Blog de Formação
"Jovens discípulos-missionários"

O jovem em sua vida cristã, pelo batismo é convidado a ser missionário, a impulsionar esta missão com sua força e vigor. Essa ação começa no discipulado, no estar disponível para Deus e para os irmãos, no estar pronto e disposto a se colocar no meio da comunidade e ser protagonista, o agente da missão. Quem melhor para evangelizar a juventude? Quem melhor para assumir essa tarefa do que um outro jovem? A falar de um cristo em sua língua, de um evangelho que modifica, transforma e traz a retidão a quem os segue do que o próprio jovem?
Discipulado e missão não é coisa de velho e de quem fica dentro das igrejas, mas sim, de quem sai das paredes dos templos e vão pelo mundo e onde forem a gritar o amor de Deus aos irmãos, a falar com suas palavras e principalmente com seus atos e sua vida o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jovens evangelizando outros jovens, com suas roupas e jeitos de ser jovens. Muito mais que mudanças externas nos é exigido mudanças interiores, pra isso é necessário que busquemos um encontro verdadeiro e piedoso de nossa pessoalidade, de nossa intimidade com o cristo do povo, das parábolas e ensinamentos simples e sem complicações verbais ou coloquiais, sem as formalidades do mundo que nos cerca, mas principalmente com o amor abandonado na cruz, um amor que se tornou vitima expiatória por nossos pecados, pois é a partir da loucura da cruz (1 Coríntios 1:18) que começa a nossa missão. Olhar para o Cristo como Francisco aos pés do crucificado de São Damião e entender nele a necessidade do reconstruir a igreja.
Jovens discípulos-missionários evangelizando e reconstruindo, hoje, a nossa Igreja. Isso só será possível sobre a iluminação do evangelho, tomando nossa cruz diariamente, renunciando a nós mesmos e seguindo os passos do mestre (Mt 16,24). Nos cabe em nossa juventude fazer outros discípulos e outros missionários. Juventude discípula e missionaria que revoluciona através da palavra de Deus tocando nos corações de outros jovens e diante de nosso laicato possamos todos ser o ator principal da cena da nova evangelização da promoção e cultura humana-cristã. Sejamos “Sentinelas do Amanhã! ” (S. João Paulo II). O jovem de hoje é a igreja do amanhã. Sentinelas em missão de evangelizar todas as pessoas, mas em especial a outros jovens. O jovem tem por seu batismo a missão profética do anuncio da boa nova em Cristo Jesus (Mc 16,15). “Cada cristão, por seu batismo, é responsável pela construção da Igreja, para que ela seja um espelho do amor de Deus no mundo e no sinal do Reino“ (Estudos da CNBB n.93,69).
Jovens discípulos-missionários, dinâmicos em seu ambiente de convívio, espontâneos movidos a seguir os passos de Jesus e motivadores de outros jovens. Impelidos a buscar a concretização do grande amor da cruz, inspiradores da bondade que bate pulsante no coração de cada um. Enquanto agentes atuantes da missão somos também co-responsaveis pela defesa da vida e de nossa casa comum.
Juventude discípula-missionária, ativa, que leva no peito o ardor do fogo do Espirito e transforma o meio que vive. 

José Carlos
Psicanalista
Secretário local de Formação – Fraternidade Crescendo com Francisco (Guarabira/PB)

Secretário regional de Ação Evangelizadora e DHJUPIC - Regional NE A3 PB/RN

COM A MÃE APARECIDA,
300 ANOS DE BENÇÃOS,
FAMÍLIA FRANCISCANA EM MISSÃO!


INTRODUÇÃO
Em agosto deste ano a Conferência da Família Franciscana do Brasil esteve reunida em Aparecida/SP para celebrar o seu Jubileu de Ouro e os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora, o encontro teve como fruto a profética “Carta de Aparecida”. São Francisco de Assis viveu em sua vida uma profunda devoção a Maria, fazendo morado na “Pequena Porção” de Santa Maria dos Anjos. Por isso, o Regional Sudeste III da Juventude Franciscana do Brasil, convida a todos os Jufristas a viverem e celebrarem Maria como este importante dom do amor de Deus que nos chama a missão como franciscanos e franciscanas. Paz e Bem!


OBJETIVOS
o   Conhecer um pouco mais sobre a Padroeira do País, a representação de Maria com o título de Nossa Senhora Aparecida que comemora em Outubro deste ano, 2017, seu jubileu de 300 anos de aparição.
o   Aprofundar a devoção a imagem de Aparecida, que é tão fervorosa que o Santuário de Aparecida recebe por ano a visita de 12 milhões de fiéis que visitam o lugar com o intuito de alcançar graças ou agradecer milagres que atribuem a Mãe Aparecida.


AMBIENTAÇÃO
Preparar o ambiente com algum objeto, desenho, de um barco e da rede; Sugestão de música: Hino Oficial dos 300 anos de N.S. Aparecida ou Nossa Senhora do Brasil. Na abertura do encontro, pode-se encenar brevemente o aparição ou ir direto para a música, pedir para todos cantarem juntos. 

ACOLHIDA
O ano de 2017 recebeu o nome de ano jubilar Mariano por conta das comemorações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida no Brasil e os 100 anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima em Portugal. As duas se fizeram presentes em ambas as festas: o Santuário Mariano recebeu uma imagem de Nossa Senhora de Fátima enquanto a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi recebida no Santuário de Fátima. As comemorações dos ‘300 anos de Bênçãos’ de Nossa Senhora Aparecida teve início no dia 12 de outubro de 2016, mas a preparação desta festa começou em 2013, três anos de preparação para o Jubileu.  O principal objetivo é promover a evangelização. Desde o ano de 2014 uma Imagem fac-símile da Padroeira foi enviada a diversas Arquidioceses, Dioceses e Paróquias, sendo acompanhada por Missionários Redentoristas que visitaram as capitais do país, que receberam a visita da imagem peregrina, para recolher uma porção de terra que irá compor a coroa especial de Nossa Senhora Aparecida. Outros eventos ocorreram em comemoração ao triênio, o lançamento de um selo comemorativo com elementos da devoção brasileira, campanha “Rumo aos 300 anos” que faz parte da Campanha dos devotos, o Campanário com sinos fabricados na Holanda que foi colocado ao lado do Santuário e o projeto de peregrinação que recebeu o nome de Rota 300.  Como forma de abertura para este encontro vamos nós também nos aprofundar com espírito de comemoração e devoção deste tricentenário rezando a Oração Jubilar:

Oração Jubilar – 300 Anos de Bênçãos
Senhora Aparecida, Mãe Padroeira, em vossa singela imagem, há 300 anos aparecestes nas redes dos três benditos pescadores no Rio Paraíba do Sul. Como sinal vindo do céu, em vossa cor, vós nos dizeis que para o Pai não existem escravos, apenas filhos muito amados.  Diante de vós, embaixadora de Deus, rompem-se as correntes da escravidão!  Assim, daquelas redes, passastes para o coração e a vida de milhões de outros filhos e filhas vossos. Para todos tendes sido bênção: peixes em abundância, famílias recuperadas, saúde alcançada, corações reconciliados, vida cristã reassumida. Nós vos agradecemos tanto carinho, tanto cuidado! Hoje, em vosso Santuário e em vossa visita peregrina, nós vos acolhemos como mãe, e de vossas mãos recebemos o fruto de vossa missão entre nós: o vosso Filho Jesus, nosso Salvador. Recordai-nos o poder, a força das mãos postas em prece! Ensinai-nos a viver vosso jubileu com gratidão e fidelidade! Fazei de nós vossos filhos e filhas, irmãos e irmãs de nosso Irmão Primogênito, Jesus Cristo, Amém!

VER
Coordenador:  Neste momento vamos nos aprofundar um pouco mais sobre a história da Santa Aparecida e seus 300 anos de devoção.

Leitor 1: O ENCONTRO DA IMAGEM E O PRIMEIRO MILAGRE – Em 1717 a Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá – São Paulo, receberia a visita de Dom Pedro de Almeida e Portugal, que era o Governador da Província de São Paulo e Minas Gerais, e passaria pela região no período de 17 a 30 de Outubro. Para preparar o banquete três pescadores ficaram responsáveis pela pesca: João Alvez, Felipe Pedroso e Domingos Garcia. Após várias horas e diversas tentativas as redes continuavam vazias, mas foi em uma destas tentativas que ao puxar para fora das águas escuras do Rio Paraíba do Sul, surgiu enroscada na rede a cabeça da imagem de Nossa Senhora da Conceição. Espantados os pescadores jogam as redes novamente e desta vez surge o corpo da imagem. Colocam então a imagem com cor de terracota, feita de barro com 37 centímetros dentro do barco e voltam a jogar as redes ao mar e dessa hora em diante as redes voltam sempre cheias de peixes. Ao fim da pescaria, antes de entregarem os peixes para o banquete, os pescadores entregaram os pedaços da estátua a Silvana da Rocha Alves, esposa de Domingos, irmã de Felipe e mãe de João, que reuniu as duas partes com cera, e a colocou num pequeno altar na casa da família, agradecendo a Nossa Senhora o milagre dos peixes.

Leitor 2: DE CAPELA PARA BASÍLICA – O milagre dos peixes fica conhecido em toda região e a devoção pela Santa Aparecida se expande, até que em 1740 o vigário de Guaratinguetá, padre José Alves Vilela e alguns devotos constroem uma pequena Capela, aonde acontecia a reza do terço e o cântico das ladainhas, mas não se celebrava a Eucarístia. Em 1743 é autorizado pelo Bispo do Rio Janeiro, Dom Frei João da Cruz, o culto e a construção da primeira igreja em louvor a imagem. Em 24 de junho de 1888 Dom Lino D. R. de Carvalho, bispo de São Paulo inaugurou a igreja conhecida como ‘Igreja de Monte Carmelo’ (Basílica Velha). A primeira ideia de construção de outra igreja para melhor atender os fiéis surgiu em 1917, por ocasião das celebrações do bicentenário do Encontro da Imagem. A primeira missa no local aconteceu no dia 11 de setembro de 1946, presidida pelo Cardeal Motta.


Leitor 3: A COROA E O MANTO – A festa da Senhora Aparecida no ano de 1868, até então celebrada em 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, foi encerrada com a participação da princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, que participou das celebrações na esperança de obter a graça de um herdeiro. Para manifestar sua devoção a princesa doou a imagem um manto ornado com 21 brilhantes, representando as 20 Províncias do Império mais a capital. Anos depois, em 1884, a princesa Isabel voltava a Aparecida em reconhecimento pela graça recebida. Feliz, vinha acompanhada não só do esposo, mas dos três herdeiros, os príncipes: D. Pedro, D. Luís e D. Antônio. A princesa novamente quis honrar a imagem da Senhora Aparecida oferecendo-lhe dessa vez, uma coroa de ouro 24 quilates, 300 gramas, cravejada de brilhantes. Essa mesma coroa serviu, vinte anos depois, para a solene coroação da Imagem, por ordem do Papa São Pio X.

Leitor 4: A PADROEIRA DO BRASIL – Dom Pedro I, durante sua viagem ao Rio de Janeiro e São Paulo, passou no Santuário de Aparecida. D. Pedro, o príncipe regente quis rezar diante a imagem e lhe prometeu consagrar o Brasil caso resolvesse favoravelmente sua complicada situação política. Isto ocorreu no dia 22 de agosto de 1822. Quinze dias depois, em 7 de setembro, em São Paulo, nascia o Brasil independente. Anos depois em 16 de Julho de 1930, o Papa Pio XI assinou o Decreto constituindo Nossa Senhora da Conceição Aparecida a Padroeira do Brasil. Ele legitimou um fato já consagrado pelo povo devido à grande devoção que a santa conquistara no Brasil. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) em sua Assembleia de 1953 determinou que a festa da Padroeira do Brasil fosse celebrada no dia 12 de outubro. Uma das razões para a escolha dessa data foi a aproximação da época do encontro da Imagem, que ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717.


ILUMINAR: Maria, Vida e Missão
Iluminação Bíblica (Lucas 1, 39-44) e João (2, 1-11)
Quando o Anjo do Senhor anunciou a Maria que ela iria ser Mãe de Jesus, o "Filho do Altíssimo", ela proclamou: "Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua vontade" (Lucas 1). Servir foi a razão de seu viver como mãe e, aos pés da Cruz, tornou a Mãe da Igreja. Em sua humildade, coloca-se sempre como pequena, por isso, Deus a tornou-a grande, fazenda nela maravilhas como bem sabido por todos nós. Não encontramos alguém nos relatos bíblicos que possa ter sido e vivido tão imensamente a pobreza, a humildade, a mais simples e ter seguido os desígnios de Deus com tal perfeição: ela é o ponto de ligação entre o céu e a terra. Em Lucas vemos o quão Maria é bem aventurada: a criança salta no ventre de Isabel, prima de Maria, por ocasião da visita desta, nos mostrando como é irradiar o amor de Deus, que vai além dela mesma e contagia os demais que se acercam a quem vive na graça do Pai. Na passagem em que São João nos escreve sobre Maria Santíssima temos uma outra face de Maria: nossa intercessora, aquela que pede por nós a seu Filho Jesus. Ela, naquele momento, com toda a sua sensibilidade coloca o problema dos noivos como o seu também, assim como toma para si as nossas dores, e fala confiante com Jesus: "Não tem vinho" e ele atende o seu pedido, adiantando seus milagres pela intercessão de sua mãe. Muitos outros relatos são trazidos por estes evangelistas sobre a mãezinha do céu. Todas nos mostrando como era agraciada, tamanha a sua fé, seu espírito em servir, sua pobreza de coração e por seguir fielmente os desígnios de Deus.

AGIR
Coordenador: Neste momento agir vamos relembrar a devoção de São Francisco de Assis a mãe de Jesus. O Pai Seráfico via na imagem de Nossa Senhora a mulher pobre de grande fé, que partilhava com o filho a vida de simplicidade. Foi ela quem acompanhava Jesus e os discípulos se tornando também mensageira do senhor. São Francisco deixa em seus escritos a Saudação a Mãe de Deus, saudemos juntos a mãe do senhor como Francisco saudou:
Salve, ó Senhora santa, Rainha santíssima, Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja, eleita pelo santíssimo Pai celestial, que vos consagrou por seu santíssimo e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito! Em vós residiu e reside toda a plenitude da graça e todo o bem! Salve, ó palácio do Senhor! Salve, ó tabernáculo do Senhor! Salve, ó morada do Senhor! Salve, ó manto do Senhor! Salve, ó serva do Senhor! Salve, ó Mãe do Senhor, e salve vós todas, ó santas virtudes derramadas, pela graça e iluminação do Espírito Santo, nos corações dos fiéis transformando-os de infiéis em servos fiéis de Deus!
Nossa Senhora nos proporcionou sermos irmãos de Jesus. A figura da Senhora Aparecida é inspiração e consolo para o povo Brasileiro. É a santa humilde que emergiu das águas para três pescadores, a santa negra do Brasil, a imagem que foi quebrada e com cuidado reconstruída, frágil, porém representante da fé.
1.    Nós seguimos este mesmo espírito simples de Nossa Senhora Aparecida?
2.    Neste Ano Mariano, o papa pediu que fosse concedida a indulgência plenária aos “verdadeiramente penitentes e impulsionados pela caridade”, nós fizemos este papel e somos merecedores de tal graça?
3.    Como gesto concreto durante a novena da Padroeira do Brasil foi pedido que sejam ofertados alimentos e produtos de limpeza para instituições beneficentes de Aparecida, façamos nós uma campanha simples de arrecadação para instituições necessitadas de nossas cidades.

CELEBRAR: 300 anos de Fé e Compromisso!
A história de Aparecida em 1717, três pescadores em época de escassez de peixes saem para a pesca. Por isso, todos os Franciscanos e Franciscanas do Brasil são convidados a SAÍREM, parar lançar suas redes de fraternidade e comprometimento com os excluídos de nossas comunidades. Neste motivando, queremos celebrar, fazendo a leitura da CARTA DE APARECIDA, profundo marco na vivência franciscana-mariana de nossa família, para que esta celebração jubilar, marque em nós um profundo comprometimento com o Reino. A fraternidade pode fazer a leitura conforme achar conveniente.

MOTIVAÇÃO FINAL
Louvado sejas meu Senhor pela nossa Irmã Água, tão preciosa, humilde e casta! Louvado sejas meu Senhor pela nossa Mãe Aparecida do Brasil, que resgatada das águas, é alento e felicidade ao povo sofrido, escravo, oprimido!
Meus irmãos e irmãs, é tempo de missão, de construir o Reino com carinho materno. Que a Mãe Aparecida ilumine e inspire a Juventude Franciscana do Brasil no seu comprometimento profético com o Evangelho de seu filho Jesus!
Pela Equipe Regional de Formação: Pâmela, Júlia e Vinícius.

ANEXO: A CARTA DE APARECIDA DA CONFERÊNCIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL
“Ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres. ” LS,49   
A Conferência da Família Franciscana do Brasil, celebrando o Capitulo Nacional das Esteiras, consciente de sua missão de “levar ao mundo a misericórdia de Deus”, dirige-se a todas as pessoas de boa vontade: àquelas que continuam acreditando em um mundo de justiça e fraternidade e àquelas que, em meio às contradições e crueldades de nosso tempo, vivem a dor da desilusão e da falta de esperança.
As partilhas realizadas nesses dias nos levam a afirmar: vivemos um verdadeiro Pentecostes. Neste sentido, o Capítulo nos chamou a um revigoramento do Carisma e nos levou a fazer memória da herança, da inspiração originária que deu início ao movimento franciscano. A experiência das esteiras nos leva a retomar nossa vocação enquanto peregrinos e forasteiros.

As bases nas quais foram construídas a nossa história estão marcadas pelo sangue dos pobres e pequenos, indígenas, mulheres e jovens negros, por um extrativismo desmedido e destruidor, por uma economia que exclui a maioria, por destruição de povos, culturas e da natureza. À luz do nosso carisma, compreendemos que se faz necessário construir um novo horizonte utópico que nos comprometa com a construção de um projeto de país com justiça e paz em respeito à integridade da criação.
Somos sensíveis ao grito dos empobrecidos e da Mãe Terra! É preciso agir com misericórdia para com eles e, com indignação diante desse sistema que exclui, empobrece e maltrata, e convocarmos a todos para se unirem à luta que hoje assumimos juntos: participar da reconstrução da Igreja com o Papa Francisco e reconstruir o Brasil em ruínas.
É chegado o momento de recolhermos nossas esteiras e as lançarmos sobre o chão das periferias do mundo, transformando continuamente nossa maneira de Ser, Estar e Consumir em reposta aos apelos do Papa Francisco.
A realidade ecológica e sócio-política-econômica do nosso país nos exige compromisso profético de denúncia e anúncio.  Assistimos, tomados de ira sagrada, à violação dos direitos conquistados, através de muitos esforços, empenhos e articulação pelo povo brasileiro. Por isso, não podemos deixar de nos empenhar junto aos movimentos sociais na luta “por nenhum direito a menos”, contra golpes, reformas retrógadas e abusivas conduzidas por um governo ilegítimo, um parlamento divorciado dos interesses da população e  uma justiça que tem se revelado fora dos parâmetros da equidade “que no lugar de fortalecer o papel do Estado para atender às necessidade e os direitos do mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital”.
Dessa Cidade de Aparecida, Nossa Senhora, Padroeira do Brasil, resgatada das águas de um rio, hoje poluído e degradado, nos faz eleger dentre os diversos apelos um compromisso particular com a Irmã Água. Deste modo, nos empenharemos na construção de um processo de reflexão e ação em defesa da água como bem comum, que se dará através da participação da família em jornadas, fóruns e nas iniciativas de fortalecimento dos trabalhos ligados à promoção da Justiça e da Integridade da Criação.
Tudo isso acontece, irmãs e irmãos, porque São Francisco nos ensinou que nos momentos mais difíceis de nossas vidas devemos voltar à Casa da Mãe. Ele e seus irmãos voltavam, com frequência, à pequena igreja de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula. Nós voltamos ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, neste 300 anos de caminhada com os pequenos desta terra.
“Óh Mãe preta, óh Mariama, Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo. É Evangelho de Cristo, Mariama!”, ainda assim, invocamos suas bênçãos sobre toda a nossa família e sobre um Brasil sedento de “Paz – fruto da justiça, do bem e da Misericórdia de Deus”.

CONFERÊNCIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL
REGIONAL SUDESTE 3 (SP)








A princípio gostaria de iniciar este pequeno texto expressando que a experiência de fé na piedade popular é algo bastante intimista, e um pouco difícil de expressar através de algo escrito, talvez aqui eu não expresse totalmente sobre o tema, mas ajude para um início de reflexão. 
Quando recorremos as sagradas escrituras no livro de Hebreus, cap. 11,1 “A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se vêem”. Portanto, consideramos a fé como um grande advento residente no íntimo do coração. As diversas romarias, as peregrinações aos santuários são as expressões do povo que tem fé. Um povo que sofre, mas tem esperança de dias melhores. Povo que louva, pede e agradece a Deus. Podemos dizer que a Piedade Popular é algo bastante peculiar de cada região do país, e porque não dizer de cada Cristão. É uma expressão de Fé, que sobrepõe o gesto ensaiado, as regras escritas e impostas, de fato é algo que surge na naturalidade do mais íntimo do coração humano, temente a Deus. A simplicidade é o alicerce da expressão popular e a intimidade com Deus, é o broto de onde surge toda expressão de Fé, que desabrocha no meio da comunidade. O povo mais simples, que vive longe da lógica e dos raciocínios religiosos, são os mais aguçados na fé popular.
 

O Documento de Aparecida, nos números 263, 264 e 265. Abordam diretamente sobre a fé popular. E faço deste documento as minhas palavras. Vejamos, o número 263 o que diz a respeito. Não podemos rebaixar a espiritualidade popular ou considerá-la um modo secundário da vida cristã, porque seria esquecer o primado da ação do Espírito e a iniciativa gratuita do amor de Deus. A piedade popular contém e expressa um intenso sentido da transcendência, uma capacidade espontânea de se apoiar em Deus e uma verdadeira experiência de amor teologal. É também uma expressão de sabedoria sobrenatural, porque a sabedoria do amor não depende diretamente da ilustração da mente, mas da ação interna da graça. Por isso, a chamamos de espiritualidade popular. Ou seja, uma espiritualidade cristã que, sendo um encontro pessoal com o Senhor, integra muito o corpóreo, o sensível, o simbólico e as necessidades mais concretas das pessoas. É uma espiritualidade encarnada na cultura dos simples, que nem por isso é menos espiritual, mas que o é de outra maneira.
 
O número 264 acrescenta que a piedade popular é uma maneira legítima de viver a fé, um modo de se sentir parte da Igreja e uma forma de ser missionários, onde se recolhem as mais profundas vibrações da América Latina. É parte de uma “originalidade histórica cultural” dos pobres deste Continente, e fruto de “uma síntese entre as culturas e a fé cristã”. No ambiente de secularização que vivem nossos povos, continua sendo uma poderosa confissão do Deus vivo que atua na história e um canal de transmissão da fé. O caminhar juntos para os santuários e o participar em outras manifestações da piedade popular, levando também os filhos ou convidando a outras pessoas, é em si mesmo um gesto evangelizador pelo qual o povo cristão evangeliza a si mesmo e cumpre a vocação missionária da Igreja.
 
Por fim, o número 265 diz que nossos povos se identificam particularmente com o Cristo sofredor, olham-no, beijam-no ou tocam seus pés machucados, como se dissessem: Este é “o que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Muitos deles golpeados, ignorados despojados, não abaixam os braços. Com sua religiosidade característica se agarram no imenso amor que Deus tem por eles e que lhes recorda permanentemente sua própria dignidade. Também encontram a ternura e o amor de Deus no rosto de Maria. Nela vem refletida a mensagem essencial do Evangelho. Nossa Mãe querida, desde o santuário de Guadalupe, faz sentir a seus filhos menores que eles estão na dobra de seu manto. Agora, desde Aparecida, convida-os a lançar as redes ao mundo, para tirar do anonimato aqueles que estão submersos no esquecimento e aproximá-los da luz da fé. Ela, reunindo os filhos, integra nossos povos ao redor de Jesus Cristo. 

Rafael Reginaldo do Nascimento,
Professor licenciado em Filosofia e agente pastoral da Comissão Pastoral da Terra da Arquidiocese da Paraíba.

“Desaparecendo, pois, o anjo, deixou no coração de São Francisco um ardor excessivo e flama do de amor divino, e em sua carne uma imagem maravilhosa e os vestígios da Paixão de Cristo”. (CCE 3,53)

É chegada a época de fazermos memória sobre um evento marcante para o franciscanismo: a estigamatização do Pai Seráfico. Este é um marco não apenas para a biografia de São Francisco, mas que revolucionou o próprio cristinanismo. De sua época e atualmente.
Revisitando as fontes para a escrita dessa breve reflexão, percebi o quão inquientante ainda são esses estigmas não apenas para aqueles e aquelas que fizeram sua opção pessoal pelo seguimento de Cristo pelos passos de Francisco, mas para toda Igreja Cristã, ouso dizer, Igrejas, não limitando somente a Apostólica Romana, mas todas aquelas que professam a fé no Cristo Pobre e Libertador, que tinha lado, que tinha opção e que morreu e teve seu corpo marcado pela tortura por ousar se levantar contra os poderosos de sua época.
O Cristo de Francisco, o Cristo que tanto nosso Pai se esforçou por imitar e não por vaidade ou masoquismo pedia para sentir as dores e as chagas de sua Crucifixão, mas por profundo Amor e empatia. Francisco entendeu que a morte de Jesus não foi em vão e não somente para a Salvação pessoal de cada um/a que o professa.
As chagas representam, e Francisco entendeu muito bem isso à sua época, um compromisso de Jesus para a humanidade de Liberdade. Esta requer obrigação de todos os cristãos e cristãs. Ninguém será plenamente livre enquanto houverem escravos/escravas. A minha liberdade perpassa pela plena liberdade do outro/outra, mas para essa Liberdade ser conquistada muitas chagas ainda serão experimentadas. Francisco deu-se conta disso e ao invés de fugir ou esconder-se, teve a plena coragem de correr ao encontro do Amado e pedir a Graça de, mesmo indigno e pequeno, imitar Cristo nesse profundo amor ao outro e à outra.
Com isso, Nosso Pai quer nos mostrar o verdadeiro sentido do sofrimento de Cristo na Cruz. Não a reduzamos à pieguices, não deixemos que nossa pequenez turve nosso olhar para algo que é grandioso e profundo. Tão intenso que Francisco entra em êxtase ao fazer essa experiência, mas não o transe inconsciente que atualmente estão cegando muitos/as fiéis, mas a plena convicção do que representa o seguimento do Evangelho: “Uma espiritualidade de ação e de engajamento social na construção positiva dos valores da Terra dos Homens, sob o anúncio profético e revolucionário de um humanismo cristão, na dinâmica do Advento de um Novo Céu e de uma Nova Terra na clareira do Evangelho.” (Fontes Franciscanas, p.822)[1]
Dessa maneira, é impossível desvincular as Chagas corporais dos estigmas espirituais, Francisco apenas as sentiu em sua carne depois de deixar-se ferir  primeiramente em sua alma. Ao fazer-se sensível ao sofrimento do próximo/a, Francisco se aproxima dos estigmas de Jesus que carregava consigo todas as dores do povo injustiçado e sofrido do seu tempo.
Enquanto escrevo, é impossivel não lembrar das chagas que hoje insistimos em marcar o Corpo de Cristo: o extermínio dos indígenas, o encarceramento e extermínio da juventude negra e periférica, os diversos tipos de feminícidio, os assassinatos por LGBTFobias, a perseguição e preconceitos religiosos, a perda de direitos sociais e individuais, a corrupção, dentre outros. Continuamos chagando o Corpo Daquele que dizemos amar.
Francisco, com seu exemplo, nos pede para abraçarmos esses/as que sofrem com essas chagas e, por Amor, fazê-las nossas também, a fim de juntas e juntos poder fazer, verdadeiramente, a experiência de Jesus. Para isso, precisamos viver uma fé madura e consciente como ele. Não nos esqueçamos que a experiência da Cruz não se encerra na morte, mas na ressurreição. Ainda há esperanças!
Que Francisco possa sempre nos trazer novamente Cristo, em sua dor e em seu Amor! Amém, Axé, Awere, Aleluia!


Hannah Jook Otaviano
Secretária de Formação Jufra Regional NEA2/ CEPI





[1] Fontes Franciscanas editora Mensageiros de Santo Antônio, 2004.


São Paulo (SP) – Com 44 anos de história, o Regional de São Paulo (Sudeste III) da Juventude Franciscana do Brasil, celebrou um Encontro de Formação que entrou para a história como profecia da renovação urgente da Ordem Franciscana Secular (OFS), como destacou o Ministro Regional, Antônio Júlio Martins, na abertura do encontro.

Os jovens, assessores adultos da OFS (Animadores Fraternos) e Irmãs Franciscanas começaram a chegar no fim da tarde de sexta-feira, no Anchietanum – Centro de Juventude da Companhia de Jesus – para participarem do Encontro. Foram recepcionados com um café preparado pela Casa e entre músicas e abraços calorosos do reencontro a Fraternidade Regional estava novamente reunida!

Confiar nos Sonhos de Deus

O Círio Pascal acompanhou todo o Encontro e foi aceso na entrada do Salão pela Fraternidade Iniciante Irmão Lobo, de Mococa, fazendo memória do Primeiro Encontro de Formadores do Regional, ocorrido em 2010 nesta cidade. Em seguida, todos entraram cantando pedindo o Espírito do Senhor e seu santo modo de operar.

Na sequência, a mesa de abertura foi composta pelo Ministro Regional da OFS, pela Ministra da Fraternidade Anfitriã, Maria Nascimento, e pelo Secretário Regional da JUFRA, Mateus Agostini Garcia. Ambos deram as boas-vindas aos participantes e destacaram a importância de se reuniram para pensar e partilha a formação.

Em seguida, o Secretário Regional de Formação, Vinícius Fabreau, apresentou a programação do encontro, divisão de tarefas e a agenda. Dando sequência, Daniele Mendes, Secretária Regional de Infância, Mini e Micro Franciscanos (IMMF) conduziu uma dinâmica bem animada sobre os sonhos que temos. Os participantes foram então divididos em grupos e partilharam de seus projetos pessoais.

Após o jantar, aconteceu a Oração da Noite, onde todos foram convidados a dizer como São Paulo: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 9, 6). A resposta veio do Evangelho do Lava-Pés: “Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também”.

Formar é ser “companheiro” de caminhada, partilhar do mesmo pão no caminho!

Na Oração da Manhã, os participantes foram convidados a “Recordar a Vida e a Caminhada” a partir da mística do Evangelho dos Discípulos de Emaús, uma leitura das Fontes Franciscanas recordou que para Francisco o “irmão perfeito” era a fraternidade formada por muitos irmãos, cada qual com seus dons e talentos.
O tema e o lema do Encontro foi apresentado pelo Secretário Regional de Formação no Espaço Observar. “O nosso movimento é uma resposta eclesial e franciscana a um momento histórico complicado no Brasil, o Regime Militar de 1964, por outro lado, a Igreja se viu empenhada em abrir as janelas para o sopro do Espírito. Por isso, em 1971, um grupo de jovens do Paraná inicia um novo jeito de ‘formar’ acompanhados de Frei Eurico de Mello. Os jovens são os protagonistas e o resultado disso é o Manifesto da Juventude Franciscana do Brasil. Hoje, o que vemos em nossa realidade é corrupção de um lado e do outro um Papa latino-americano pedindo uma Igreja em saída com a Alegria do Evangelho. O que nós, Juventude Franciscana, estamos fazendo com a nossa história? Estamos protagonizando?”, destacou.

Em seguida, divididos nos grupos, os jovens fizeram a leitura do Manifesto e partilharam a palavra-chave que mais chama a atenção. Ao retornar, as palavras foram relacionadas com o Objetivo Geral das Diretrizes de Formação da JUFRA do Brasil: Aprofundamento, Vivência e Testemunho.  O Espaço foi encerrado com um poema de Frei Eurico dedicado a JUFRA do Brasil, onde se lê: “Sempre servir, servirei sorrindo!”.

O momento da manhã ainda recebeu o Espaço Discernir, uma Roda de Conversa sobre o Sínodo da Juventude na perspectiva franciscana. Para isso, estiveram presentes o Frei Gabriel Dellandrea, OFM, e o irmão jesuíta Davi Caixeta. Participaram também Irmã Isabel Simeoni, Franciscana de Ingolstadt, e Maria Aparecida Stefani, OFS, Animadora Fraterna Regional.
Frei Gabriel iniciou a Roda falando sobre o documento preparatório do Sínodo e do Congresso Continental para a Formação promovido pela Ordem dos Frades Menores que estava se encerrando naquele dia. Para o frade, o caminho proposto pelo Papa Francisco é a melhor metodologia de formação que pode existir: SAIR, VER e CHAMAR. Isso acontece porque a fonte de inspiração é o próprio Evangelho, quando Cristo Ressuscitado aparece aos discípulos de Emaús. Ele sai e os vê no caminho, e em seguida chama para a mesa da palavra e da partilha do pão. Para o irmão jesuíta Davi Caixeta, a proposta do Anchietanum é justamente ser este lugar de encontro das juventudes com o Cristo Ressuscitado. Deixou um questionamento: “Quem são as juventudes que caminham conosco?”.

Na parte da tarde, os jovens foram divididos em Oficinas para colocar em prática todo o que foi ouvido e partilhado com os seguintes temas-guia: Senso de Pertença, Formação de Lideranças e IMMF. A noite, houve uma grande partilha e se definiram alguns encaminhamentos a serem levados ao próximo Congresso Regional que ocorrerá em 2018.

JUFRA em SP: Coragem para Promover a Paz em tempos de Injustiça e Intolerância!

A manhã do último dia do encontro começou com um momento emocionante de unção e envio realizado pela Irmã Isabel na Capela. Em seguida, os jovens deixaram o Anchietanum e se dirigiram para o centro da cidade, em frente ao Memorial da Resistência, onde funcionou o DEOPS – Departamento de Ordem e Política Social do Regime Militar – para um momento de Oração. Ali, em 1974, Ozias Ferreira, na época Secretário Executivo Regional, foi fichado e a Juventude Franciscana investigada.
Ali, os jovens entoaram a Oração de São Francisco e leram o último parágrafo do Manifesto: “Está é a vida que nós jovens da JUFRA, apesar de nossa fragilidade, queremos viver. Concluímos, reafirmando que cremos no Amor de Deus, que está em nós, que está no nosso irmão, que está nas criaturas que nos rodeiam, e que nos conduz para uma visão otimista e esperançosa do mundo, do homem e da história. Guiados por Francisco e Clara de Assis, reafirmaremos nossa vontade de seguir o caminho de Cristo. A ele, honra e glória pelos séculos. Amem!”
Em seguida, todos seguiram para o Convento e Santuário São Francisco, onde participam da Eucaristia presida por Frei Mário Tagliari, OFM, que foi Assistente Espiritual Regional da JUFRA quando foi oficializada a fraternidade paulista da Jufra, em novembro de 1999. O encontro foi encerrado com um almoço na OFS das Chagas. O próximo encontro da Fraternidade Regional acontecerá no próximo ano, na cidade de Ribeirão Preto, para o CORJUFRA Eletivo e Celebrativo dos 45 anos do Regional de São Paulo. Paz e bem!