Blog de Formação

As exigências da nossa fé



By  Juventude Franciscana JUFRA) do Brasil     17:15     

(Formação cristã em preparação para as eleições. Proposta de momento reflexivo/celebrativo.)

ORAÇÃO INICIAL
Senhor nosso Deus, Tu nos acompanhas em nossa vida, estamos reunidos, como irmãos e irmãs, em torno da Tua Palavra. É o Senhor quem nos dá forças, não nos deixa desanimar. Assim como Jesus, queremos que a vida prevaleça, que a paz reine no mundo. Iniciamos nosso encontro, colocando-nos na presença da Trindade Santa: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Diz o Senhor: “eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Como cristãos, somos anunciadores do Evangelho, promotores da vida, amantes da justiça, irmãos de todas as criaturas. Envia sobre nós o Teu Espírito, capaz de inflamar o nosso coração, e de nos fazer misericordiosos, segundo a Tua Palavra.

Cantemos: Envia Teu Espírito Senhor e renova a face da Terra.
Rezemos juntos o salmo 15
Lado A: Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte santo habitará?
Lado B: É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente.
Lado A: Que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua.
Lado B: Que em nada prejudica o seu irmão, que não cobre de insultos seu vizinho.
Lado A: Que não dá valor algum ao homem ímpio, mas honra os que respeitam o Senhor.
Lado B: Que sustenta o que jurou, mesmo com dano, não empresta seu dinheiro com usura.
Todos: Nem se deixa subornar contra o inocente jamais vacilará quem vive assim. Neste encontro, trazemos presentes todas as pessoas de nossas comunidades, sobretudo as que estão passando por momentos difíceis em suas vidas. Estamos em comunhão com todos os injustiçados da Terra, todas as crianças e jovens sem sonhos e sem brilho nos olhos.

Cantemos:
Levanta-te, chega pra cá e vem para o meio! Levanta-te, une teu canto a nosso cantar! Levanta-te, chega pra cá e vem para o meio! Levanta-te, vem companheiro(a) à vida brindar!

Rezemos pelos nossos governantes, para que se deixem inspirar pelo Deus de Justiça e bondade. Rezemos por todo o povo brasileiro, que este ano irá escolher seus novos representantes. Por todas as pessoas da Terra, de todas as raças e línguas, culturas e religiões, que saibamos construir um mundo justo e fraterno, melhor de se viver e para deixarmos de herança para nossos filhos.
Rezemos o Salmo 45 (46) (alternado, em grupo ou cada pessoa lendo um tracinho)
– O Senhor para nós é refúgio e vigor, * sempre pronto, mostrou-se um socorro na angústia;
– assim não tememos, se a terra estremece, * se os montes desabam, caindo nos mares,
– se as águas trovejam e as ondas se agitam, *se, em feroz tempestade, as montanhas se abalam:
– Os braços de um rio vêm trazer alegria * à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo.
– Quem a pode abalar? Deus está no seu meio! * Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la.
– Os povos se agitam, os reinos desabam; * troveja sua voz e a terra estremece.
– Conosco está o Senhor do universo! * O nosso refúgio é o Deus de Jacó!
– Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus * e a obra estupenda que fez no universo:
– reprime as guerras na face da terra, † ele quebra os arcos, as lanças destrói, * e queima no fogo os escudos e as armas:
– ‘Parai e sabei, conhecei que eu sou Deus, * que domino as nações, que domino a terra!’
– Conosco está o Senhor do universo! * O nosso refúgio é o Deus de Jacó!
Todos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

AS EXIGÊNCIAS DE NOSSA FÉ
Motivação
Queridos irmãos e irmãs, sejamos todos bem-vindos a este nosso encontro. Hoje faremos um caminho muito importante. Nele vamos refletir sobre a relação estreita que há entre nossa fé e a política. Queremos um mundo novo, mais justo, com oportunidades para todos. Isso não vai cair do céu, passará pelas instâncias da política. Neste primeiro encontro, vamos refletir sobre as exigências de nossa fé. Antes de tudo, temos de nos lembrar de que a primeira exigência da fé se dá na síntese dos Mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Ter fé é entregar o coração a Deus, e agir em favor dos irmãos e irmãs à nossa volta.

Canto
1. Eu venho do Sul e do Norte, do leste do oeste, de todo lugar. Estradas da vida eu percorro, levando socorro a quem precisar. Assunto de paz é meu forte, eu cruzo montanhas e vou aprender: o mundo não me satisfaz, o que eu quero é a paz, o que eu quero é viver.
No peito eu levo uma cruz, no meu coração o que disse Jesus (2x)
2. Eu sei que não tenho idade da maturidade de quem já viveu. Mas sei que já tenho a idade de ver a verdade o que quero é ser eu. O mundo ferido e cansado de um triste passado de guerras sem fim, tem medo da bomba que fez e da fé que desfez, mas aponta pra mim.

Um olhar em Jesus
Leitor 1: Somos discípulos e discípulas de Jesus. Em sua vida, o Mestre de Nazaré foi sinal de vida e esperança para muitos que se aproximaram dele. Aqueles que estavam jogados à margem da vida, Jesus fez caminhar, fez ver um mundo diferente, escutar outras vozes. Saciou os famintos e deu água viva aos sedentos.
Leitor 2: Para Jesus a vida estava em primeiro lugar, antes mesmo que as práticas religiosas e os arranjos políticos. Mas nem todos aceitaram o jeito de Jesus. Era estranho vê-lo convivendo com os pecadores, interessando-se por aqueles pelos quais ninguém ligava.
Leitor 3: No início de sua vida pública, Jesus tomou para si a passagem do profeta Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa-nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor” (Lc 4,18-19).
Leitor 4: A missão de Jesus é voltada, de maneira especial, para aquelas realidades mais gritantes de humanidade. Em seu projeto não cabem exclusões, abandonos, considerar-se melhor que os demais, o menosprezo. O projeto de Jesus quer integrar a todos. No Sermão da Montanha (cf. Mt 5), Jesus inverte uma lógica, assim como o Cântico de Maria também faz (cf. Lc 1,46-55): aqueles que hoje são desprezados pelo mundo são os preferidos de Deus. Aqueles que choram serão consolados, os primeiros hoje serão os últimos no Reino.
Leitor 5: No capítulo 15 do evangelho de São Lucas, aparecem algumas figuras muito importantes: a ovelha, a moeda perdida e o filho pródigo. Estas parábolas mostram que os valores do Reino nem sempre coincidem com os nossos. Na conhecida parábola do bom samaritano (Lc 10, 30-37), Jesus nos faz um importante alerta: nossas práticas religiosas não podem nos afastar dos caídos do caminho, e que muitas vezes a ajuda vem de onde menos esperamos (os samaritanos eram rivais do povo judeu).
Leitor 6: Seguir Jesus é percorrer os seus caminhos, fazer nossas as opções que eram dele. Nossa fé é uma fé exigente, que nos impulsiona em direção às pessoas. Ele quer que todos tenham vida, e não qualquer vida, mas uma vida transbordante, plena (Jo 10,10). Mãos à obra.

Vamos aclamar a Palavra de Deus
Eu vim para escutar Tua Palavra, tua Palavra, tua Palavra de amor.
2. Eu gosto de escutar tua Palavra...
3. Eu quero entender melhor...
4. O mundo ainda vai viver...
Ler na Bíblia: Lc 10, 30-37 (Bom samaritano)

Um olhar em nós
Leitor 1: Não nos basta ter fé em Jesus, é preciso ter a fé de Jesus: o coração voltado para Deus e as mãos voltadas para os irmãos. Uma fé que nos faz próximos, companheiros de estrada, de sonhos e lutas. Diariamente vemos notícias que nos entristecem, nos preocupam:
a violência, a falta de oportunidade, os privilégios, as exclusões e tantas outras coisas fazem parte de nosso cotidiano. O risco é de nos acostumarmos com isso, de achar que nada pode ser feito. Que tudo isso é normal.
Leitor 2: Se quisermos que as coisas mudem em nosso meio, não podemos esperar que caiam do céu. As mudanças veem graças às organizações do povo. Muitas coisas já mudaram no Brasil, para melhor, e muitas outras têm de melhorar, porém, nada será feito sem que o povo se interesse e se organize.
Leitor 3: Como seguidores de Jesus, somos chamados a continuar sua obra de salvação. De nada nos adiantam nossas orações se não fazemos aquilo que Jesus nos mandou fazer. Podemos lembrar o alerta da Carta de Tiago: “Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (Tg2,15-18).
Leitor 4: Em nossos dias, corremos o risco de alimentar uma fé individualista, que não se preocupa com os outros, que não quer nem mesmo se encontrar com os outros. Cada um por si, Deus por todos. Mas para o cristianismo, a dimensão comunitária é um elemento fundamental para a vivência da fé. Cada um deve fazer sua experiência pessoal com Deus, sentir-se amado (a) por Ele, mas isso nunca será motivo para desviar dos irmãos e irmãs que estão à nossa volta. Pelo contrário, com o resumo do Decálogo, aprendemos que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo, como a nós mesmos.
Leitor 5: Em 1999, surgia o Grupo de Fé e Política. Uma das características deste movimento é que as pessoas que dele participam “assumem a causa dos pobres, dos oprimidos e dos excluídos; conferem prioridade à conscientização e organização popular; recusam a manipulação das bases; afirmam as classes populares como principal sujeito da própria história; rejeitam todos os valores calcados no individualismo e na absolutização do mercado e reafirmam, como valores fundamentais para o ser humano, a solidariedade, a cooperação e o
direito de todos à vida em plenitude. Comprometem-se com o exercício da cidadania ativa e a construção de uma sociedade democrática, plural e planetária” (Carta de Princípios).
Nossa fé exige de nós uma plena adesão ao projeto de Jesus, um empenho em favor da vida de nossos irmãos e irmãs, sobretudo aqueles que a lógica do Mercado tem deixado de lado.

Vamos conversar
O que o evangelho do Bom Samaritano tem a nos dizer hoje? Temos sabido relacionar bem a nossa fé com as nossas ações de cristãos? Temos o costume de acompanhar os políticos aqui onde moramos? Por quê?

Canto
Sou bom pastor, ovelhas guardarei, não tenho outro ofício, nem terei: quantas vidas eu tiver, eu lhes darei.
1. Maus pastores, num dia de sombra, não cuidaram, e o rebanho se perdeu. Vou sair pelo campo, reunir o que é meu; conduzir e salvar.
2. Verdes prados e belas montanhas, hão de ver o pastor, rebanho atrás. Junto a mim, as ovelhas terão muita paz; poderão descansar.

A Palavra da Igreja
Ouçamos o que a CNBB diz nas Diretrizes atuais de sua Ação Evangelizadora:
Consciente de que precisa enfrentar as urgências que decorrem da miséria e da exclusão, o discípulo missionário também sabe que não pode restringir sua solidariedade ao gesto imediato da doação caritativa. Embora importante e mesmo indispensável, a doação imediata do necessário à sobrevivência não abrange a totalidade da opção pelos pobres. Antes de tudo, esta implica convívio, relacionamento fraterno, atenção, escuta, acompanhamento nas dificuldades, buscando, a partir dos próprios pobres, a mudança de sua situação. Os pobres e excluídos são sujeitos da evangelização e da promoção humana integral. Em tudo isso, a Igreja reconhece a importância da atuação no mundo da política e assim incentiva os leigos e leigas à participação ativa e efetiva nos diversos setores diretamente voltados para a construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário (Doc. 94, n. 71).

Preces espontâneas
Pai-Nosso (podem-se incluir pedidos particulares. Nunca se esquecer de rezar pelo mundo da política, os governantes)

Bênção final
O Senhor nos abençoe e nos guarde.
O Senhor nos mostre Sua face e tenha misericórdia de nós.
O Senhor volva para nós o Seu rosto e nos dê a Paz.
O Senhor nos abençoe, em nome do Pai...

Canto final
Maria, Mãe dos caminhantes, ensina-nos a caminhar. Nós somos todos viandantes, mas é difícil sempre andar.
1. Fizeste longa caminhada, para servir a Isabel, sabendo-te de Deus morada, após teu “sim” a Gabriel.
2. Depois de dura caminhada, para a cidade de Belém, não encontraste lá pousada, mandaram-te passar além.
3. Com fé fizeste a caminhada, levando ao templo teu Jesus. Mas lá ouviste da espada, da longa estrada para a cruz.

4. Vitoriosa caminhada, fez finalmente te chegar ao céu, a meta da jornada, dos que caminham sem parar.

Cartilha Fé e Política - Secretariado de Missão e Evangelização (Província Santa Cruz)
Material completo disponibilizado aos Secretários Regionais de Formação da Jufra do Brasil

Sobre Juventude Franciscana JUFRA) do Brasil

A Juventude Franciscana (JUFRA) é uma proposta de vivência cristã destinada a jovens que, por vocação, carisma ou índole, se comprometem com o ideal de vida inspirado na espiritualidade franciscana A JUFRA é, ou deve ser, um monte de gente nesse mundão a fora, que tomou consciência de que: primeiro, deve esforçar-se para melhorar o mundo; segundo, que a melhora do mundo começa a partir de si mesmo; e que é preciso no mundo uma escola que ajude as pessoas a tomarem consciência disso. (Essa escola é a própria JUFRA) A JUFRA tem estilo e características próprias. Por isso nessa fraternidade de jovens, os jufristas assumem todos os deveres e, por conseguinte, gozam de todos os direitos inerentes ao compromisso franciscano de vida secular Segundo o Estatuto da JUFRA do Brasil, ela é uma associação civil com caráter e objetivos dentro exclusivamente dos campos Religioso, Educacional e Social.

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