Blog de Formação



Quinta Meditação – 31.05.2020

Ideal Franciscano de Vida

 

 

CONSTRÓI DEVAGAR O TEU SEGREDO

 

1. LEITURAS INICIAIS

Iluminação bíblica: Jo 8,1-11

Naquele tempo, 1Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles, 4disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” 6Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio do povo. 10Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles?” Ninguém te condenou?” 11Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.

 

Iluminação franciscana: Test 1-3

1. Foi assim que o Senhor me concedeu a mim, Frei Francisco, iniciar uma vida de penitência: como estivesse em pecado, parecia-me deveras insuportável olhar para leprosos. 2 E o Senhor mesmo me conduziu entre eles e eu tive misericórdia com eles. 3 E enquanto me retirava deles, justamente o que antes me parecia amargo se me converteu em doçura da alma e do corpo. E depois disto demorei só bem pouco e abandonei o mundo.

 

2. REFLEXÃO FORMATIVA

Talvez seja um dos pontos mais complexos de se compreender. Mas vamos tentar refleti-lo. Primeiro é necessário entender que ele fala diretamente sobre tempo, sobre pressa e sobre calma. O ditado diz que “o tempo resolve tudo.” Jesus experimentou isso com a mulher adúltera. Na gritaria da acusação, Jesus se abaixa, e aguarda o momento certo de falar. Não iria competir com o grito com os acusadores, mas depois que os ânimos estavam mais amenos, ensina a não condenar, sem antes considerar os próprios pecados. 

Jesus sabia que era necessário esperar o tempo certo para que a mulher pudesse ser salva e a misericórdia pudesse ser anunciada. Jesus nos ensina a guardar o ímpeto e acalmar o coração. Francisco passou por isso. É pelo ímpeto de uma força maior que Francisco desce do cavalo e beija o leproso. Mas em seu testamento vai afirmar que foi o tempo que o transformou “E enquanto me retirava deles, justamente o que antes me parecia amargo se me converteu em doçura da alma e do corpo.” (Test 3). O tempo é parte fundamental do processo de conversão. Existe tempo de conhecer, de gostar, de servir, de superar os desafios e de se converter mais e mais. A Sagrada Escritura diz que “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus.” (Ecl 3,1) “tempo de calar, tempo de falar” (3,7).

Construir devagar o próprio segredo é o exercício de ter tempo para ouvir o que o coração fala e o que Deus fala ao coração. A vocação é cultivada no falar, no calar, no ouvir, no agir e também no não agir. É preciso identificar cada um desses momentos. Existe tempo para todos eles, e então experimentá-los, saboreá-los.

 

Pausa (silêncio, respiração assistida, mantra/música)

Sugestões: O Tesouro - https://www.youtube.com/watch?v=yDZMgoucihY

Onde Andará Deus - https://www.youtube.com/watch?v=KUxqYj9AiXg

 

3. MEDITAÇÃO PESSOAL

- O caminho da contemplação se deve à familiaridade com o silêncio. Na oração silenciosa eu consigo perceber que o centro de todas as coisas é Deus e não eu mesmo?

- Eu consigo conversar com Deus em silêncio? Deus sabe o que está no meu interior?

- Agora, momento em que está claro que nada controlamos, que existem coisas maiores que nós, e o que temos que fazer é esperar e confiar, conseguimos fazer esse movimento?

Façamos o exercício de calar a nossa mente para ouvir nosso coração, dar tempo para que ele fale, permitir a comunicação dele com Deus.

Saibamos respeitar o nosso tempo, para que o nosso processo e serviço seja leve, para que em momentos de crise consigamos manter a mente, o coração e o espírito em sintonia.

Façamos como Francisco, sejamos dispostos e abertos para perceber a ressonância interior de tudo aquilo que experimentamos, saibamos nos familiarizar com o silêncio e a interioridade, sem buscar um propósito, deixando cada coisa e cada criatura ser como ela é, pela perspectiva do Criador.

Que a partir deste último momento de meditação proposto neste roteiro, comecemos a introduzir o silêncio e a reflexão nas nossas práticas e orações cotidianas, aumentando e aperfeiçoando nossa fé.

 

Oração final pessoal

(Finalize a meditação com uma conversa pessoal com Deus, utilizando de suas próprias palavras ou com as orações que preferir)




Quarta Meditação – 24.05.2020

Ideal Franciscano de Vida

 

FAZER BEM FEITO TUDO QUE FOR FEITO

 

1. LEITURAS INICIAIS

Iluminação bíblica: Mc 2,1-12

Alguns dias depois, Jesus entrou de novo em Cafarnaum. Logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa. E reuniram-se ali tantas pessoas, que já não havia lugar, nem mesmo diante da porta. E Jesus anunciava-lhes a Palavra. Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. Mas não conseguindo chegar até Jesus, por causa da multidão, abriram então o teto, bem em cima do lugar onde ele se encontrava. Por essa abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. Quando viu a fé daqueles homens, Jesus disse ao paralítico: 'Filho, os teus pecados estão perdoados'. Ora, alguns mestres da Lei, que estavam ali sentados, refletiam em seus corações: 'Como este homem pode falar assim? Ele está blasfemando: ninguém pode perdoar pecados, a não ser Deus'. Jesus percebeu logo o que eles estavam pensando no seu íntimo, e disse: 'Por que pensais assim em vossos corações? O que é mais fácil: dizer ao paralítico: 'Os teus pecados estão perdoados', ou dizer: 'Levanta-te, pega a tua cama e anda'? Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder de perdoar pecados, - disse ele ao paralítico: - eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama, e vai para tua casa!' O paralítico então se levantou e, carregando a sua cama, saiu diante de todos. E ficaram todos admirados e louvavam a Deus, dizendo: 'Nunca vimos uma coisa assim'.

 

Iluminação franciscana: Espelho da Perfeição 85

Primeiramente, como lhes descreveu o frade per­feito.

1 De certo modo transformado nos santos frades pelo ardor do amor e pelo fervor do zelo que tinha pela perfeição deles, o muito bem-aventurado pai refletia muitas vezes dentro de si sobre as qualidades e virtudes de que devia ser ornado um bom frade menor.

2 E dizia que seria bom frade menor aquele que tivesse a vida e as qualidades destes santos frades: 3 isto é: a fé de Frei Bernardo, que a teve de forma perfeita com o amor à pobreza; 4 a simplicidade e a pureza de Frei Leão, que foi realmente de uma pureza santíssima; 5 a cor­tesia de Frei Ângelo, que foi o primeiro cavaleiro que veio para a ordem e que era ornado de toda a cortesia e bondade; 6 o as­pecto gracioso e o senso natural com a fala bonita e de­vota de Frei Masseu; 7 a mente elevada em contemplação que Frei Egídio teve até a máxima perfeição; 8 a virtuosa e constante ora­ção de Frei Rufino, que rezava sempre, sem interrupção: mesmo dormindo ou fazendo alguma coisa tinha sempre seu espírito com o Senhor; 9 a paciência de Frei Junípero, que atingiu um esta­do perfeito de paciência, por causa da perfeita verdade da pró­pria vileza, que tinha continuamente diante dos olhos, e um ar­dente desejo de imitar a Cristo no caminho da cruz; 10 o vigor cor­poral e espiritual de Frei João das Laudes, que, naquele tempo, ultra­passou todos os homens em força física; 11 a caridade de Frei Ro­gério, cuja vida inteira e comportamento estavam no fervor da caridade; 12 e a solicitude de Frei Lúcido, que teve grandíssima solicitude e não queria morar quase um mês no mesmo lugar, 13 mas quando lhe agradava ficar num lugar, imediatamente se afastava e dizia: “Não temos morada aqui (cf. Hb 13,14), mas no céu”.

 

2. REFLEXÃO FORMATIVA

É interessante este trecho do evangelho que fala da cura de um paralítico. Há algumas pessoas que tiveram que se esforçar para que o milagre acontecesse. Os homens que carregavam o paralítico na maca, - sabe-se lá de qual distância, e quando veem que não conseguiriam entrar pela porta, teriam a chance de desistir, mas ao contrário disso, colocam o homem pelo telhado na frente de Jesus. O que parecia um empecilho, não os parou. A sequência do evangelho intriga mais ainda. A primeira coisa que Jesus faz é perdoar os pecados do paralítico e depois enfim, fazer com que ele volte a andar.

Todos ali desejavam milagres e sinais, este homem desejava voltar a andar. Jesus oferece muito mais que cura física, mas também a cura da alma. Estar de pé, não é só uma posição corporal e Jesus sabe disso. Entra um homem carregado e com seus pecados, sai perdoado e caminhando. Jesus opera com perfeição o ministério que veio instaurar. E nós embora feitos “à imagem e semelhança de Deus” (Gen 1,26), somos imperfeitos, na busca pela perfeição, que não cabe num único homem ou mulher, mas na comunhão de muitos.

Francisco nos ensina que o frade perfeito é a fraternidade, em que cada um oferece o que tem de melhor, com boa vontade e assim se constrói a Igreja de Cristo. Cada um de nós, fazendo nossa parte, construímos o rosto do frade perfeito. A perfeição diante de nossa fragilidade, exige a união dos esforços coletivos. Francisco deixa isso ainda mais claro quando diz no seu testamento: “E depois que o Senhor me deu Irmãos ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu devia Viver segundo a forma do santo Evangelho.” (14) A compreensão perfeita dos planos de Deus para sua vida se concretiza conforme a experiência fraterna acontece.

 

Pausa (silêncio, respiração assistida, mantra/música)

Sugestão: Oração pela Paz - https://www.youtube.com/watch?v=KXoqdRdBZbs

Confiemo-nos ao Senhor - https://www.youtube.com/watch?v=_wquUURLdWo

 

3. MEDITAÇÃO PESSOAL

- Estamos cientes das nossas imperfeições, mantemos a humildade ao reconhecer que somos falhos e imperfeitos?

- Estamos acreditando na fraternidade como a possibilidade de representar o frade perfeito, com a soma dos dons dos irmãos?

- Pedimos a Deus para que cure nossas feridas, para que nos mostre o caminho para solucionar os problemas e nossas angústias pessoais?

- Admitimos e reconhecemos que Jesus pode nos ajudar, seja qual for a nossa necessidade, e pode nos perdoar, seja qual for o nosso erro?

- Em tempos de muita necessidade de Deus, confiamos em Seu poder para ajudar na cura das doenças, no reestabelecimento social, na justiça e na paz?

- Agora, tempo em que temos dificuldades de nos encontrar, de estar perto, estamos fazendo bem feito o que é relacionado às nossas fraternidades, com os meios que temos?

Por fim, para finalizar essa reflexão, o Frei Sidney Damasio Machado, OFMCap, relacionou a dança como a imagem da vida cristã em fraternidade propondo 10 regras: nunca é tarde para aprender a dançar; quanto mais sairmos de nós e prestarmos atenção no ritmo da criação, mais leve será a dança; não impor o nosso ritmo, entrar no ritmo do Eterno Maestro; devemos aprender todos os ritmos de dança, afinal o ritmo esta sempre mudando; alegrarmos e aprendermos a dançar com aqueles que sabem mais; ensinar alguém com caridade é fazer a dança ficar mais bonita; Elogiar sempre em público, mas fazer correções fraternas em privado; na dança, não há adversários apenas companheiros da festa da vida; otimismo é fundamental; e, por fim, de alguém pisou no nosso pé, tenhamos paciência, ele está aprendendo a dançar, ou então devemos nos mover pois estamos parado no meio do salão (Ver para crer, Capítulo 09).

Vamos nos imaginar parte de um grande número de dança, a cada passo de dança um aprendizado, deixemos que cada nota musical se transforme em um estímulo em nossas vidas e que o Pai escolha a música que nos faça dançar.

Aprendamos a confiar no irmão, a conduzir e nos deixar ser conduzidos. Permita-se ser guiado e confiar.

Entender e aceitar que quem conduz a nossa vida não somos nós mesmos, entenda que para o show ser perfeito precisamos nos entregar.

 

Oração final pessoal

(Finalize a meditação com uma conversa pessoal com Deus, utilizando de suas próprias palavras ou com as orações que preferir)


Terceira Meditação – 17.05.2020

Ideal Franciscano de Vida

 

 

FAZER POUCAS COISAS

 

1. LEITURAS INICIAIS

Iluminação bíblica: Lucas 10, 38-42

Jesus entrou num povoado, e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. Ela tinha uma irmã, Maria, a qual se sentou aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com os muitos afazeres da casa. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda pois que ela venha me ajudar!” O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

 

Iluminação franciscana: Fioretti XXI

Do santíssimo milagre que São Francisco fez quando converteu o ferocíssimo lobo de Gúbio. 

No tempo em que São Francisco morava na cidade de Gúbio, no condado de Gúbio, apareceu um lobo muito grande, terrível e feroz, que não somente devorava os animais, mas também os homens; tanto que todos os cidadãos viviam um grande medo, pois diversas vezes ele se aproximava da cidade. E todos andavam armados quando saíam da cidade, como se fossem combater. E mesmo assim não podiam defender-se do lobo se se encontrassem sozinhos com ele. E por medo desse lobo, chegaram a uma situação em que ninguém ousava sair fora da terra. 

Por esse motivo, tendo São Francisco compaixão das pessoas da terra, quis sair para encontrar o lobo, ainda que os cidadãos em conjunto não o aconselhassem. Mas, fazendo o sinal da Santíssima cruz, saiu fora da terra, ele com os seus companheiros, pondo toda a confiança em Deus. E como os outros ficassem na dúvida se deviam ir mais adiante, São Francisco tomou o caminho para o lugar onde o lobo ficava. E eis que, diante de muitos cidadãos que tinham vindo para ver esse milagre, o dito lobo foi ao encontro de São Francisco, de boca aberta. Aproximando-se dele, São Francisco lhe fez o sinal da santíssima cruz, chamou-o a si e disse assim: “Vem aqui, frei lobo, eu te mando da parte de Cristo que não faças mal nem a mim nem a ninguém”. Coisa admirável de dizer! Logo que São Francisco fez a cruz, o lobo terrível fechou a boca e parou de correr; e, dada a ordem, veio mansamente como um cordeiro, e lançou-se aos pés de São Francisco, deitado. E São Francisco assim lhe falou: “Frei lobo, tu fazes muito danos por aqui, e fizeste grandes malefícios, estragando e matando as criaturas de Deus sem a sua licença. E não somente mataste e devorastes animais, mas tiveste a ousadia de matar pessoas, feitas à imagem de Deus. Por isso tu mereces a forca, como ladrão e péssimo homicida. E todo mundo grita e murmura contra ti, e toda esta terra ficou tua inimiga. Mas eu quero, frei lobo, fazer a paz entre tu e eles, de modo que tu não os ofendas mais e eles te perdoem todas as ofensas passadas, e nem os homens nem os cães continuem a te perseguir”. 

Ditas essas palavras, o lobo, com gestos do corpo, da cauda e das orelhas, e inclinando a cabeça, mostrava que aceitava o que São Francisco dissera e queria observa-lo. Então São Francisco disse: “Frei lobo, porque te agrada fazer e manter esta paz, eu te prometo que te farei com que as pessoas desta terra te dêem continuamente a comida enquanto viveres, de modo que não sofrerás fome. Pois eu sei que foi pela fome que fizeste todo o mal. Mas como eu te concedo esta graça eu quero, frei lobo, que tu me prometas que tu não prejudicarás jamais a nenhuma pessoa humana nem a algum animal: tu me prometes isso?” E o lobo, inclinando a cabeça, fazia um sinal evidente de que estava prometendo. E São Francisco disse: Frei lobo, quero que me dês prova dessa promessa, para eu poder bem confiar”. E como São Francisco estendeu a mão para receber seu juramento, o lobo levantou a pata direita e a colocou mansamente sobre a mão de São Francisco, dando-lhe o sinal que podia. 

Então São Francisco disse: “Frei lobo, eu te mando em nome de Jesus Cristo que tu venhas agora comigo, sem duvidar nem um pouco. Vamos confirmar esta paz, em nome de Deus”. E o lobo, obediente, foi com ele como se fosse um carneirinho manso. Vendo isso, os cidadãos ficaram muito admirados. E a novidade ficou logo conhecida por toda a cidade. Por isso todas as pessoas, homens e mulheres, grandes e pequenos, jovens e velhos, foram para a praça ver o lobo com São Francisco. E estando o povo aí, em reunido, São Francisco levantou-se e pegou para eles, dizendo, entre outras coisas, como pelos pecados Deus promete coisas desse tipo e pestilências, e mais perigosa é a chama do inferno, que vai durar eternamente para os condenados, do que a raiva do lobo, que não pode matar senão o corpo: “Então, como devemos temer a boca do inferno, quando tamanha multidão tem medo e tremor diante da boca de um pequeno animal. Por isso, voltai para Deus, caríssimos, e fazei uma penitência digna de vossos pecados, e Deus vos libertará do lobo no presente e, no futuro, do fogo infernal”. Feita a pregação, São Francisco disse: “Ouvi, meus irmãos: frei lobo, que está aqui na frente de vós, me prometeu, e jurou, que vai fazer as pazes convosco e que não vai mais vos ofender em coisa alguma, e vós prometeis dar-lhe cada dia as coisas necessárias, e eu entro como fiador dele, de que vai observar firmemente o pacto”. 

Então todo o povo, a uma só voz, prometeu alimenta-lo continuamente. E São Francisco, diante de todos, disse ao lobo: “E tu, frei lobo, prometes a estas pessoas observar o pacto da paz, de modo que não ofendas nem os homens, nem os animais, nem criatura alguma?”. E o lobo, ajoelhou-se, inclinou a cabeça, e com gestos mansos de corpo, de cauda e das orelhas, mostrava, quanto possível que queria observar todo pacto. São Francisco disse: “Frei lobo, eu quero que, como tu me juraste essa promessa fora da porta, também me dês fé da tua promessa diante de todo o povo, e que não me enganarás sobre a promessa e caução que eu fiz por ti”. 

Então o lobo levantou a pata direita e colocou-a na mão de São Francisco. Daí, por causa desse ato e das outras coisas que foram ditas, houve tanta alegria e admiração em todo o povo, tanto pela devoção ao santo como pela novidade do milagre, e pela paz do lobo, que todos começaram a gritar para o céu, louvando e bendizendo a Deus, que lhes tinha mandado São Francisco, que pelos seus méritos os havia libertado da boca do cruel animal. 

Depois o lobo viveu dois anos em Gúbio, e entrava domesticamente pelas casas, de porta em porta, sem fazer mal a ninguém, e sem que o fizessem para ele. E foi alimentado cortesmente pelo povo. E mesmo andando assim pela terra e pelas casas, nunca um cão ladrava atrás dele. Finalmente, depois de dois anos, o lobo morreu de velho, causando muita dor aos cidadãos porque, vendo-o andar tão manso pela cidade, recordavam melhor a virtude e a santidade de São Francisco. 

Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.

 

2. REFLEXÃO FORMATIVA

A nossa mente sempre fica se perguntando se estamos fazendo pouco e nosso corpo, por vezes, reclamando que estamos fazendo muito. O dilema é interno. O mesmo de Marta no evangelho. Ela também queria sentar para ouvir Jesus, mas estava presa aos afazeres domésticos. Maria não era preguiçosa, mas sabia que naquele momento, o mais importante era ouvir a Jesus. O mais importante pode ser algo simples, como em Gubbio, em que o importante não eram os projetos e planos de proteção, mas o diálogo sincero e amigável com o “lobo”. Fazer pressupõe escolhas, decisões, por aquilo que se apresenta como mais importante. Coloca nossa mente no lugar que deveria estar, e não desgasta o corpo com excessos desnecessários.

 

Pausa (silêncio, respiração assistida, mantra/música)

Sugestão: Tema de Clara e Francisco - https://www.youtube.com/watch?v=Ia9exNFQvcc

Cantiga por Clara - https://www.youtube.com/watch?v=jowzftGspUE

 

3. MEDITAÇÃO PESSOAL

Façamos a experiência de contemplar a imagem de Maria e agradecer por ser nosso exemplo de humildade, entrega e confiança em Deus. Busquemos ser mais como nossa mãe Maria, calma, paciente e piedosa.

Nossos dias são feitos de inúmeras metas e listas intermináveis de afazeres, imaginemos agora uma folha de papel e com diversos itens de tarefas diárias, agora vamos passar uma borracha e apagar uma a uma, com muita calma e tranquilidade, deixando apenas um item. O que está escrito? Qual é a nossa prioridade? Está de acordo com o que propõe o Ideal Franciscano de Vida?

- Nos tempos de distanciamento social, em que estamos em casa, (quem pode) trabalhando em casa, acumulando inúmeras funções... Estamos observando nossas prioridades? Estamos tentando abraçar as inúmeras possibilidades oferecidas e nos frustrando por não conseguir, ou aceitando aquilo que mais precisamos e podemos fazer?

Que possamos acalmar nosso coração de cobranças, abraçar as conquistas e as metas alcançadas, mas também abraçar as que não forem alcançadas, com amor e piedade com nós mesmos. Entender que seguimos um tempo só, o de Deus, e quem estabelece as metas é Ele, no tempo dEle.

 

Oração final pessoal

(Finalize a meditação com uma conversa pessoal com Deus, utilizando de suas próprias palavras ou com as orações que preferir)





Segunda Meditação – 10.05.2020

Ideal Franciscano de Vida

 

AMAR ATÉ O FIM

 1. LEITURAS INICIAIS

Iluminação bíblica: Jo 13,1

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.

 

Iluminação franciscana: Fioretti Cap VIII

Como, andando pelo caminho, São Francisco e Frei leão, expôs para ele coisas que são a perfeita alegria. 

Vindo uma vez São Francisco de Perusa para Santa Maria dos Anjos com Frei Leão, era tempo do inverno e o frio grandíssimo o cruciava fortemente. Chamou Frei Leão, que ia indo na frente, e disse assim: “Frei Leão, se acontecer, por graça de Deus, que os frades menores dêem em todas as terras grande exemplo de santidade e de boa edificação; apesar disso, escreve e anota diligentemente que não está aí a perfeita alegria”. 

E andando mais adiante, São Francisco chamou-o uma segunda vez: “Ó Frei Leão, ainda que o frade menor ilumine os cegos, estenda os encolhidos, expulse os demônios, faça os surdos ouvirem e coxos andarem, e os mudos falarem e, o que é coisa maior, ressuscite os mortos de quatro dias; escreve que não está aí a perfeita alegria”. 

E, andando um pouco, São Francisco gritou forte: “Ó Frei Leão, se o frade menor soubesse todas as línguas, todas as ciências e todas as escrituras, de modo que soubesse profetizar e revelar não somente as coisas futuras mas até os segredos das consciências e das pessoas; escreve que não está nisso a perfeita alegria”. 

Andando um pouco mais adiante, São Francisco ainda chamava forte: “Ó Frei Leão, ovelhinha de Deus, ainda que o frade menor fale com a língua do Anjo e saiba os caminhos das estrelas e as virtudes das ervas, e lhe fossem revelados todos os tesouros da terra, e conhecesse as virtudes dos pássaros e dos peixes e de todos os animais, e das pedras e das águas; escreve que não está nisso a perfeita alegria”. 

E andando ainda mais um pedaço, São Francisco chamou com força: “Ó Frei Leão, ainda que o frade menor soubesse pregar tão bem que convertesse todos os infiéis para a fé de Cristo; escreve que aí não há perfeita alegria”. 

E durando esse modo de falar bem duas milhas, Frei Leão, com grande admiração, lhe perguntou, dizendo: “Pai, eu te peço da parte de Deus que tu me digas onde há perfeita alegria”. E São Francisco lhe respondeu: “Quando nós estivermos em Santa Maria dos Anjos, tão molhados pela chuva, enregelados pelo frio, enlameados de barro, aflitos de fome, e batermos à porta do lugar, e o porteiro vier irado e disser: Quem sois vós? E nós dissermos: Nós somos dois dos vossos frades. E ele disser: Vós não dizeis a verdade, aliás sois dois marotos que andais enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; ide embora; e não nos abrir, e fizer-nos ficar fora na neve e na água, com o frio e com a fome até de noite; então, se nós suportarmos tanta injúria e tanta crueldade, e tantas despedidas pacientemente, sem nos perturbarmos, e sem murmurar dele, e pensarmos humildemente que aquele porteiro nos conhece de verdade, que Deus o faz falar contra nós; ó Frei Leão, escreve que aqui há perfeita alegria. E se, apesar disso, continuássemos batendo, e ele saísse para fora perturbado, e nos expulsasse como velhacos importunos, com vilanias e bofetões, dizendo: Ide embora daqui, ladrõezinhos muito vis, ide ao hospital, porque aqui vós não comereis, nem vos abrigareis; se nós suportarmos isso pacientemente, com alegria e com bom amor; ó Frei Leão, escreve que aqui há alegria perfeita. 

E se nós, mesmo constrangidos pela fome, pelo frio e pela noite, ainda batermos mais, chamarmos e pedirmos por amor de Deus com muito pranto que nos abra e nos ponha para dentro assim mesmo, e ele escandalizado disser: Estes são patifes importunos, eu os pagarei bem, como merecem; e sair para fora com um bastão cheio de nós, e nos agarrar pelo capuz e jogar por terra, e nos revirar na neve e nos bater nó por nó com aquele bastão: se nós suportarmos todas essas coisas pacientemente e com alegria, pensando nas penas de Cristo bendito, que temos que aguentar por seu amor; ó Frei Leão, escreve que aqui e nisto há perfeita alegria. 

E, por isso, ouve a conclusão, Frei Leão. Acima de todas as graças e dons do Espírito Santo, que Cristo concede aos seus amigos, está a de vencer a si mesmo e de boa vontade, por amor de Cristo, suportar penas, injúrias, opróbrios e mal-estares; porque de todos os outros dons de Deus nós não podemos nos gloriar, pois não são nossos mas de Deus, como diz o Apóstolo: Que é que tu tens que não recebeste de Deus? E se recebeste dele, por que te glorias, como se o tivesses por ti? Mas na cruz da tribulação e da aflição nós podemos nos gloriar, pois diz o Apóstolo: Não quero me gloriar a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. 

Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.

 

2. REFLEXÃO FORMATIVA

O amor é a única virtude que nos acompanhará até a eternidade e é esta virtude que precisamos cultivar até o fim. Quando olhamos para Cristo, identificamos esse amor que se doa até as últimas consequências. No alto da cruz, Cristo ainda dissipa amor: amor de mãe a João; perdão a inocência dos soldados e misericórdia ao ladrão arrependido. O amor não se cansa e é fiel até o fim. Francisco ensina frei Leão sobre o amor, usando outras imagens. Mostrando que nenhuma virtude ou dom deste mundo é a total alegria, mas diante dos que se ama, mesmo que lhe perturbem a paz, se conservar o coração tranquilo e não murmurar contra eles, nisso está a alegria perfeita. São essas ações que demonstram amor. Quando diante do irmão que nos maltrata, conservamos a paz e conseguimos dissipar amor do Cristo crucificado? Amar até o fim, é exercer sempre de misericórdia, “e se [teu irmão] não buscar misericórdia, pergunta-lhe se não na quer receber.” (Carta a um Ministro 6)

 

Pausa (silêncio, respiração assistida, mantra/música)

Sugestões: Perfeita Alegria - https://www.youtube.com/watch?v=LmgrSNCz9_M

Deus é amor - https://www.youtube.com/watch?v=4j2EqG2H7wA  

 

3. MEDITAÇÃO PESSOAL

-  Hoje, mais do que nunca, vivemos em meio a contradições, opiniões divergentes, polarizações, conseguimos compreender e amar o irmão até o fim?

- Como estou tratando quem tem opiniões diferente das minhas?

- O carisma franciscano traz a suavidade a um mundo marcado pelo individualismo, estou me dedicando à minha fraternidade e aos meus irmãos com todo meu esforço e de todo meu coração?

- O que posso fazer para ajudar meu irmão? Estou disposto a ouvir antes de ser ouvido? A consolar antes de ser consolado?

- Na minha família estou sendo amoroso? piedoso? compreensivo?

Façamos o exercício de, ao fim dessas reflexões, agradecer a Deus pelo dom da fraternidade: "E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o altíssimo mesmo me revelou que eu devia viver segundo a forma do Santo Evangelho" (Testamento de São Francisco).

Agradeçamos também pelos dons dos nossos irmãos, que formam o Frade Perfeito.

- Na situação em que nos encontramos, como estou lidando com as limitações? Busco a perfeita alegria ou só reclamo daquilo que, agora, não tenho?

 Oração final pessoal

(Finalize a meditação com uma conversa pessoal com Deus, utilizando de suas próprias palavras ou com as orações que preferir)

1º ROTEIRO DE MEDITAÇÃO FRANCISCANA
JUVENTUDE FRANCISCANA DO BRASIL

APRESENTAÇÃO
Irmãs e irmãos, Paz e Bem!
É com alegria que a Secretaria Nacional de Formação da Juventude Franciscana do Brasil apresenta uma nova proposta de oração, reflexão e estudo do Evangelho e das Fontes Franciscanas. Pensando em proporcionar momentos de aprofundamento e, principalmente, de conexão com Deus, elaboramos o 1º Roteiro de Meditação Franciscana da JUFRA do Brasil. Partiremos dos 5 pilares que caracterizam o Ideal Franciscano de Vida para mergulhar em sugestões de meditações introspectivas, lançadas uma a cada semana.
Foram responsáveis pela construção deste material um irmão e uma irmã muitos especiais...
Mateus Agostini Garcia, nosso Secretário Nacional para a área Sudeste, foi quem escolheu a dedo as leituras utilizadas em cada um dos 5 momentos. O mano nos permite um passeio pelo Evangelho e Fontes Franciscanas com uma formação leve e engajada, trazendo um diálogo muito interessante entre os textos para que possamos enxergar com clareza o modo que Francisco via Jesus.  
Maria Luiza Tonetto é formadora da fraternidade Felipe Viveiros da Rocha, de Florianópolis/SC, e nos presenteia com seu olhar sensível para que, a partir das leituras realizadas inicialmente, possamos nos entregar ao momento meditativo e, em belíssimas reflexões individuais, abracemos a Santíssima Trindade para uma compreensão mais nítida de quem somos e do que queremos.
Faço votos sinceros de que as/os jufristas realizem as propostas de formações meditativas com entrega e confiança, repassando a todas e todos que possam se interessar, com a certeza de que quem vivenciar o que estamos propondo plantará inúmeras sementes de Amor em seu próprio coração.
Aproveitem!
Marquem as leituras nas Bíblias, nas Fontes, compartilhem as percepções sobre essa vivência com a Fraternidade, com a família, e utilizem desse momento para olhar para si e encontrar a força necessária para sermos agentes poderosos de transformação (de nós, dos nossos, da sociedade).

Com fraterno amor,
Gabriela Consolaro Nabozny, JUFRA
Secretária Nacional de Formação




ORIENTAÇÕES
(Ler antes de iniciar cada meditação)

- O silêncio é sua principal ferramenta. Facilite-o.
- Siga os passos indicados e, por fim, oriente os pensamentos com a contemplação: O que muda na minha vida a partir dessa experiência?
- Se preferir, ao refletir, escreva as percepções.
- Faça com que a mente e corpo fiquem em sintonia para acolher tudo com simplicidade, disponibilidade e abertura.
- Leia pausadamente as leituras propostas.
- Procure estar acomodado, em um ambiente limpo e organizado ou, até mesmo, ao ar livre, perto da natureza.
- Certifique-se de não ser incomodada/o durante este tempo, recolha-se.
- Fique em uma postura confortável, de preferência ereta.
- Esvazie a mente.
- Algumas técnicas de respiração podem ser utilizadas quando indicado:
1) Repare que você está respirando (observe que o ar entra e sai de você)
2) Respire mais devagar
3) Observe sua barriga mexendo, seus ombros levantando e descendo
4) Repare que o ar entra mais frio e sai mais quente pelo seu nariz
5) Se for confortável, observe a respiração em forma de oração (“Tu, Senhor, que me criastes” – inspiração / “Sê bendito” – expiração)
(Repita durante o tempo que achar necessário)




Primeira Meditação – 03.05.2020
Ideal Franciscano de Vida



AMAR PRIMEIRO

1. LEITURAS INICIAIS
Iluminação bíblica: Lc 15,11-24
E Jesus continuou. “Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo na vida desenfreada. Quando tinha esbanjado tudo o que possuía, chegou uma grande fome àquela região, e ele começou a passar necessidade. Então, foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu sítio cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. Então caiu em si e disse: “Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e foi tomado de compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e o cobriu de beijos. O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. Colocai-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o, para comermos e festejarmos. Pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa.
Iluminação franciscana: 2Cel 5, 9
De todas as enfermidades e misérias, era a lepra a que maior repugnância lhe causava. Certo dia, seguia ele a cavalo pelos arredores de Assis, quando deu com um leproso. Ficou deveras repugnado e espavorido mas, para não faltar à palavra dada, saltou da montanha e correu a beijá-lo.

2. REFLEXÃO FORMATIVA
O Evangelho nos ensina a sermos os últimos do Reino, mas isso não se aplica ao Amor. Na espiritualidade franciscana, encontramos possibilidades de viver o amor de que nos fala o Evangelho, e uma dessas formas é amar primeiro. Dar o primeiro passo na direção do outro. A parábola do Pai misericordioso deixa isso muito claro, pois o pai que já aguardava o retorno do filho, o avistou de longe e “correu-lhe ao encontro.” (Lc 15,20) O amor tem pressa de manifestar-se, tem necessidade de ser revelado. Francisco faz essa experiência quando, tomado por grande impulso, desce do cavalo, abraça e beija o leproso. Amar primeiro é uma prática que exige muita renúncia, daquilo que pensamos ou acreditamos, para que o amor que revela Deus se manifeste.

Pausa (silêncio, respiração assistida, mantra/música)
 Sugestões: Doce é sentir - https://www.youtube.com/watch?v=wsjPtJkvM90

3. MEDITAÇÃO PESSOAL
Amar primeiro também nos remete ao conselho que Clara de Assis deu à sua irmã de vocação Inês de Praga: "Não perca de vista seu ponto de partida, conserve o que você tem, faça o que está fazendo e não O deixe".
Passando para o momento em que estamos vivendo, percebemos a importância de viver nossas vidas, nossos planos e rotinas com os olhos no Senhor, que é o nosso ponto de partida, colocando Seu amor e cuidado sempre em primeiro lugar.
No contexto atual, fica ainda mais evidente o quanto precisamos nos despojar das nossas concepções pré estabelecidas, e até dos nossos bens, em prol do Bem Comum, de um objetivo que nos une e nos revela que juntos, somos mais fortes. Que o todo é mais forte que a soma das partes.
A partir disso, podemos refletir:
- O amor é o nosso ponto de partida?
- Cada um de nós vive caminhos diferentes com infinitas possibilidades, mas amamos o nosso irmão assim como Francisco amou o leproso?
- Deixamos de lado o orgulho, o preconceito, para abraçar o filho que retorna à casa do pai, para beijar com amor o leproso dos nossos tempos?
- Cuidamos do outro percebendo as possibilidades de criar paralelos entre nossos percursos e nossa vida espiritual?
- Em tempos de distanciamento social, como estamos fazendo para Amar Primeiro? Estamos exercendo essa virtude nas nossas casas, fraternidades?

Oração final pessoal
(Finalize a meditação com uma conversa pessoal com Deus, utilizando de suas próprias palavras ou com as orações que preferir)