Tomás de Celano – Vida II, 211
“Francisco já tinha morrido para o mundo, mas Cristo estava vivo nele. As delícias do mundo eram uma cruz para ele, porque levava a cruz enraizada em seu coração. Por isso fulgiam exteriormente em sua carne os estigmas, cuja raiz tinha penetrado profundamente em seu coração”.

IRMÃOS E IRMÃS, PAZ E BEM!
Acolhida: Dar um abraço fraterno bem acolhedor em cada irmão que entrar no ambiente e pedir para cada um acomodar-se em silêncio.
Obs: Desligar os celulares. O local deverá estar com as luzes apagadas e só a chama da vela acesa junto com o incenso. O som deverá estar ligado baixo para dar um clima ao ambiente. Pedir que os irmãos observem o ambiente, a mística, ouçam  os sons ao seu redor, sintam o cheiro no ar e que tirem as sandálias para sentir o chão onde pisam. Depois de alguns minutos fazer um momento de reflexão de como foi o seu dia, ou da sua semana ou de sua vida.  Vamos partilhar. 
Musica: “A falta que fez este pão” (Pe. Zezinho).

Tema: As Quaresmas de São Francisco
 A quaresma na vida de São Francisco, além do aspecto penitencial e de conversão, encontra sentido no seu desejo de “conformar-se a Cristo” e com a intenção de reviver os mistérios que desfilam ao longo do ano litúrgico. Por isso, ele não se contentou em fazer uma quaresma, mas cinco quaresmas ao longo do ano, cada uma com um objetivo como veremos a seguir:
A “Grande Quaresma”, este tempo que nós estamos vivendo: nesta quaresma, o Santo de Assis celebrava, como nós estamos nos preparando para celebrar, o grande mistério da morte e ressurreição de Jesus, período em que queria, com o maior empenho possível, responder ao amor do Filho de Deus que, como nos lembra o evangelho de São João (13,1), nos “amou até o fim”. E a penitência, a mortificação e oração que S. Francisco fazia, tinha o intuito de imitar e conformar-se com o Cristo que, “sendo rico se fez pobre; sendo de condição divina, se desvestiu desta condição e humilhou-se, até morrer na cruz...” (FI. pãezinhos e, durante 40 dias comeu metade de um deles (I Fioretti 7).
Quaresma do Advento: para celebrar o mistério da encarnação do filho de Deus S. Francisco de Assis fazia esta quaresma, que ia da Festa de todos os Santos até a vigília do Natal. Ele se retirava para a solidão, rezava, meditava, jejuava com a finalidade de “submeter o corpo ao Espírito” (Espelho da Perfeição 62). O tema central de sua meditação, nesta quaresma, era a humildade do Filho de Deus que quis assumir a forma de servo e nascer em condições de extrema pobreza e mortificação. Foi nesta quaresma que, no ano de 1223, aconteceu o presépio de Gréccio ( 1 Cel 84).
Quaresma da Epifania ou quaresma “bendita”como a chamava São Francisco: Com esta quaresma São Francisco pretendia estabelecer o laço entre o tempo do Natal e da Páscoa. Por este motivo diz o seu biógrafo Tomaz de Celano: “O santo de Assis meditava nas palavras do Senhor e recordava seus atos com muita inteligência. Mas sobretudo tinha impressas na memória a humildade da encarnação e a caridade da paixão que dificilmente pensava em outras coisas” (1 Cel. 84). Esta era uma quaresma rigorosa de jejuns e orações, exigida de todos os frades que desejassem fazê-la, como ele pede na Regra não Bulada 3,6: “A santa quaresma, porém, que começa na epifania e se estende por quarenta dias consecutivos que o Senhor consagrou com seu jejum, os que quiserem nela jejuar tenham a benção do Senhor; mas os que não quiserem não sejam obrigados”.
Quaresmas de São Miguel Arcanjo: Esta quaresma tinha início no dia da festa da Assunção de Nossa Senhora, a primeira e a mais importante das festas marianas, segundo S. Francisco, e terminava no dia da festa de São Miguel  Arcanjo. O tema de sua meditação, nesta quaresma, é o mistério de Cristo, as coisas do alto, o Céu, desejando estar plenamente unido a Cristo, confiando plenamente na providência divina. Tinha uma devoção muito grande pelos anjos, pois estão conosco no combate; são os nossos guardas (Cf. 2 Cel 197) . Muitas vezes dizia que devemos honrar de maneira especial São Miguel porque é o encarregado de apresentar as almas ao julgamento. É durante uma destas quaresmas, em honra de São Miguel que acontece o milagre dos estigmas, sinal de sua mais alta conformidade com o Cristo (Legenda Maior 13,1) .
Quaresma que ia da Festa dos Apóstolos Pedro e Paulo até a Assunção: Esta quaresma é expressão de sua profunda piedade eclesial, de sua comunhão com a Igreja. A conclusão desta quaresma no dia da Festa da Assunção de Maria, acentuava como lembra São Boaventura: “Seu amor à mãe do Senhor Jesus era realmente indizível pois nascia em seu coração ao considerar que ela havia convertido em nosso irmão o próprio Rei e Senhor da glória e que por ela havíamos merecido alcançar a misericórdia divina. Em Maria, depois de Cristo, depositava toda sua confiança; por isso a constituiu advogada sua e de seus irmãos, e em sua honra jejuava devotamente desde a festa de São Pedro e São Paulo até o dia da Assunção” (LM 9,3).

Que, a exemplo do Santo de Assis, esta quaresma seja para todos nós um "entrar", uma participação no mistério da morte e ressurreição de Jesus. Que a celebração da Paixão do Senhor nos leve a ter Compaixão por todas as pessoas e também pela natureza, isto é, nos leve a ter os mesmos “sentimentos” de Jesus que, fiel ao Pai, nos amou com extremo amor, dando a própria vida para que tivéssemos vida e vida em plenitude (João 10,10).

Dinâmica: Dividir o grupo  em equipes e para criarem uma poesia,  peça teatral ou uma música, etc. Que contenham estas palavras: PENITÊNCIA, CONVERSÃO, JEJUM E ORAÇÃO. Retiradas do nosso tema principal. 
Tempo: 5 minutos de apresentação.
Evangelho: Pedir a uma jovem que possa ler com passividade e amor a leitura retirada de Isaías 58,6-8. E um jovem para segurar a vela próxima à bíblia. E deixar que ouçam com respeito e atenção.
Sobre a leitura, questionemos: 
De que forma é o meu jejum?
Será que o meu jejum é agradável a Deus?
Se não, o que estou fazendo para melhorá-lo?

Desafio: Cada jufrista irá a sua comunidade, hospital, lar de idosos, presídio, orfanato ou na rua, dedicar um pouco do seu tempo e do seu amor para estes irmãos que tanto esperam por nós. Abdicar um pouco do tempo que você passa  no celular, por exemplo, e ir fazer este desafio. Vamos tentar?
Final: Num grande círculo em volta da mística; todos abraçados e cantando suavemente a música “Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz”. Depois se despedem com a nossa saudação de “Paz e bem”.
Dica: Falar com o secretariado da Fraternidade para marcar a confissão dos jufristas,  com os frades padres ou o padre da paróquia, já que estamos num período tão propício.
Material para a reunião: Bíblia, a vela, a cruz de São Damião, galhos secos, três pães, um prato de barro (para colocar os pães), um copo de barro com água, sandálias de couro bem simples, uma manjedoura vazia, tecidos tipo estopa ou de sacos de batata, um cordão franciscano, um quadro da Virgem Maria, incenso, um aparelho de som, pedras tipo brita e CDs com músicas instrumentais bem suaves.
Dica: A cruz de pé, o som tem que estar tocando desde o momento que os jufristas chegarem ao ambiente, o tecido tipo estopa no chão e sobre ele os objetos na ordem que desejar, os galhos secos próximos à cruz e as pedras espalhadas ou juntas aos pés da cruz. O incenso pode ser de: mirra, aloe vera ou sândalo (ou outro da sua preferência).

CD de padre Zezinho: “De volta para o meu interior”.
Nome da musica: “A falta que fez este pão”.

A falta que fez esta mesa eu sei
Que fome de paz e de luz eu passei
Não foi porque não brilhavas
As portas eu não abri
Não foi porque não chamavas
Fui eu que não respondi
O mundo levou a melhor Por um tempo levou a melhor
Mas voltei.Voltei porque não suportei viver
Longe da Eucaristia Longe da comunhão


Pax et bonum!

Márcio Wagner Vital Estácio
Fraternidade Instrumentos da Paz – Penedo /AL
Formador Local

Fonte: http://www.despertarfranciscano.com/index.php/links/14-sample-data-articles/160-dez1-sao-francisco-e-a-quaresma