Blog de Formação

Amadas irmãs e Amados irmãos,
Que a Paz e o Bem estejam em vossos corações!
“A fraternidade é o lugar do encontro, de formação, de crescimento na fé e no espírito de amor e de 
serviço, pelo encontro e pela ajuda e experiência dos irmãos. Nela, cada um se esforça por compreender as 
necessidades dos outros e tornar próximo o Reino de Deus. (...) Fraternidade significa comunhão e participação 
do que se é e do que se tem. É receber e dar, assimilar e elaborar em um contínuo intercâmbio de vida que 
produz o crescimento e o desenvolvimento, o enriquecimento de cada um e de toda a comunidade, que se 
edifica na caridade.” (Ef 4,15) (PLACITELLI, apud ROSER)
Inspirados no exemplo do Jovem de Assis, envolvidos pela alegria da vida em fraternidade, em pleno 
Congresso Nacional, nestas terras tão marcantes e historicamente importantes no relacionamento 
JUFRA e OFS, publicamos mais uma Edição do nosso Caderno Nacional de Formação. Anápolis, 
durante esses dias, durante o CONJUFRA, acolhe a nossa amada Juventude Franciscana dos mais 
diversos cantos desse imenso país, para refletir, celebrar e decidir os novos percursos das águas da 
JUFRA do Brasil.
A entrevista do XVI Caderno é com nossa irmã, muito amada, Moema Miranda, OFS, que irá 
partilhar sobre a situação da Amazônia e explicar os motivos para o Sínodo, esse importante 
momento que nossa Igreja está construindo e vivenciando. Além disso, o Caderno traz uma reflexão 
sobre a Campanha da Fraternidade desse ano. Iremos refletir sobre o tema, relacionando-o com 
o nosso carisma.
Falando em carisma, fazemos uma leitura do momento difícil que vivemos. O ano de 2019 mal 
começou e já tivemos algumas tristezas no nosso país. Falaremos um pouco sobre mineração no texto 
“Quantas toneladas exportamos de ferro? Quantas lágrimas disfarçamos sem berro?”. O espaço da 
formação chega até às nossas fraternidades com os seguintes temas: Empatia Franciscana, O olhar 
atento de Francisco; Diversidade, pluralidade e marginalização, “O amor não é amado” e Diálogo 
Inter-religioso e Ecumênico: Uma Conversa para Combater a Intolerância. 
Tenho a firme certeza de que serão materiais valiosos nos nossos momentos formativos, nas 
nossas rodas de conversa. E ainda não acabou! Vamos ficar por dentro do documento final do 
Sínodo da Juventude, refletir sobre o diálogo que transmite a ternura de Deus, além dos espaços da 
Animação Fraterna com a reflexão sobre Diálogo entre as gerações, “Ó mestre, que eu procure mais 
compreender do que ser compreendido” e da Assistência, com a mensagem tão terna de ser menor 
e servir: Eis a nossa Missão! 
As duas prioridades do nosso triênio também fazem parte dessa riquíssima edição. A IMMF continua 
nos provocando para ações para que seja uma prioridade constante nas nossas fraternidades, nos 
diversos níveis. Finanças, com a mais nova publicação de um Manual exclusivo, conversa um pouco 
sobre o dom da partilha que é a contribuição fraterna. 
Por fim, o espaço mais lindo do nosso Caderno (BAIXE AQUI!): o encarte da IMMF, com o tema “Símbolos 
Franciscanos”. Rendemos louvores ao Altíssimo pelas inúmeras bênçãos na nossa caminhada e, 
motivados/as pelo tema do nosso Congresso, somos convidados a assumir com convicção o dom da 
profecia, assumir a nossa juventude enquanto forma de anunciar e denunciar. Somos convocados, à 
luz do carisma, a sermos autênticos seguidores de Francisco, Clara e Rosa na construção do mundo 
mais justo, humano e fraterno. Somos desafiados a sermos rios e fontes, que, por onde passam, 
fazem germinar a terra, fazem crescer a planta, sendo o alento de Deus a quem tem sede, de água 
e de justiça.

Juliana Caroline Gonçalves Almeida
Secretária Nacional de Formação 
(2016-2019)
“Vamos começar a servir a Deus, meus irmãos/ãs, porque até agora fizemos pouco ou nada” (1Cel 103, 3)




Entrevista  - Teólogo Pe. Paulo Suess    
“Dar um rosto amazônico à Igreja significa descolonizar a Igreja. ”]


Paulo Suess é doutor em Teologia Fundamental, fundador do curso de Pós-Graduação em Missiologia, na então Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, assessor teológico do Conselho Indigenista Missionário – Cimi e professor em várias Faculdades de Teologia no ciclo de Pós-Graduação em Missiologia.

Entre suas publicações, estão Introdução à Teologia da Missão (Petrópolis: Vozes, 4a ed., 2015); Dicionário de Aparecida. 40 palavras-chave para uma leitura pastoral do Documento de Aparecida (São Paulo: Paulus, 2007); Dicionário da Evangelii gaudium (São Paulo: Paulus, 2015); Missão e misericórdia - A transformação missionária da Igreja segundo a Evangelii gaudium (São Paulo: Paulinas, 2017) e Dicionário da Laudato si’ – Sobriedade feliz (São Paulo: Paulus, 2017).




1. A importância e a preocupação com a realidade da Amazônia e dos diferentes povos que nela habitam foram destacadas no Documento de Aparecida (DAP 475). De lá para cá, o senhor avalia que a Igreja no Brasil obteve avanços nesse tema? Sim, não? Quais?

Na consciência da Igreja institucional, como a CNBB, houve um avanço, que ainda não chegou suficientemente às nossas bases paroquiais, sobretudo aquelas que não pertencem à região amazônica. Em 2003, foi criada, na CNBB, a “Comissão episcopal pastoral especial para a Amazônia”, com o objetivo de sensibilizar a sociedade brasileira em relação à Amazônia, seus habitantes e sua ecologia, suas matas e suas águas. No total, são 56 dioceses. A Comissão para a Amazônia foi responsável por encontros das pastorais sociais, do grupo Igreja e Mineração, de 15 seminários sobre a Encíclica Laudato Si. O presidente da Comissão para a Amazônia, cardeal Claudio Hummes, tem feito um trabalho missionário extraordinário de visitar praticamente todas as regiões da Amazônia.
Na ampliação do trabalho da Comissão fora do Brasil destaca-se a participação na criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam). A Repam foi fundada em setembro de 2014, em Brasília (DF) através das seguintes entidades: o Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Secretariado da América Latina e Caribe de Caritas (SELACC), a Confederação Latino-americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas (CLAR). O objetivo dessa rede é abrir caminhos de diálogo e de solidariedade entre as igrejas locais na região e repensar “novos caminhos” para as relações de proximidade com as populações e com o meio ambiente. A Repam abrange os nove países que formam a Bacia Amazônica: Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. O trabalho da Repam tem três frentes: o mapeamento da realidade, a formação das comunidades e das lideranças, e a comunicação, que é um desafio pela grande extensão geográfica.
 
2. O senhor é parte da Comissão Preparatória no Sínodo Pan-Amazônico, certo? Como se deu a construção desse documento? Houve contribuição de cientistas, teólogos, leigas? (Só pra eu entender a construção desse texto).

A Repam foi encarregada de construir a primeira versão do Documento Preparatório, com indicações do presidente da Congregação dos Sínodos, o cardeal Baldisseri. Em seguida, a Repam pediu aos cinco especialistas, escolhidos por várias instâncias e nomeados por Claudio Hummes, para cada um elaborar, em tempo recorde, um texto com duas ou três páginas a partir de sua especialidade. Para cada autor foi previamente indicado um tema bastante amplo. Depois se elaborou uma síntese desses trabalhos, com caraterísticas de um texto homogêneo. Entre os participantes dessa elaboração havia leigos, padres, uma mulher e um indígena. Esse texto inicial foi revisto pelo Secretariado do Sínodo, de Roma, que o reestruturou, sem grandes intervenções de conteúdo. Depois foi apresentado à Comissão Pré-Sinodal, que o discutiu, na presença do papa, e que teve toda possibilidade de interferir e propor mudanças.

3. O Sínodo quer buscar caminhos e dar um rosto amazônico à Igreja. Que caminhos são estes? Qual deve ser o rosto de uma Igreja Amazônica?

Quando o papa propõe, no subtítulo que ele escolheu para o Sínodo da Amazônia, “novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, deve ser porque os antigos caminhos não deram certo. Não deram certo por causa das distâncias e por causa da diversidade. Em muitas comunidades se celebra uma ou duas vezes por ano a Eucaristia e o rosto dessas celebrações é muito mais romano do que amazônico. Dar um rosto amazônico à Igreja significa descolonizar a Igreja.

4. Quais as consequências práticas que este Sínodo pode trazer à realidade pastoral, litúrgica e clerical das comunidades?

No Documento Preparatório foi descrita a realidade e os leitores foram convidados para responder um questionário apresentando propostas concretas. Nós os redatores do documento não queríamos antecipar com propostas. Porque a missão do Sínodo é escutar os povos da região. Em Puerto Maldonado/Peru (19.01.2018), o papa solicitou aos povos indígenas: “Ajudai os vossos bispos, ajudai os vossos missionários e as vossas missionárias a fazerem-se um só convosco e assim, dialogando com todos, podeis plasmar uma Igreja com rosto amazônico e uma Igreja com rosto indígena”. Não queremos nos antecipar com propostas concretas às respostas dos povos da região.

5. O Vade Mecum fala que a Igreja precisa assumir transformações com espírito profético para o bem do povo de Deus? Que transformações seriam essas?

Não vamos nos conformar com as ameaças de vida aos povos amazônicos nem com a destruição de seu meio-ambiente, que é sua fonte de vida. Novamente vamos ouvir a voz do Papa Francisco, em Puerto Maldonado: “Provavelmente, nunca os povos originários amazônicos estiveram tão ameaçados nos seus territórios como o estão agora. A Amazônia é uma terra disputada em várias frentes, [...] de grandes interesses econômicos cuja avidez se centra no petróleo, gás, madeira, ouro e monoculturas agroindustriais”. Nossa solidariedade, nossa denúncia profética e nosso anúncio evangélico fazem parte do nosso ser cristão e da nossa “conversão pastoral” (EG 27, 32), que é uma “conversão permanente” (DAp 382). O Capítulo I, da EG, é integralmente dedicado “à transformação missionária da Igreja” (EG 20-49.

6. Quais são as características de uma Igreja em saída? A Igreja católica brasileira é hoje uma Igreja em saída, como pede a Exortação Apostólica Evangelli Gaudium?

A “Igreja em saída” (EG 20ss) é uma Igreja missionária, que tem suas portas abertas para o outro e os pobres entrarem e para “sair da própria comodidade” para “as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20). A Igreja em saída é um horizonte, uma dinâmica de caminhar e semear “sempre mais além” (EG 21). Quanto mais nos aproximamos ao horizonte mais ele se afasta. Para ser uma Igreja em saída, precisamos crescer em simplicidade, proximidade, despojamento e transparência até alcançar a “sobriedade feliz” (LS 224). A saída, o Êxodo, é um convite permanente da vida cristã. A Igreja católica brasileira é constituída por setores que são Igreja em saída e por setores que são Igreja mais preocupada com seus próprios problemas. Precisamos todos aprender que a solução dos problemas internos só encontramos “em saída”.

7. O Documento Preparatório do Sínodo fala em reforma das estruturas da Igreja. Que reformas seriam essas e para que? Para alcançar a quem?

Na reforma das estruturas da Igreja não se trata de comprar carros mais sofisticados ou helicópteros, mas reestruturar a Igreja para garantir uma presença permanente dos ministros e das ministras, ordenadas ou não, nas comunidades. O que me parece necessário é presença nas comunidades e não só visitas. É preciso “saber gastar tempo” com as comunidades e encarnar-se na vida delas. Isso exige descentralizar a pastoral em função das grandes distâncias geográficas e pastorais da região.

8. O déficit de padres na região Amazônica já é constatado. A admissão de padres via viri probati seria capaz de sanar esse déficit? Se não, quais seriam as outras formas? O senhor citou em outras entrevistas a uxores probatae... poderia falar sobre ela?

Precisamos voltar à simplicidade das origens. É bom lembrar o trabalho missionário de São Paulo. Ele ficou alguns meses nas comunidades, ensinou a palavra de Deus e criou estruturas ministeriais até o dia de partida para outra comunidade. Nunca deixou uma comunidade, sem autorizar um membro dessa comunidade para celebrar a Eucaristia. A exemplo de Jesus, na época, geralmente, os escolhidos foram homens, porque se tratou de uma cultura patriarcal. Numa cultura matriarcal, com certeza teria deixado mulheres como ministras da Eucaristia. Quem leva hoje, na ausência de padres, o trabalho pastoral adiante são as mulheres. O Sínodo pode e deve voltar à prática de São Paulo e decidir que, por motivos pastorais, homens provados, na pastoral de uma comunidade, podem ser celebrantes da Eucaristia. Infelizmente, por causa da unidade da Igreja, vai ser difícil, neste momento, discutir o sacerdócio das mulheres. Na perspectiva de certa gradualidade das soluções, o que se poderia discutir hoje, seria o diaconato feminino.

9. Uma das propostas deste Sínodo, ao me parece, é de buscar que a Igreja seja também – ou continue – sendo aquela que denuncia as injustiças a que os mais pobres estão submetidos. Está certo? Podemos admitir que há “setores” da Igreja não comprometidos com os mais pobres e vulneráveis?

O fato que a “opção pelos pobres” sempre presente em documentos ou discursos eclesiais mostra, que há “setores” da Igreja não comprometidos com os mais pobres e vulneráveis. Quem foi realmente radical com a opção pelos pobres foi São Francisco. Nós, da classe média na Igreja, e, às vezes os próprios pobres - os ricos nem comento -, somos todos devedores diante dessa opção. A Igreja sempre se autodenomina como Igreja santa e pecadora.

10. Pensando nos povos que vivem na Amazônia... são muitos os conflitos de terra, o Cimi e a CPT denunciam diuturnamente essa realidade. Esse trabalho é exclusivo a essas entidades? Deveria a Igreja ser mais ativa nessa denúncia?

As Igrejas na Amazônia estão bastante comprometidas e solidárias nesses conflitos. É um trabalho de todos os cristãos, e não pode ser “terceirizado”. O Cimi e a CPT têm a missão de alertar para os conflitos, conscientizar a sociedade, defender os povos originários e repercutir a sua voz diante dos tronos e altares.

11. Pensando nos indígenas... há uma onda de criminalização dos povos indígenas que fazem suas autodeterminações de terra. Como o senhor avalia essa realidade?

A demarcação das terras indígenas é um compromisso que o Estado brasileiro assumiu em sua Constituição Federal de 1988. Os povos indígenas cobram do Estado apenas seu direito. Aliás, na demarcação dos territórios indígenas trata-se de uma devolução de terras indígenas aos seus primeiros proprietários. Os povos indígenas querem apenas terra necessária para viver, não para vender ou fazer negócios.

12. Como se dá ou deve ser o trabalho de evangelização junto aos indígenas? Ainda há a conversão como objetivo? O Sínodo buscará respostas para isso?

Precisa-se levar em conta a situação histórica em que as respectivas comunidades vivem. Umas são católicas, há séculos, e querem viver sua religião católica. Outros são evangélicas e querem viver sua crença evangélica. Ainda outras vivem a sua religião original e querem viver sua religião original. Nós não temos o direito de fazer proselitismo, de menosprezar a religião do outro ou de aliciar para “conversões”. A religião melhor para este momento histórico, os próprios povos devem resolver. A autodeterminação religiosa, é claro, vale também nas aldeias indígenas. O Vaticano II, na sua Declaração Nostra Aetate, sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs, deixou isso claro.

13. O senhor fala em seu artigo “Sínodo para a Amazônia e o Mundo Vade Mecum para uma agenda Mínima”, de uma busca da descolonialidade teológico-pastoral... poderia explicar?

O Sínodo para Amazônia pode ser interpretado como virada descolonial. O que contribui para a “razão colonial” na Igreja e na sociedade? Se agora falamos de um “rosto amazônico” e um “rosto indígena” da Igreja admitimos, que até agora obrigamos essa região a ter um outro rosto, um rosto romano ou europeu. Colocamos, em nosso trabalho missionário, muitas vezes, uma máscara no rosto do outro. Consideramos a missão como um braço da civilização. Hoje compreendemos melhor que a Igreja, como se inculturou, quer dizer, como assumiu a cultura da Palestina ou da Grécia, assim deve também assumir as culturas dos povos indígenas. O Documento de Puebla nos esclareceu: “O que não é assumido, não é redimido” (DP 400). No labor missionário precisamos aprender trabalhar com o culturalmente disponível, e não importar nem impor outra cultura.

14. Qual a diferença de Pastoral Indígena e pastoral Indigenista?

A Pastoral indígena é a pastoral na qual os próprios índios são os agentes pastorais, enquanto a pastoral indigenista é a pastoral indígena feita por agentes não indígenas.

15. A exploração de recursos naturais na Amazônia e os impactos disso alteram os modos de vida e o bem viver de diferentes povos: ribeirinhos, pescadores, quilombolas, indígenas... As conclusões e avaliações do Sínodo, neste sentido, podem ou devem impactar de alguma maneira o modelo neoliberal imposto pelos governos no mundo? Há alguma “ambição” do Sínodo neste sentido?

É claro que a exploração de recursos naturais representa uma intervenção grave na vida da Amazônia. Em Puerto Maldonado o papa nos exortou: “Devemos romper com o paradigma histórico que considera a Amazônia como uma despensa inesgotável dos Estados, sem ter em conta os seus habitantes”. E Francisco recomenda “que os próprios povos originários e as comunidades sejam os guardiões das florestas”. O Sínodo vai despertar para uma “ecologia integral”, como o papa desenvolveu em sua “Encíclica Laudato Si – Sobre o cuidado da casa comum”. O Sínodo não ambiciona destruir o modelo neoliberal. Este modelo vai se autodestruir, quando se esgotarem as fontes de lucro, geradas por territórios incorporados no sistema, novas tecnologias e a aceleração do modo de produção.

16. O Papa Francisco sempre nos convoca a uma conversão ecológica. O que seria isso?

Ao escrever “Sobre o cuidado da casa comum”, o Papa Francisco nos convida na LS a refletir sobre o “cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades” (LS 14). A natureza, como criação de Deus, é um dom, que devemos cuidar bem. Mas muitos cristãos “se burlam das preocupações pelo meio ambiente. Outros são passivos, não se decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes. Falta-lhes, pois, uma conversão ecológica” (LS 217). O zelo pela criação “não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa” (LS 217). A “conversão ecológica faz parte da “conversão integral” de cada um de nós (cf. LS 218).

Fonte Revista O Mensageiro de Santo Antônio - edição de janeiro/fevereiro                      Jornalista Karla Maria



Já me perguntaram mais do que uma vez: existe um método de oração ou meditação franciscana? O jeito franciscano não é de método, mas é mais viver em estado de oração e meditação. Menos técnica e mais vivência. Celano dizia que Francisco era um homem feito oração; e o modo como ele interage com todos os seres, o faz um natural meditativo sem método. Não encontramos nas Fontes um esquema tradicional explicitamente formulado. No cristianismo temos uma bela tradição como a meditação inaciana, o modo beneditino; ou então, meditação cristã que usa o modo oriental. Francisco é do século XIII e os métodos de meditação se fixaram no Ocidente a partir do século XV. O que escrevo aqui parte também de uma conversa com o saudoso Frei Alberto Beckhauser, OFM, com quem andei dialogando sobre isto.
Francisco de Assis, com sua personalidade individual plena de liberdade e uma consequente aversão a esquemas rígidos a serem aplicados a todos, não tem explicitamente uma meditação organizada e isto flui para a sua família franciscana. Mas se quisermos entender um caminho, um método, num sentido mais amplo, como modalidade, estilo ou atitude da alma que se empenha no “tu a Tu com Deus”, o que constitui uma meditação orante, podemos sim extrair, a partir da experiência de Francisco e seus seguidores, um exemplo e um ensinamento. Não existe um método franciscano de meditar ou orar, mas existe, sim, uma meditação orante que podemos qualificar como franciscana, pois a alma de Francisco não encontra obstáculos como a preocupação de exercício estudado e treinado.
Francisco de Assis não prescreveu aos seus discípulos formas e métodos de meditação e oração. Fez a sua experiência e deixou a seus frades a mais ampla liberdade, a fim de que cada um, exercendo suas faculdades pessoais, procurasse entender as inspirações do Senhor. Frei Alberto fala de um “cavalheirismo seráfico”, isto é, partir para a aventura de descobrir a bondade de Deus e o espetáculo de seu Amor em tudo o que existe. E para isto existe os caminhos da fraternidade conventual à fraternidade cósmica. Uma das paixões de Francisco era esconder-se sozinho nos bosques, frestas e grutas, separado de tudo e todos e ali entregar-se às reflexões sobre Deus e suas qualidades, sobretudo onde Ele é Belo e Bom. Ao conhecer o Criador conhecia-se cada vez mais como Criatura. Fazia um encontro entre Verdade e Realidade que vazava em preces breves como esta: “Senhor, quem sois vós e quem sou eu? Vós, o Altíssimo Senhor do céu e da terra; e eu um miserável vermezinho vosso ínfimo servo!” Ou aquela prece de atravessar noite: “Meus Deus e meu tudo!”
Este seu jeito de ser Fraternidade fazia uma imersão na Fraternidade Divina, a Trindade Santa, e exclamava com o coração incontido: “Ó quão glorioso e santo e grande é ter no céu um Pai! Ó quão santo e belo e deleitável é ter no céu um Esposo. Ó quão santo, dileto, aprazível e humilde, tranquilizante e doce e amorável e sobre todas as coisas desejável é ter semelhante Irmão, que deu a vida pelas suas ovelhas!” (Carta aos Fiéis, 54-56). Diz Frei Constantino Koser, OFM: “A riqueza infinita de Deus Uno e Trino, do Mistério Inefável, fundamento da vida espiritual franciscana, se refrata de modos incontáveis na retina finita da inteligência e da vontade criada. Aspectos mil há em Deus, cada qual mais amável, cada qual mais digno de consideração, cada qual por si só suficiente para a plenitude da felicidade extática pelas eternidades sem fim. A mentalidade de cada qual se espelhará nos atributos a que der preferência em suas meditações e preces. São Francisco deu preferência aos atributos que, em conjunto, manifestavam Deus como um Soberano de cavaleiros:  a grandeza, a glória, a sublimidade, a delicadeza na suavidade, modos corteses e finos, a justiça, a misericórdia, mas, mais que tudo, a bondade “  (Koser, Constantino, O Pensamento Franciscano, 15-16).
Assim meditando, contemplando, orando e saboreando, Francisco de Assis mais e mais submergia em Deus e acabava sentindo-se assoberbado pela majestade divina e ao mesmo tempo sublime, terrível, suave e delicada. E quando em seus arroubos se sentia irremediavelmente perdido, mergulhava na consideração da bondade divina, degustando a palavra em todas as formas: “Onipotente, santíssimo, altíssimo e sumo Deus, todo o bem e sumo bem, toda graça, toda glória, toda honra, toda a bênção e todos os bens vos tributamos para sempre”


Para meditar com Francisco de Assis é preciso mergulhar sem cessar e demorar-se bastante neste atributo divino: Deus é bom! E aqui voltamos novamente a Frei Constantino Koser, OFM: “Três letras apenas, mas que envolvem em si e evocam para Francisco toda a imensidade de mistérios sublimes e suaves, o seu Deus. O mais indefinível de todos os termos, o mais pleno de conteúdo, o de maior alcance, o mais divino, o mais semelhante ao próprio Deus Uno e Trino: Deus é bom. “Só Deus é bom” (Lc 18,19). “Deus caritas est”” (1Jo 4,16) (O Pensamento Franciscano, p.16).

“O Deus Uno e Trino no princípio parece um deserto, não porque o seja, mas porque a alma é incapaz de entender e de o amar. Aos poucos, à medida que o cavalheirismo, amparado e sobrenaturalizado pela graça divina, invadir o que parece deserto, ver-se-ão as flores, os encantos, a doçura, ver-se-á Deus Pai, Filho e Espírito Santo a abraçar divinamente suas criaturas, assemelhando-as mais e mais a Si mesmo em suavidade e bondade indizível. O conhecimento de Deus não dará trégua ao amor de Deus, e o amor de Deus não dará trégua ao conhecimento de Deus, estimulando a inteligência na busca do conhecimento cada vez mais profundo. Na medida em que aprofunda o conhecimento amoroso de Deus, nesta medida se conquista para Deus. Mas para que seja franciscano o modo de conhecer a Deus, é preciso que de fato o amor seja o incentivo da inteligência, o motivo e o estímulo de todas as horas e de todos os esforços” (O Pensamento Franciscano, p. 17).
Ao meditar o amor de Deus desafiava o amor: exigia insistentemente a resposta do amor. Sublime vocação das criaturas, de poderem amar a Deus. Privilégio excelso dos cavaleiros de Deus, de o poderem amar tão singularmente. Neste sentido, Francisco de Assis deu exemplo nas formas mais acabadas, mais completas, mais ardentes e mais sublimes. Clamava amargurado e feliz ao mesmo tempo pelo desejo desta felicidade do Amor: “É preciso amar muito a o Amor daquele que muito nos amou” (2Cel 196). Esta atitude radical de resposta de amor ao amor, ele expressou na Regra Não Bulada, capítulo 23: “Amemos todos de todo coração, de toda mente, e fortaleza, e com toda a inteligência, com todas as forças, com topo empenho, com todo afeto, do íntimo da alma, com todo o desejo e vontade ao Senhor Deus. Criou-nos e nos remiu, salvou-nos em pura misericórdia, cumulou-nos a nós (...) ingratos e tolos e maus, com todos os bens, e continua a cumular-nos. Nada pois, desejemos, nada queiramos, nada nos agrade ou alegre, a não ser o Criador, Redentor e Salvador nosso, o Deus único e verdadeiro que é o bem todo e verdadeiro, o supremo bem, o único bem.  É misericordioso e meigo e doce; Ele só é santo, justo, verdadeiro e reto; Ele só é benigno, inocente e casto; Ele de quem e por quem e em quem está todo perdão, toda graça, toda glória, de todos os penitentes e justos, de todos os santos que no céu conjuntamente se alegram. Quem nos dera que nós todos, em toda parte, em toda hora e em todos os tempos, todos os dias e continuamente creiamos, louvemos, bendigamos, glorifiquemos e sobreexaltemos; engrandeçamos e rendamos graças ao Deus Altíssimo e Supremo e Eterno, à Trindade e Unidade, ao Pai e ao Filho, ao Espírito Santo, ao Criador de todos. Para todos os que nele creem e nele esperam e o amam, é Ele sem princípio e sem fim, imutável, invisível, inenarrável, inefável, incompreensível, ininvestigável, bendito, louvável, glorioso, sobreexaltado, sublime e excelso, suave, amável, deleitoso e todo desejável mais que todas as coisas por todos os séculos sem fim. Amém”. A meditação e oração em Francisco de Assis são palavras que jorram abundantemente do manancial de sua alma.



Na Criação. Francisco de Assis gostava de meditar e orar a grandeza do amor de Deus que se manifesta na Criação, um espetáculo de beleza e bondade, de graça e magnitude de tudo o que forma o universo dos seres que a povoam e que revelam, umas e outras, o poder e a sabedoria do Criador. Todas as criaturas arrancam da alma de Francisco de Assis aquele Cântico de louvor às Criaturas, mas é ao Altíssimo que ele dirige suas palavras. É um Cântico completo de louvor e glória, de honra e bênção ao conjunto de todas as criaturas que revelam em suas qualidades as qualidades de Deus. É o Cântico da Irmandade de todos os seres, grandes ou pequenos, os irracionais e os racionais, todos na mesma origem.
Francisco de Assis medita o Deus Pai que tirou todos os seres do nada e os conserva em seu Ser a cada momento. E todos são companheiros no mesmo destino de louvar a Deus. As irracionais, pelo seu modo harmonioso e belo, seguem a ordem estabelecida. As criaturas racionais, como o ser humano, devem tomar consciência desta ordem e abraçá-la com liberdade e amor. Francisco de Assis sente isto como a sua grande missão durante toda vida, aqui no mundo e em toda a eternidade. Ele quer ser um alegre trovador que medita e canta e quer que todos sejam trovadores de Deus, de um modo amoroso e alegre, este é o modo de vida franciscana.

No Filho de Deus. O centro do amor de Deus se manifesta em seu Filho, Jesus Cristo. Francisco de Assis se encanta com o Filho de Deus, humano, um de nós, irmão, pobre, servo de todos. Por isso a convergência da meditação franciscana é a Encarnação. Tudo o que manifesta este Amor de Deus por nós, através de seu Filho, é objeto da sua contemplação, meditação e oração. É seu entusiasmo seráfico, é a sua resposta de amor. Onde isto se torna ainda mais evidente?

No Presépio. É aí que Francisco de Assis reinventa a cena do Evangelho e a representa ao vivo em Greccio. O Presépio é a meditação da Encarnação; é imitado até os dias de hoje pela piedade cristã.

Na Cruz. Desde o início de seu processo de conversão a Cruz era o que mais comovia Francisco de Assis. Chorava a paixão pelas trilhas dos bosques. (LTC 15). Compõe o Ofício da Paixão para rezar todos os dias como especial sinal de reverência e compaixão pelos sofrimentos do Filho de Deus. A sua conhecida prece nos recorda esta verdade: “Absorvei, Senhor, eu vos suplico em meu espírito, e pela suave e ardente força de vosso amor, desafeiçoai-me de todas as coisas que debaixo do céu existem, a fim de que eu possa morrer por vosso amor, ó Deus, que por meu amor vos dignastes morrer”.

Na Eucaristia. Um amor perpetuado feito alimento sagrado. Na carta escrita a todos os Irmãos e Irmãs, Francisco revela uma visão cósmica dos mistérios da redenção presente na Eucaristia. Implora aos Irmãos e Irmãs, beijando os pés, que prestem total reverência e toda honra ao Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor.
Na Fraternidade. O Filho de Deus se fez irmão e servo. A Fraternidade refaz os vestígios de Jesus Cristo de modo radical: ser Irmão e Irmã, Menores, simples e pobres, por Amor e a serviço de tudo e de todos. Fazer o bem a alguém é fazer a Cristo. Ele via o Rei dos reis em cada irmão e irmã, por mais mínimos que eles fossem: pobres, leprosos e enfermos.

Na Sagrada Escritura.
 Para Francisco de Assis, a Palavra de Deus é fonte de meditação e oração. Fazia paráfrases de trechos da Sagrada Escritura e tinha grande amor pelos teólogos que explicavam a Sagrada Escritura com Espírito e Vida.

Na Igreja. Ele ama incondicionalmente a Mãe Igreja. Por ela se faz homem católico e apostólico. Respeita os que formam a Eclesiologia, contemplando neles a vontade do Senhor. Leva para dentro da Igreja a mensagem vital e revigorante da Boa Nova.

Em Maria. A Virgem feita Igreja. Rainha da Ordem, do céu e da terra, pobre e despojada como seu Filho.

Na morte. Ela é a irmã que abre a porta para a plena harmonia. Ela é a bem-aventurança da alegria pela conquista da vida eterna, ela é o acorde final de uma grande sinfonia de amor.




FRANCISCO DE ASSIS: MEDITAÇÃO E ORAÇÃO – FINAL


Tudo o que lembra a bondade de Deus leva Francisco de Assis à contemplação e à ação. Por isso, Francisco não tem lugar nem método fixo de oração, mas sim uma livre expressão em diversas formas. Vamos comentar brevemente algumas:

Retiro Franciscano: O retiro franciscano é a experiência eremítica. Recolher-se para colher. Ir para um lugar afastado, ficar um tempo e de lá sair. Sair dos rumores do tempo para meditar os atributos de Deus. No Carceri, no Monte Alverne, Fonte Colombo, ali nestes lugares encontrava espaço e tempo para silêncio e prece. O eremo não é lugar para ficar, mas sim para sair em direção a todos para anunciar as maravilhas encontradas ali.

Leitura e Meditação da Sagrada Escritura: Francisco de Assis fez da Palavra um grande Amor em sua vida. Traduziu literalmente a Palavra em sua vida. A seguia sine glosa, isto é, sem alteração. Ler, encarnar, viver a Palavra de um modo puro, concreto e simples.

Paixão de Cristo: Foi o seu mais rico livro de meditação pessoal. Onde o Amor de Deus é capaz de chegar! Descobrir este Amor, responder ao Amor e reconstruir-se a partir deste Amor.

Natureza:  Outro vasto texto de meditação de Francisco. Imagem nos olhos, Palavra nos lábios. Olhar e contemplar. Ver a grandeza de Deus nos detalhes de minerais, vegetais, animais, tudo na mais perfeita irmandade. Criaturas do mesmo Pai, vestígios da Beleza de Deus. Meditar passando pelo filtro da natureza e aí louvar, agradecer, extasiar, admirar. No coração fazer pulsar o Cântico das Criaturas.
Fraternidade: Expressão de nosso Pai comum. Lugar de Irmãos e Irmãs. Lugar de restaurar a vida com o jeito de Jesus. Servir o semelhante, alegrar-se com ele, confraternizar-se com ele.

Trabalho: Também é oração e meditação. Diz Francisco de Assis: “ Os irmãos, aos quais o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhem com fidelidade e devoção, de maneira que afugente o ócio, inimigo da alma; e não percam o espírito de oração e piedade, ao qual devem servir todas as coisas temporais”. (Rb 5).
Horas de Quarto: Para Francisco de Assis, a cela, ou o quarto não é de madeira, pedra ou tijolo, mas de carne e osso; e não se acha incrustada num convento, mas acompanha ocupante para onde quer que vá. Diz o Espelho da Perfeição: “É o nosso corpo a nossa cela, e a nossa alma se encerra nele como um eremita em seu cubículo para quietamente meditar e orar a Deus”.

Esta é meditação franciscana, que se faz de maneira espontânea no retiro, na natureza, na convivência fraterna, no trabalho, onde podemos e devemos encontrar a paz e a alegria. Paz de consciência, paz da ação de graças, paz da realização de participar do grande Amor de Deus, de ser irmão e irmã de toda humana criatura e de todos os seres.

FREI VITÓRIO MAZZUCO




AMBIENTAÇÃO
                    
Sugere-se preparar o local com antecedência, um ambiente acolhedor com a Bíblia, a Imagem da Sagrada Família, vela, o Crucifixo de São Damião e fotos de famílias. Sugerimos que este encontro seja realizado nas casas dos irmãos da fraternidade, para que nos ajude na reflexão sobre os desafios enfrentados pelas nossas famílias.

ACOLHIDA

Amados irmãos e irmãs Paz e Bem! Sejam todos bem vindos a este encontro de fraternidade. Hoje somos convidados a refletir sobre o tema: “Sagrada Família: A Família de Jesus e a Nossa.” Queremos compreender que o Deus Criador se manifesta em nossas famílias, nas suas diversas configurações, nos mais variados aspectos de Pai misericordioso. Peçamos a ele que nos conduza neste encontro não somente de família “lar” mais também de família de filhos de Deus.

ORAÇÃO INICIAL

Iniciar fazendo a Oração Pai Nosso seguido de três Ave Marias
Canto: Arquitetura Divina disponível em:
Em seguida concluir com a Oração:

Deus e Pai Nosso, nós vos pedimos que infunda em nossas famílias a coragem de amarmos uns aos outros com a mesma fidelidade que seu filho Jesus nos amou. E que a exemplo da Sagrada Família e sob o auxílio e proteção dos Nossos Pais Seráficos São Francisco e Santa Clara de Assis sejamos Santuário de amor e Paz, especialmente para as famílias mais atribuladas de nossa sociedade. Que haja comunhão de amor e justiça para todos, assim nós vos pedimos pela intercessão de Maria aquela que nos amou desde o princípio. Amém!

DINAMIZANDO O TEMA
Indicamos a realização da dinâmica abaixo, mas caso a fraternidade conheça outra que seja conveniente com o tema proposto pode aplicar.
Teia da Família
Objetivo: apresentar aos participantes de uma forma lúdica e mostrar a todos nós que estamos inseridos em uma rede de relações.
Materiais: barbante e tesoura.
Desenvolvimento:
1- em círculo, peça para cada pessoa que se apresente falando qual o significado da “Família” e qual a relação entre sua Família e a Sagrada Família. Ao terminar jogar o barbante para uma pessoa a sua escolha.
2- antes de jogar é melhor desenrolar o barbante para não criar dificuldade no movimento.
3- depois que todos jogarem, peça para observarem o desenho formado, refletindo no que podemos pensar a respeito. Exemplos: o Valor da Família, como a ação de um reflete no outro, como está a relação nossa como Jovens “Jufrista” nas nossas famílias.

LEITURA BÍBLICA

Hebreus 12, 7-10
Carta de São Paulo aos Colossenses  3, 12-21

Após a leitura bíblica propor aos irmãos reflexão diante de algumas perguntas:
1- quais são os obstáculos atuais para a vivência do discipulado familiar?
2- por que a família princípio de Deus, é tão importante para a sociedade?
3- em sua comunidade existe algum apoio para as famílias que vivem sob conflitos de vícios?
4- quais os valores que cultivamos em nossas famílias?
5- estou consciente de ser fermento para a vida social da minha família?

Leitura complementar
Eclo 3, 3-7.14-17a


Encerrar com o texto a baixo
Canto: Oração da Família(Padre Zezinho) disponível em:

ORAÇÃO FINAL

Oração de Santa Clara às Famílias.
Querida Santa Clara, que fostes motivo de alegria e orgulho, santa para os vossos pais e irmãs, que soubestes lhes retribuir o amor e a dedicação com que vos cercamos desde o berço, eu vos consagro minha família e todos que comigo convivem. Bem vedes, querida Santa Clara, como são difíceis os tempos em que vivemos, quando o amor e a fidelidade familiar se tornam quase impossíveis. Sei, contudo, que a Deus nada é impossível e que com fé e confiança, tudo se alcança. Por isso, imploro confiante: visitai nosso lar, permanecei conosco e, já que sois mais clara que vosso próprio nome, clareai nossa mente e nosso coração, para que possamos permanecer unidos entre nós e, sobretudo, permanecer fieis a Deus. Amém!


A Igreja através do Papa Francisco tem se preocupado com a importância da família, devido os grandes conflitos do mundo atual. Família não são conflitos disse o Papa em sua viagem à Cuba (set\2015) “São a maior herança que podemos deixar ao mundo”. A palavra de Deus Nos ajuda a entender a “Família” a partir da maternidade de Maria e na missão assumida por ela na criação e educação do filho de Deus. Desde o início mesmo sem experiência e maturidade, mas convicta ao chamado e presente de Deus ela junto a seu esposo José protagonizaram o modelo de Família constituído pelo filho de Deus. Uma família que enfrentou muitos desafios na fuga para o Egito por causa da morte do seu filho na Cruz. Podemos observar que Maria se mantem fiel e perseverante na fé e na oração. Contudo, podemos deixar-nos inspirar pelo ícone da visita de Maria a sua prima Isabel (Lc,39 -56). “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou de alegria no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espirito Santo. Então, erguendo a voz exclamou: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”.
 Este acontecimento nos mostra a necessidade do “diálogo” na família, pois após a saudação de Maria, João o precursor de Jesus já consegue reconhecer a presença do Salvador. Com efeito este tem sido um grande desafios principalmente para os jovens aprender a se comunicar no meio familiar. Pois o mundo tornou-se sombrio e os afetos cada dia mais frágeis e pouco duradouros.
É necessário despertamos e refletir sobre a nossa consciência muitas vezes adormecidas sobre os desafios que precisam ser superados para que possamos imitar a Sagrada Família. Não podemos escapar da responsabilidade de protagonizar uma sociedade melhor, uma vez que ela só será melhor quando as nossas famílias forem melhor.
É necessário que nossas famílias aprendam do jeito de Deus ser e agir com nossos filhos e filhas para que possamos transformar o nosso agir para com os outros. E assim busquemos salvar aquelas famílias que estão perdidas, curar as que estão feridas e dar a todos a oportunidade de ser bom novamente.
Deus deu a Igreja e a família as condições necessárias para exercerem esta missão diante de todas as ameaças que tornam carregadas a sociedade em que vivemos.




Por Daiane Késsia
Formadora Regional NE A1(MA)




“Celebrava com inefável alegria, mais que todas as outras solenidades, a Natividade do Menino Jesus, afirmando que era a festa das festas...”.

            São Francisco de Assis, o Santo apaixonado pelo modo como Deus fez morada no mundo assumindo a condição humana, sempre deixou claro o seu desejo de viver o Evangelho e procurava a cada minuto estar unido a Vida do Cristo, a sua Encarnação e a sua Paixão. O Santo de Assis adorava a simplicidade, a humildade e a pobreza de Deus no Mistério da Encarnação. “Deus armou sua tenda entre nós, e vimos sua Glória, e da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça.”(Jo 1,14-16).
Era o ano 1223 e nasce no coração de Francisco o desejo de transformar a cidade de Greccio em “uma nova Belém”. Surge assim o primeiro presépio, a cena da Encarnação do Filho de Deus. Francisco desejava experimentar e reviver na própria carne, o mistério e o encantamento, o amor e a dor, a contradição da glória divina revelada na pobreza do Filho de Deus. Assim, procurou uma forma didática, em um lugar simples enriquecido de muita ternura e amor, para representar e celebrar a noite do nascimento do Menino Deus. Contou com a ajuda de João, seu grande amigo, bom homem com uma grande nobreza de espírito. Era preciso que todas as pessoas sentissem e vissem o Mistério do Natal mais de perto, contemplar e ver o nascimento de Jesus com toda sua pobreza, deitado numa manjedoura.
“ Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro...”
Chegou o grande momento da alegria! João preparou tudo como Francisco pediu. Foram chamados os irmãos, irmãs, mulheres, homens, camponeses e crianças. Todos com ânimos exultantes chegaram ao local com tochas para iluminar ainda mais aquela noite. Francisco compôs a cena: a imagem do menino Deus, uma manjedoura, palhas, Maria e José, o boi e o burro, os pastores, as ovelhas e os anjos. Honrando a simplicidade  e louvando a pobreza Greccio tornou-se “ a Nova Belém”.
“...A noite ficou iluminada como o dia: era encanto para os homens e para os animais. O povo foi chegando e se alegrou com o mistério renovado em sua alegria toda nova. O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros. Os frades cantavam, dando os devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava. O santo estava diante do presépio  a suspirar, cheio de piedade e de alegria. A missa foi celebrada ali mesmo no presépio, e o sacerdote que a celebrou sentiu uma consolação jamais experimentada.”
Francisco cantou o Santo Evangelho com uma voz doce e clara. Abraçou a imagem. Tomou a imagem em seus braços e enquanto isso acontecia a imagem tomou vida! Um Grande Milagre! Todos ficaram maravilhados! Com a ternura do presépio, Francisco iluminou e reascendeu a fé que estava adormecida, estimulando o renascimento no coração daquele povo. “Quando terminou a vigília solene, todos voltaram contentes para casa.”
             A notícia da Celebração do Natal se espalhou pelas comunidades da região que começaram a montar seus presépios nas Igrejas e Catedrais. Séculos mais tarde veio o costume de montá-los em suas casas. A descrição de Celano falada na sua biografia de um modo vivo deu origem a essas diversas representações, caracterizando assim o presépio como uma das diversas tradições do Natal. Essa tradição nos traz muita luz e beleza, cada elemento que circunda tem um papel importante: a sagrada família, a palha, a manjedoura, os reis magos, os pastores, as ovelhas, o boi, a vaca, os anjos e quem sabe, em muitos presépios é colocada a figura do “Sol de Assis”. Símbolos da noite da Alegria, seja em Belém, seja em Greccio. 
            Francisco recriando o Presépio Celebrou e Reviveu o Mistério do Natal. Mergulhou nesse Mistério e nos deixou um grande ensinamento. Greccio é o coração de cada irmão, de cada irmã neste mundo tão necessitado de sentir e encarar como ele o verdadeiro Amor. Somos convocados à luz do Carisma recordar e reencontrar a humanidade, a Fraternidade e a ternura de Deus presentes no presépio.

PAZ E BEM!

Juliana Caroline Gonçalves Almeida
Secretária Nacional de Formação  Jufra do Brasil

Referências:
Fontes Franciscanas - Tomás de Celano (Primeiro Livro)