Blog de Formação


Objetivo:

Entender o que é diálogo inter-religioso e enfatizar a importância desse diálogo para o crescimento de uma sociedade mais fraterna.

Materiais:

Bíblia, desenhos (pode ser flor, sol, borboleta...) para colorir conforme a quantidade de irmãos, lápis de cor e caneta.

Ambiente

De acordo com a particularidade de cada fraternidade, trazer um ambiente mais aconchegante e orante, vale usar plantas, velas, e algumas frases espalhas no centro:
“Tudo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles” - Mateus 7, 12.
“O amor de um único ser, neutraliza o ódio de milhões de seres” - Mahatma Gandhi
“Nenhum de vós sois um fiel autêntico até devotar pelo próximo o amor que devotais a vós mesmos” - Maomé
“Não firais os outros com aquilo que vos fere” – Buda

Acolhida:

Podem ser cantadas algumas músicas de acolhida, tais como:
Seja bem-vindo ô lelê, seja bem-vindo ô lalá, paz e bem pra você...
Só porque você veio é festa no céu é festa aqui...
Em seguida o coordenador aborda o tema do encontro. Em seguida questiona os irmãos sobre o que é o diálogo inter-religioso.

Iluminar

Canto:
Tua palavra é lâmpada para os meus pés Senhor (2x) Lâmpada para os meus pés Senhor, luz para o meu caminho (2x)

Coordenador faz a leitura do Evangelho de São João 4, 5-10:
"O Senhor soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele recrutava e batizava mais discípulos que João 2.(se bem que não era Jesus quem batizava, mas os seus discípulos). 3.Deixou a Judéia e voltou para a Galiléia. 4.Ora, devia passar por Samaria. 5.Chegou, pois, a uma localidade da Samaria, chamada Sicar, junto das terras que Jacó dera a seu filho José. 6.Ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. 7.Veio uma mulher da Samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: Dá-me de beber. 8.(Pois os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos.) 9.Aquela samaritana lhe disse: Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana!... (Pois os judeus não se comunicavam com os samaritanos.) 10.Respondeu-lhe Jesus: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva." 
Palavra da salvação...
O coordenador convida os irmãos a fazerem uma breve reflexão do evangelho voltado ao diálogo interreligioso.

Agir

O coordenador do encontro, de acordo com o número de irmãos, pede para que seja formado grupos, trios ou duplas. A cada grupo será distribuído um desenho para colorir e lápis de cor.
Cada grupo deverá ter um nome e dar um nome ao seu desenho além de colori-lo, por fim, cada grupo deverá apresentar seu desenho, nome do desenho e do grupo. Em seguida, o coordenador deverá levar os irmãos a refletir sobre a diversidade religiosa, e de que embora seja o mesmo desenho, cada grupo tem uma maneira de pintar, e mesmo que o desenho seja igual para todos ainda assim ele recebe nomes diferentes e que cada grupo também recebe nomes diferentes. Assim são as religiões, Deus recebe diversos nomes diferentes, cada grupo recebe um nome e tem doutrinas diferentes a serem seguidas, mas o que não muda é que cada uma dessas religiões querem que as pessoas se aproximem cada dia mais daquilo que é bom, do amor verdadeiro e do serviço ao próximo, do amor ao universo e tudo aquilo que nele habita. E assim tem que ser o diálogo inter-religioso, que independente de religião, que as pessoas se unam em um só proposito, seja ele de paz ao mundo, de prevenção a natureza, uma campanha contra a fome, enfim, que o bem comum, que o amor prevaleça, e assim teremos um mundo melhor e que vive a verdadeira fraternidade.

Oração final:

Cada irmão deve fazer uma prece de respeito às diversidades religiosa e amor ao próximo. Após cada prece todos respondem: Escutai ó Deus nossa prece. Por fim reza-se a oração que Jesus nos ensinou.


Jaqueline Santos dos Passos
Secretária de Ação evangelizadora Regional Bahia Sul
Fraternidade Francisclariana - Jequié





Irmãs e Irmãos,

Paz - fruto da justiça - e todo Bem!

Nós, jufristas, membros do Secretariado Fraterno Nacional e Secretários/as Fraternos/as Regionais da Juventude Franciscana do Brasil, assinamos em comunhão esse manifesto histórico que é lançado dentro de um contexto político, mas também dentro de um processo formativo da Juventude Franciscana.  Construído a partir das bases, pelas palavras dos secretários/as regionais, este manifesto revela a diversidade constitutiva da nossa juventude, sendo a base fundamental contrária ao discurso de ódio. Nossos documentos e as cartas lançadas por organizações parceiras nos servem de inspiração. A oração da paz atribuída a São Francisco, em uma nova versão e dentro do contexto, é parte de um manifesto cujas únicas armas utilizadas são a conscientização e a oração.

Inseridos/as na realidade socioambiental do país, a partir da JUFRA, somos sujeitos com potencial de transformação e protagonistas da nossa História. Assim, este manifesto não é isolado, mas se situa junto a tantas outras reflexões que nós jovens franciscanos/as acompanhamos, como a defesa da democracia e contra o golpe, a retirada de direitos e as decisões arbitrárias que ocorreram e ocorrem no país. Ainda assim, este documento é também fruto de uma construção formativa!

Contra o ódio, o preconceito e em defesa dos Direitos Humanos, estamos nas lutas diárias assumidas com o testemunho de tantos/as jufristas engajados/as em suas comunidades e realidades.

Com a jufrista Fernanda, somos de uma "...descendência diversificada." Por ela, filha de uma mulher descendente italiana e um pai negro e descendente indígena, relembramos a diversidade com que nosso povo é formado. É pelo respeito a todos, em especial aos povos negros e de comunidades quilombolas, povos indígenas e imigrantes, somos contra os discursos que os discriminam e desvalorizam!

Com a jufrista Nayla, “artista, professora e franciscana, com medo do que será da cultura, das escolas e da igreja!”, partilhamos um sentimento comum. Nos diversos espaços em que atuamos, o sentimento de medo parece avançar. As conquistas estão em risco e o rosto da censura e do moralismo se revela! Estamos falando aqui dos jovens artistas, do livre exercício da docência e das diferentes expressões religiosas e eclesiais.

Com o jufrista Glenilson, "jovem, cristão leigo, negro, filho de mãe solteira, nordestino e  acreditando em um projeto de sociedade igualitária, que garanta  vida digna para todos, em especial aos pobres", nos unimos em prol de políticas públicas consistentes e estruturadas, baseada no respeito, nos ideais de justiça, paz e de fraternidade universal. Conscientes de que é grande o número de jovens criados por mães e avós, mulheres que merecem todo respeito, queremos ecoar nossa voz contra o machismo, o sexismo e a violência contra a mulher.

Com os jufristas Cazuza e Mayra, dizemos que “é inaceitável o que estamos vivenciando neste momento, com a nossa jovem democracia sendo atacada e ameaçada”, o que nos recorda a história da nossa pátria e também da JUFRA, alvo de investigação durante a Ditadura Militar.

Em momentos históricos distintos, mas marcados pela necessidade de transformação, Francisco mostrou que é possível mudar, trazendo novos valores e novas forma de enxergar a vida. Hoje, sejamos nós promotores/as desta mudança, em nível pessoal, familiar, comunitário, social e político, denunciado o ódio e promovendo a paz.



Em espírito de fraternidade, lutamos e rezamos juntos/as:

Oração de São Francisco para os nossos dias!

Senhor, faça de mim instrumento da sua paz!

Onde houver pena de morte,

que eu leve a conversão e restauração.

Onde houver a tortura,

que eu leve a dignidade da vida humana.

Onde houver a ditadura e o totalitarismo,

que eu leve o livre arbítrio e a democracia

Onde houver a discriminação,

que eu leve a acolhida aos sofredores e excluídos.

Onde houver discursos de ódio,

que eu leve a misericórdia e a caridade.

Onde houver preconceito contra as mulheres,

que eu leve o respeito e o amor.

Onde houver culto às armas,

que eu leve a promoção da paz.

Onde houver esterilização de pessoas pobres,

que eu leve a defesa das famílias e da vida.

Onde houver xenofobia e repulsa aos refugiados,

que eu leve a acolhida aos estrangeiros.

Ó Mestre, faça com que eu procure mais:

perdoar do que ser vingativo,

pacificar do que ser violento,

amar do que ser preconceituoso.

Pois é semeando a paz

que se se constrói a paz.

É promovendo direitos

que se tem os direitos.

E é somente na fraternidade

que se constrói a democracia.

Amém.



Assinam o Manifesto:

Washington Lima dos Santos – Secretário Fraterno Nacional,  Engenheiro Químico, Mestrando em Engenharia Química

Juliana Caroline Gonçalves Almeida – Secretária Nacional de Formação,  Licenciada em Letras, Master em Evangelização (ITF)

Igor Guilherme Pereira Bastos - Secretário Nacional de Direitos Humanos, Justiça, Paz e integridade da Criação (DHJUPIC), Executiva do Sinfrajupe, Engenheiro Civil

Emanuelson Matias de Lima - Assessor Nacional para Registro e Arquivo, Historiador e Graduando em Gestão Pública e Pedagogia

Humberto Martins de Lima Magalhães -  Secretário Nacional de Finanças, Bacharel em Administração

Muhammed H. C. Araújo – Secretário Nacional de Ação Evangelizadora – Bacharel em Ecologia

Danielle Maria dos Santos e Silva -  Secretária Nacional de Comunicação Social, Registro e Arquivo, Bióloga

José Douglas Soares - Secretário Nacional para Área Nordeste B, Bacharel em Zootecnia

Maricélia Morais Ribeiro - Secretária Nacional para a Área Centro Oeste, Professora

Marcio Bernardo de Oliveira Ramos - Secretário Nacional para a Área Sudeste, Administrador

Bruno Soares – Secretário Nacional para a Área Sul, Professor de Arte na Rede pública, autor de livros didáticos

Adrielly Alves da Sila – Secretária Nacional para a Área Norte, Engenheira de Pesca

Jéssica Maria de Lima Rocha – Secretária Nacional para a Área Nordeste A, Advogada

Fernanda Bastos Alves – Secretária Fraterna Regional Centro,  Psicóloga

Nayla Faria Cardoso de Sá – Secretária Fraterna Regional São Paulo, Atriz e professora de Arte

Glenylson Ferreira Ribeiro - Secretário Fraterno Regional Maranhão, administrador

Mayra Caroliny de Oliveira Santos –  Secretária Fraterna Regional Ceará/Piauí, Bióloga, Mestranda em Zoologia)

Katherine Bianchini Esper - Secretária Fraterna Regional Rio Grande do Sul, graduanda em Engenharia Elétrica

Cícero Feitoza- Secretário Fraterno Regional Pernambuco/Alagoas, Cirurgião-Dentista

Cazuza Souza – Secretário Fraterno Regional Bahia Norte, Educador e Comunicador Popular

Ana Maria Kozlik – Secretária Regional Paraná

Felipe Viveiros da Rocha – Representante do Regional de Santa Catarina, Tecnologista Mecatrônico e Graduando em Design

Sabrina Oliveira – Secretária Regional Minas Gerais, Bacharel em Direito

Cleicilene Ferrerira Rodrigues – Secretária Fraterna Regional Pará Leste/Amapá

Patrick Martins – Secretário Fraterno Regional Bahia Sul, Graduando em Direito

Alex Ferdele do Nascimento – Secretário Regional Sergipe, Historiador e

Articulador do Movimento Nacional de Direitos Humanos em Sergipe

Daniele Dias Meireles - Secretária Regional Paraíba/Rio Grande do Norte, Enfermeira

Joyce Cristina dos Santos Araújo – Secretária Fraterna Regional Rio de Janeiro/Espírito Santo, Formada em fotografia Jornalística
  “Francisco foi uma luz que brilhou sobre o mundo.” (Dante Alighieri)

Celebramos hoje o Dia de São Francisco de Assis, o irmão de todos/as, modelo referencial para o humano, o ser autêntico, simples e pobre. Ele foi um homem de seu tempo, apresentou o seu projeto sempre atual: viver e acreditar no Evangelho, comprometer-se com sua proposta e força transformadora. “Viver segundo a forma do Santo Evangelho.” (Testamento 4). Com suas bênçãos, publicamos nesse dia a 15ª edição do nosso Caderno (BAIXE AQUI!). Destacamos e dedicamos essa edição à Secretaria de IMMF e para todos/as que contribuíram na construção desse importante serviço da Juventude Franciscana. 2018 é o ano da IMMF com suas cores e cata-ventos, unidas/os conseguimos realizar as tão sonhadas Escolas de Formação. Viajamos por esse imenso Brasil para conhecer, escutar, construir e, assim, ampliar nosso olhar para as diversas dimensões que esse serviço compreende. Foram seis Escolas, uma em cada área, e cada uma contou com a colaboração de muitas pessoas que, na grandeza do Servir, não mediram esforços para acontecer. Acabamos por aí? Não, ainda falta o Seminário Nacional, que irá unir todos os olhares e contribuições buscando um trabalho mais efetivo, harmônico e integrado, com elementos que irão convergir para um maior aperfeiçoamento da nossa IMMF. Os seis ventos do Brasil irão se unir em uma única ventania. Uma parte do caminho já está trilhado, ainda temos outra para construir e seguir com o mesmo Amor que chegamos até aqui.
“Queria (Francisco de Assis) que os maiores se unissem aos menores, que os sábios se ligassem aos simples por um amor fraterno e que os afastados se sentissem ligados por um amor de união.” (Celano, Vida II, n.191)
            O Caderno de Formação Nacional (LEIA ONLINE) chega à sua 15ª Edição com algumas novidades! Assim tentaremos abraçar uma parte das propostas que chegaram até a nossa equipe através do Questionário disponibilizado para nossos/as formadores/as ainda no primeiro semestre. Na Igreja vivemos grandes momentos. O Sínodo da Juventude, onde nosso Francisco de Roma convoca uma Assembleia para ver e conhecer as diversas realidades no mundo juvenil. Com o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, trabalhado no PROVOCAE 2017,   o Sínodo já está acontecendo no Vaticano com presença de bispos e jovens de diversos países juntamente com o Papa. Enquanto isso, no Brasil, estamos vivendo o Ano Nacional do Laicato, onde somos desafiados/as a sermos uma Igreja com mais pé no chão, em saída, próxima a tudo o que o Papa Francisco nos convoca. É o ano da Graça para todos nós, leigas e leigos! Somos sujeitos eclesiais, protagonistas, somos discípulas/os e missionárias/os vivendo nossa vocação na Igreja e no mundo.
 Celebramos também 50 anos de Medellín, marco referencial para a Igreja na América Latina. É a Conferência que tem como marca principal a opção preferencial pelos pobres,  com suas preciosas contribuições na Evangelização, com seu olhar para tentar integrar as Orientações do Concílio Vaticano II e a adoção do método VER-JULGAR-AGIR.
Essas temáticas você encontrará ao longo desse Caderno. A entrevista nessa edição é sobre Juventudes e Saúde Mental, com o nosso irmão Frei Rubens, OFMcap, abordando de forma clara sobre esse assunto tão presente na nossa sociedade e nas nossas diversas realidades. O encarte também apresenta essa mesma temática para nossas crianças e adolescentes. Teremos mais temas atuais ao longo dessas riquíssimas páginas, tais como: O Jovem Secular sob a ótica da violência de gênero e sexualidade; Espiritualidade e Secularidade Franciscana;  Fé e Política;  Franciscanos e a  Não-Violência: Desconstruindo a Cultura de ódio nas redes sociais e a Contribuição da Ética Franciscana para a Evangelização. Contamos com as partilhas sobre o serviço de Finanças, relatos sobre o III Encontro Nacional Franciscano de Juventudes e sobre a nova experiência de um irmão jufrista que agora segue sua vocação na Primeira Ordem, além da reflexão sobre “Qual a saída da crise?”. Textos e reflexões que irão enriquecer ainda mais nossas formações e  rodas de conversa.  Não deixe de conferir o mais novo espaço do Caderno que apresenta as Experiências significativas das nossas Fraternidades Locais espalhadas pelo Brasil, nossos/as irmãos e irmãs fazendo a diferença em diversos aspectos nas suas realidades. E não paramos por aqui! Ainda temos um presente para todos vocês: o mais novo Rito para nossas fraternidades acolherem os/as iniciantes, trata-se da Celebração de Acolhida na JUFRA para a Etapa de Formação Inicial (EFI).  Agora os/as jufristas devem passar por uma Celebração simples ao serem acolhidos na fraternidade local.
No Dia de Francisco de Assis, elevamos nossas preces e orações ao nosso Francisco de Roma. Ele, que assumiu de forma tão terna o nome e modo do nosso Pai, fiel ao Evangelho, sempre com seus gestos emocionantes, apresenta-nos a revolução da ternura convocando-nos para uma Igreja Profética, precisa do nosso apoio em todos os momentos da sua missão no seu Pontificado. #FranciscoEstamosAqui #AJUFRAEstáAqui
Agradeço a cada irmã e cada irmão, todos/as os envolvidos/as, que contribuíram na construção de mais um Caderno, nosso importante instrumento de formação. Conscientes da vivência, da essência e dos valores do Evangelho, seguimos firmes no nosso Ideal de Vida, inspirados e iluminados pelos dois Jovens de Assis – Francisco e Clara. Que nestes dias que seguem, dias de decisões no nosso país, possamos encontrar e levar o Cristo na sua plenitude, o Cristo que ensina o Amor, o Cristo das Bem-aventuranças, o Cristo que Francisco levava no coração, nos lábios, nos ouvidos, nos olhos e nas mãos (1Cel, 115), e, assim, possamos ser de fato instrumentos da PAZ E DO BEM. Que Maria, a Mãe Aparecida, nos abençoe e continue a resplandecer nas nossas vidas e na história do seu povo o desejo de construir juntos uma sociedade igualitária, justa e fraterna.
QUEREMOS SER testemunhas concretas no ambiente onde estivermos inseridos, com tudo aquilo que a nossa espiritualidade implica: alegria, serviço, compromisso e fraternidade. Enquanto Juventude Franciscana, comprometemo-nos em oferecer uma forma de vivência cristã para os outros jovens, tendo como opção preferencial evangélica aqueles marginalizados e excluídos. (CARTA DE GUARATINGUETÁ: “A JUFRA QUE QUEREMOS SER!” )

Juliana Caroline Gonçalves Almeida
Secretária Nacional de Formação (2016-2019)
“Vamos começar a servir a Deus, meus irmãos/ãs, porque até agora fizemos pouco ou nada” (1Cel 103, 3)




“Entre as famílias espirituais, suscitadas pelo Espírito Santo na Igreja, a Família Franciscana reúne todos aqueles membros do Povo de Deus, leigos, religiosos e sacerdotes, que se sentem chamados ao seguimento do Cristo, à maneira de São Francisco de Assis” (Regra da OFS, Capítulo I,1)

A palavra LEIGO foi criada pela concepção eclesiástica para diferenciar de CLÉRIGO. No mundo medieval, clericus era aquele que tinha o privilégio de ser letrado e ter algum acesso ao conhecimento. O leigo era o que ficava fora do conhecimento dado aos nobres, monges e sacerdotes.

A força do Franciscanismo surgente resgata a compreensão de leigo integrando-o no acesso ao saber e à pregação, sobretudo no encontro com o Evangelho. Para o franciscanismo, o que é Evangelizar? Evangelizar é tornar nova a humanidade. E ao beber na força do espírito comum inspirada pelo Evangelho; o franciscanismo usou e usa mais a palavra IRMÃO E IRMÃ.

O laicato franciscano instaura a Irmandade Fraterna e a Fraternidade de Irmãos e Irmãos. Fraternidade é estar junto dos que amam de um modo forte e igual. É a comunidade dos que amam o belo e bom, o justo, a paz e o bem. O que caracteriza este laicato irmanado?

O franciscanismo é gerado da mente, do coração e das práticas de um RESTAURADORque deseja dar uma contribuição original na reconstrução da humanidade, da sociedade, da Igreja e do mundo. O laicato para nós é o estar no mundo como protagonistas do Reino de Deus. É uma escolha para transformar e escolher sempre o melhor para instaurar a vontade de Jesus: “Venha o teu Reino!” (Mt 6,10) para fazer valer a convocação do Evangelho: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas (os bens necessários para a vida) serão dados em acréscimo”. (Mt 6,33 e Lc 11,14).

Isto determina um novo modo de ser e de estar na vida, isto é, estar no reino da Graça. É na história humana que se edifica o Reino, que desde os tempos bíblicos concretiza anseios de abundância e plenitude, de saúde física e espiritual, de prosperidade, de paz e alegria, de convivência harmoniosa na fraternidade em oposição ao mal, ao medo e a fatalidade (Is 35, 5-6). Jesus cumpre os projetos do Reino: “Ide contar a João o que ouvis e vedes: os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. E bem-aventurado aquele que não se escandalizar por causa de mim” (Mt 11,2-6). ‘Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Francisco de Assis, ao abraçar o Evangelho, abraça para todas as três Ordens o projeto de Jesus. Irmão e Irmãos não são coadjuvantes ou espectadores, mas protagonistas do Reino.

“Vós sois o sal da terra. Ora se o sal perde o seu sabor, com que salgaremos? Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre o monte” (Mt 5,13 a 16 e Lc 14,34). Quem são os Irmãos e Irmãs na Sabedoria e na Luz?  São anunciadores do Evangelho cuja Palavra os habita e atravessa seu ser e explode em suas práticas. São os concretizadores do Reino de Deus no mundo.

Ser sal e luz é ter um modo de interferir para que o mundo, a história, a eclesiologia e a sociedade melhorem.

É sermos arautos das Bem Aventuranças: olhar para frente e caminhar, colocar a mão no arado, sair da estagnação, ir de cabeça erguida, construir nova humanidade resgatada de tanta miséria, e uma vontade atuante de mudar e criar uma Fraternidade saudável.

Ser sal é ser sabor, mistura, tempero, gosto, conservar não para ficar no mesmo, mas conservar para purificar e não deixar apodrecer. É dar um gosto novo a vida total da humanidade. Gosto de amor, gosto de Deus, gosto de convivência. O sal não se esconde no cantinho da travessa, mas se mistura, é quase que insubstituível. Ser sal é ser fonte de sabor e significado.

Ser luz é não se esconder, não diminuir o brilho do pessoal e do comum. Luz que não brilha não cumpre a tarefa pela qual existe. É ser cada dia aquele que volta às fontes iniciáticas do batismo. Batizado quer dizer iluminado. Chama acesa no Círio Pascal, das mãos apadrinhadas para ser passada de mão em mão. O Evangelho diz que não se esconde a cidade que brilha sobre o monte. É fazer brilhar a civilização dos cidadãos do Reino. Se falta luz no centro, brilhe lá, se falta luz no bairro, brilhe lá. Não deixe que o poder, a mídia e o mercado decida quem deve brilhar ou ficar apagado. A metáfora da luz é forte no AT e no NT. “Põe-te em pé, resplandece, porque a tua luz é chegada, a glória de Deus raia sobre ti. As nações caminharão sobre ti” (Is 60,1-3). Ser sal e luz é brilhar no gosto das boas obras.


Ser sal e luz onde está a família, a rua, a cidade, o trabalho, a ação cultural, a comunicação, os movimentos coletivos, a defesa das pessoas. Defender a pessoa é defender a humanidade. Francisco de Assis foi um homem leigo que viveu de pessoa em pessoa para atingir toda a humanidade com seu jeito fraterno. (Cf pg 124-125 do Documento da CNBB, ( “Sujeitos Eclesiais – sal da terra e luz do mundo”).

Não podemos viver das glórias de uma obra que nossos Irmãos e Irmãs construíram no passado. Somos a animação cristã e franciscana da sociedade civil. “O que naquele tempo de despertar religioso deu ao movimento de Francisco particular força reformadora, é o seu caráter leigo. Francisco e seus irmãos podiam ter sido atraídos para dentro da cerca clerical; o povo, porém, não tomou conhecimento disso. O que o povo via, eram pregadores paupérrimos, cuja palavra pouco tinha que ver com a elegante teologia jurídica da época” (Cf Van Doornik, pg 141).

Somos um pacífico mundo fraterno de pessoas que vivem e espalham uma convicção e uma vitalidade espiritual. Não sabemos ser sozinhos, mas em Fraternidade, o centro espiritual e social da vida franciscana e cristã.

Da fonte de Amor que jorrava do coração de Francisco de Assis e de todos os que estavam com ele, fez o Amor ser concreto. Do coração ao leproso, do leproso aos mendicantes, dos mendicantes aos primeiros seguidores e seguidoras, dos primeiros companheiros ao Papa, ao Sultão, aos ladrões (Fior 26), a Jacoba, a Clara.  Francisco foi sal e luz e deixou isto brilhando em seus olhos reveladores de uma íntima vida pessoal e coletiva com Deus e seus sonhos.

“Presta atenção, ó homem, à grande excelência em que te colocou o Senhor Deus, porque te criou e te formou à imagem do seu dileto Filho segundo o corpo e à sua semelhança segundo o espírito” (Adm 5).

Francisco de Assis não criou obra assistencial para leprosos, mas deu abraço no leproso.

Francisco de Assis nunca deu esmola sem dar-se a si mesmo junto com a esmola.

Francisco de Assis não vê uma obra boa a ser cumprida, mas uma criatura a ser percebida e ajudada.

Francisco de Assis não foi alguém preso a dor, mas sofreu os sofrimentos de Jesus Cristo e de todos os que sofrem.

Francisco de Assis não amou uma humanidade abstrata, mas pessoa concreta do pobre.

“E assim, a excessiva afeição da caridade o elevava às realidades divinas de modo que a afetuosa benignidade dele se estendia aos companheiros da natureza da graça. Pois que a piedade do coração o tornara irmão das outras criaturas, não se deve admirar se a caridade de Cristo o tornava mais irmão dos que estão marcados com a imagem do Criador e remidos pelo sangue do Autor. Não se julgava amigo de Cristo se não cuidasse das almas que ele remiu. Dizia que nada deve ser colocado à gente da salvação das almas” (LM IX,4).

Por causa dele não somos uma ONG, mas uma ORDEM. Ser Frades, Clarissas e Seculares, e não esquecer que a OFS é o maior movimento leigo do mundo. E estas Ordens em três grandes famílias carregam a missão de misturar-se no mundo e acender no mundo o amor humanizado de Deus. Somos uma força de sal e luz, e a nossa ação nos tempos atuais deve ser incisiva e em perfeita coerência com a Regra que abraçamos e com a visão franciscana da vida. Devemos recuperar com muita força o conteúdo e a dinâmica orientativa do preceito do Amor e o apelo de cada página do Evangelho.

Temos que recuperar qualquer barreira que divide (Cf Lm VIII). Em mundo de crises mostrar a nossa presença de discernimento e de lucidez crítica.

“O zelo pela salvação do irmão, o qual precedia da fornalha da caridade como espada afiada e flamejante, traspassava o íntimo de Francisco. Chorava com tanta ternura de comiseração, cada dia, como uma mãe, e as dava à luz. Daí, o empenho que tinha na oração, a corrida à pregação, o excesso em dar exemplo, pelo fato de que não se julgava amigo de Cristo, se não cuidasse das almas que ele remiu” (Lm VIII).

Para crise política: estar do lado da democracia inspirada em valores cristãos e estar nos espaços autênticos de participação. Nunca dizer sim a regimes de coerção de forças golpistas e ditatoriais, isto vai contra nossos princípios franciscanos e cristãos.

Para a crise econômica: mostrar a contradição que existe em concentrar poder econômico a poucos. A Pobreza abre o ter para todos.

Para a crise social: mostrar o que aprendemos em nossa Formação.

Para a crise cultural: mostrar os valores que acreditamos e que tem herança de oito séculos sem deixar de ser atual. Somos Ordens antigas com mentalidade sempre nova.

Para a crise religiosa mostrar que temos uma Espiritualidade original e forte.

Para a crise jurídica: mostrar o Evangelho.

E para todos os momentos viver esta proposta:
“Tinha grande desejo de que tanto ele como os seus irmãos transbordassem em tais obras pelas quais Deus fosse louvado e dizia-lhes: “Assim como proclamais a paz com a boca, assim também a tenhais nos vossos corações. Ninguém por meio de vós seja provocado à ira ou ao escândalo, mas todos sejam provocados pela vossa mansidão à paz, à benignidade e à concórdia. Pois para isso fomos chamados, para cuidar dos feridos, enfaixar os que têm fratura e chamar de volta os que erram" (3Comp 14,58).


FREI VITÓRIO MAZZUCO FILHO

Fonte: https://carismafranciscano.blogspot.com/2018/09/ser-irmaos-e-irmas-na-sabedoria-e-na-luz.html
“Desaparecendo, pois, o anjo, deixou no coração de São Francisco um ardor excessivo e flama do de amor divino, e em sua carne uma imagem maravilhosa e os vestígios da Paixão de Cristo”. (CCE 3,53)

É chegada a época de fazermos memória sobre um evento marcante para o franciscanismo: a estigamatização do Pai Seráfico. Este é um marco não apenas para a biografia de São Francisco, mas que revolucionou o próprio cristinanismo. De sua época e atualmente.
Revisitando as fontes para a escrita dessa breve reflexão, percebi o quão inquientante ainda são esses estigmas não apenas para aqueles e aquelas que fizeram sua opção pessoal pelo seguimento de Cristo pelos passos de Francisco, mas para toda Igreja Cristã, ouso dizer, Igrejas, não limitando somente a Apostólica Romana, mas todas aquelas que professam a fé no Cristo Pobre e Libertador, que tinha lado, que tinha opção e que morreu e teve seu corpo marcado pela tortura por ousar se levantar contra os poderosos de sua época.
O Cristo de Francisco, o Cristo que tanto nosso Pai se esforçou por imitar e não por vaidade ou masoquismo pedia para sentir as dores e as chagas de sua Crucifixão, mas por profundo Amor e empatia. Francisco entendeu que a morte de Jesus não foi em vão e não somente para a Salvação pessoal de cada um/a que o professa.
As chagas representam, e Francisco entendeu muito bem isso à sua época, um compromisso de Jesus para a humanidade de Liberdade. Esta requer obrigação de todos os cristãos e cristãs. Ninguém será plenamente livre enquanto houverem escravos/escravas. A minha liberdade perpassa pela plena liberdade do outro/outra, mas para essa Liberdade ser conquistada muitas chagas ainda serão experimentadas. Francisco deu-se conta disso e ao invés de fugir ou esconder-se, teve a plena coragem de correr ao encontro do Amado e pedir a Graça de, mesmo indigno e pequeno, imitar Cristo nesse profundo amor ao outro e à outra.
Com isso, Nosso Pai quer nos mostrar o verdadeiro sentido do sofrimento de Cristo na Cruz. Não a reduzamos à pieguices, não deixemos que nossa pequenez turve nosso olhar para algo que é grandioso e profundo. Tão intenso que Francisco entra em êxtase ao fazer essa experiência, mas não o transe inconsciente que atualmente estão cegando muitos/as fiéis, mas a plena convicção do que representa o seguimento do Evangelho: “Uma espiritualidade de ação e de engajamento social na construção positiva dos valores da Terra dos Homens, sob o anúncio profético e revolucionário de um humanismo cristão, na dinâmica do Advento de um Novo Céu e de uma Nova Terra na clareira do Evangelho.” (Fontes Franciscanas, p.822)[1]
Dessa maneira, é impossível desvincular as Chagas corporais dos estigmas espirituais, Francisco apenas as sentiu em sua carne depois de deixar-se ferir  primeiramente em sua alma. Ao fazer-se sensível ao sofrimento do próximo/a, Francisco se aproxima dos estigmas de Jesus que carregava consigo todas as dores do povo injustiçado e sofrido do seu tempo.
Enquanto escrevo, é impossivel não lembrar das chagas que hoje insistimos em marcar o Corpo de Cristo: o extermínio dos indígenas, o encarceramento e extermínio da juventude negra e periférica, os diversos tipos de feminícidio, os assassinatos por LGBTFobias, a perseguição e preconceitos religiosos, a perda de direitos sociais e individuais, a corrupção, dentre outros. Continuamos chagando o Corpo Daquele que dizemos amar.
Francisco, com seu exemplo, nos pede para abraçarmos esses/as que sofrem com essas chagas e, por Amor, fazê-las nossas também, a fim de juntas e juntos poder fazer, verdadeiramente, a experiência de Jesus. Para isso, precisamos viver uma fé madura e consciente como ele. Não nos esqueçamos que a experiência da Cruz não se encerra na morte, mas na ressurreição. Ainda há esperanças!
Que Francisco possa sempre nos trazer novamente Cristo, em sua dor e em seu Amor! Amém, Axé, Awere, Aleluia!


Hannah Jook Otaviano
Secretária de Formação Jufra Regional NEA2/ CEPI