honesto de denunciar
Mexeu na posição de alguns privilegiados
E mataram a Jesus de Nazaré
E no meio de ladrões puseram sua cruz
Mas o mundo ainda tem medo de Jesus
Que tinha tanto amor



Por fim reza-se a oração que Jesus nos ensinou.






SANTO ANTÔNIO E A OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS POBRES



A sabedoria popular consagrou diversos homens e mulheres em arquétipos, isto é, modelos de vida. Assim aconteceu com o filho de Fernando Martins Afonso de Bulhões e Maria Taveira, onze meses após a sua morte, na Catedral de Espoleto, Itália. Estamos falando de Santo Antônio, tão próximo a todos nós. Se o que tornou Santo Antônio mundialmente reconhecido como homem das letras foi a sua dedicação aos estudos, certamente, não foi esse o motivo que o tornou santo e até hoje, 788 anos após a sua morte, um dos santos mais invocados pelo povo simples.

De Fernando a Antônio

Em primeiro lugar, vamos compreender quem é Santo Antônio. Nascido Fernando em Lisboa, Portugal, em 1191. Ainda adolescente entrou para o Seminário dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho e logo pediu transferência para Coimbra, onde poderia aprofundar os seus estudos na Sagrada Escritura na cidade universitária, onde tornou-se professor. Foi também em Coimbra que encontra cinco frades franciscanos que estavam a caminho do Marrocos. A crise entre a Igreja e os prelados era muito grande.

Tempos depois, diante das relíquias dos primeiros mártires franciscanos, decide largar todo aquele aparato clerical para viver a simplicidade do evangelho na fraternidade e no anúncio do Reino de Deus. Porém, na viagem, cai em febre na África, onde decide retornar à sua terra natal. O navio em que ele estava acaba indo parar na Itália. Uma feliz coincidência: reuniam-se em Assis, mais de três mil frades para o Capítulo das Esteiras.

O desejo de seguir o Cristo Pobre até as últimas consequências

Após o Capítulo, vai ver no eremitério no cimo do Monte Paulo, como sacerdote, celebrava a missa aos confrades, mas faz outros serviços, como lavar pratos e cuidar da horta. Dedica longos períodos de oração em silêncio e recolhimento. Na cidade de Forli, Itália, durante uma ordenação sacerdotal é convocado pelo superior a fazer a pregação. A partir daí ele começa a percorrer as estradas anunciando o Evangelho.

Torna-se, então, o que muitos anos mais tarde será chamado como Santo Antônio: doce consolador dos pobres.

Oratória: do discurso à prática

No tempo de Frei Antônio, a pobreza era crescente: a passagem de uma sociedade feudal para a burguesia trouxe muitos desafios estruturais. Formaram-se as cidades, onde a desigualdade era maior do que no campo. Os pobres eram explorados e sofriam de muitas doenças. Santo Antônio não se dedicou a obras caritativas e assistencialistas. Ele utilizou do poder de sua palavra para atacar a raiz da pobreza: o egoísmo dos ricos e a exploração dos operários.

A arte de falar em público pode ser uma atividade de exaltação do eu. Porém, Antônio foi um orador religioso e atento aos problemas da comunidade. Apesar de não fazer parte de uma ONG, Antônio realizava pequenos gestos que mostravam a sua vontade de ajudar os pobres de Cristo.

Estar junto dos marginalizados é exigência evangélica

Conta a história que, comovido com a situação dos pobres, Frei Antônio havia distribuído todo o pão do refeitório do convento. Quando chegou a hora da refeição, o frade padeiro ficou desesperado por não ter nenhum pão para alimentar os frades. Foi comunicar a Antônio, que pediu que retornasse à cozinha e verificasse o cesto. Em seguida, o frade voltou com a notícia que o cesto estava transbordando de tanto pão. Este pão alimentou os frades e todos os mendigos que vieram pedir ajuda ao convento.

A defesa de Santo Antônio foi tão eficaz, que no dia 15 de março de 1231, ano de sua morte, ele conseguiu a promulgação de uma lei em favor dos pobres de Cristo.

Aos 15 de março de 1231, o governo de Pádua promulgou uma lei nova nos seguintes termos: “A pedido do venerável irmão Antônio, confessor da Ordem dos Frades Menores, para o futuro, nenhum devedor ou fiador poderá ser privado pessoalmente de sua liberdade, quando ele se tornar insolvente. Somente suas posses poderão ser apreendidas neste caso, não porém sua pessoa e sua liberdade”. Com esta lei, Frei Antônio conseguiu salvar a dignidade dos pobres.


Antônio de Pádua, Lisboa, do mundo inteiro: inspiração para a Juventude Franciscana do Brasil

Acabamos de conhecer relatos de três características diferentes de Santo Antônio: orador atuante, religioso místico e frade profeta. O que tudo isso tem a dizer a nós?

Certamente, Santo Antônio nos inspira grandes ideais de simplicidade e cuidado com aqueles que nos cercam. Porém, nada disso teria acontecido se não fosse por Aquele a quem Santo Antônio decidiu, ainda em Lisboa, dedicar a sua vida: Jesus Cristo. A opção preferencial pelos pobres é consequência de uma opção essencial por Jesus Cristo, e por isso, irrevogável.

Três meses após a promulgação da lei em favor dos pobres, num quartinho das Clarissas, ele encontra-se definitivamente com Deus. E diz: “Gloriosa Senhora, sobre as estrelas exaltada, alimentaste em teu seio Aquele que te criou”.

Em tempos de injustiça e intolerância contra os mais pobres e marginalizados, queremos rezar: Santo Antônio roga por nós, dá-nos ousadia missionária e livrai-nos da indiferença paralisante.


Vinícius Fabreau 
Secretário Regional de Ação Evangelizadora – Sudeste 3